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MUNDO

04/04/2016

Ministério da Saúde lança campanha para incentivar vacinação contra HPV

Doses são oferecidas de modo permanente em todos os municípios do país.

Novo protocolo prevê apenas duas doses, para meninas de 9 a 13 anos.

O Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (30) uma campanha publicitária para conscientizar pais e adolescentes sobre a importância da vacinação contra o HPV. A imunização é oferecida de modo permanente na rede pública para meninas de 9 a 13 anos e não tem campanhas isoladas ao longo do ano. A vacina é tomada em duas doses, com intervalo ideal de seis meses.

Com o slogan "proteja o futuro de quem você ama", a campanha é estrelada pela atriz da TV Globo Carolina Kasting com a filha Cora, de 10 anos. Segundo o ministério, a cobertura da vacinação contra HPV chegou a 92,3% do público alvo entre 2014 e 2015, na primeira "leva" de adolescentes imunizadas, mas caiu para 69,5% no ano passado entre as meninas que ainda precisavam tomar a primeira dose.

"Infelizmente, as redes sociais trazem a multiplicação da informação em uma velocidade muito grande. Tivemos inverdades que dificultaram a cobertura da segunda dose. Isso foi desmistificado e precisamos da divulgação para chegar nas meninas e nos pais, levando a segurança da vacina, dizendo que está disponível e não vai faltar", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Antônio Carlos Nardi.

O protocolo de vacinação contra o HPV foi alterado no início do ano e agora prevê apenas duas aplicações da imunização em cada menina. Até 2015, a estratégia previa uma terceira dose para "reforçar" a imunidade. A dose extra ainda é recomendada para mulheres de 9 a 26 anos que vivem com HIV/Aids, grupo que tem lesões de HPV mais frequentes e resistentes, além de cinco vezes mais chances de desenvolver câncer do colo do útero.

Nardi afirmou que o reforço das equipes e o incentivo à vacinação são responsabilidades compartilhadas com as secretarias estaduais e municipais.

"Não se trata de uma campanha, mas de uma intensificação da divulgação, da mobilização. Não é uma vacina temporal, ela está na rotina das unidades básicas, disponível a qualquer dia, a qualquer hora. As estratégias para se atingir a cobertura aconteçam conforme as necessidades e realidades locais. Não é o Ministério da Saúde que determina, são as secretarias".

Gargalos

Os boatos citados por Nardi se espalharam pela internet no fim de 2014, ainda na primeira etapa de vacinação. Em Bertioga, no interior de São Paulo, 11 garotas foram levadas ao hospital após receberem a segunda dose da vacina contra HPV, mas a relação entre o produto e os sintomas foi descartada pela secretaria estadual e pelo ministério.

A coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações, Carla Magda, diz que os supostos perigos da vacina já foram desmistificados, mas ainda sobrevivem no imaginário de alguns pais e adolescentes. As campanhas de divulgação buscam reforçar que as doses são seguras, têm eficácia de 98% e estão disponíveis de modo permanente, mas ainda há gargalos a superar.

"São só dois anos de vacinação, precisamos continuar trabalhando com os pais e os próprios adolescentes, mostrando a segurança, a importância e a qualidade da vacina. É preciso desmistificar, é uma forma de pensar no futuro dos nossos filhos", diz a gestora.

A vacina não age contra infecções ou lesões de HPV prévias e, por isso, é mais eficaz em pacientes que ainda não deram início à vida sexual. Na idade-alvo da campanha, entre 9 e 13 anos, a produção de anticorpos gerada pela vacina também é maior que a resposta natural do corpo a uma possível infecção.

O vírus é transmitido através do contato direto com pele ou mucosa de pessoas infectadas. Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), 8 em cada 10 pessoas com vida sexual ativa tiveram contato com o HPV em algum momento. O ministério minimiza, mas acredita que o conservadorismo das famílias pode ter algum impacto no receio de vacinar as jovens.

"Com certeza, essa questão da atividade sexual é uma preocupação. Há pais que acham que dar a vacina precocemente poderia estimular, mas temos outras vacinas da adolescência que não geram essa reação. A hepatite B, por exemplo, é transmitida por via sexual e nenhum pai deixa de vacinar os filhos", diz Carla.

O secretário de Vigilância afirma que a segurança de uma vacina "sempre disponível" gera acomodação em algumas famílias. "Quando a vacinação começou, todo mundo correu às unidades de saúde porque achou que não teria dose suficiente. A partir do ano seguinte, quando garantimos que não ia faltar, as pessoas deixam de ter aquela pressa", diz Nardi.

No ano passado, a vacinação contra HPV ficou abaixo da meta de cobertura de 80% em todas as regiões do país e idades-alvo. Em média, apenas 43,75% das meninas brasileiras de 9 a 13 anos foram vacinadas. A estratégia de levar agentes de saúde às escolas, adotada em larga escala em 2014, não foi repetida em 2015 – segundo o ministério, por dificuldades de logística e déficit nas equipes de saúde dos municípios.

HPV

O vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês) é a doença sexualmente transmissível mais comum que existe. Atinge tanto homens quanto mulheres, e pode causar verrugas ou feridas genitais.

Nas mulheres, porém, o vírus gera uma preocupação a mais. Em 90% dos casos de câncer do colo de útero, o HPV é o responsável. Para prevenir essa doença, o segundo tipo de tumor mais comum entre mulheres, é preciso fazer o exame papanicolau com a frequência recomendada.

Mulheres vacinadas também precisam fazer o exame com frequência, já que existem mais de 200 tipos de HPV e 13 deles são capazes de provocar câncer. A vacina é chamada quadrivalente porque protege contra quatro subtipos principais, responsáveis por 90% das verrugas na região do ânus e dos genitais e 70% dos casos de câncer do colo do útero.

Os tumores malignos no colo do útero são a quarta causa de morte pela doença no país, atrás apenas dos cânceres de mama, pulmão e intestino. A OMS estima 530 mil novos casos e 265 mil mortes no mundo relacionados à doença por ano.

A vacina contra HPV também está disponível na rede privada, para homens e mulheres de até 45 anos que não se enquadram no público-alvo da rede pública. A aplicação deve ser adiada em caso de febre alta ou doenças em fase aguda.

Pessoas com algum distúrbio de coagulação (trombocitopenia, por exemplo) ou sistema imunológico baixo devem consultar um médico antes de tomar a vacina, assim como crianças e adolescentes com histórico de doença neurológica ou crise convulsiva. A imunização é contraindicada para gestantes, mas pode ser tomada na fase de amamentação.

Fonte: G1



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