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NEGÓCIOS E ECONOMIA

04/04/2016

Vendas de carros elétricos nunca cresceram tanto como em 2015

O ano passado venderam-se 1305 veículos elétricos. Foram mais que nos quatro anos anteriores juntos e mais 360% que em 2014.

As vendas de carros elétricos em Portugal nunca cresceram tanto como em 2015. No ano passado venderam-se 1305 veículos, um crescimento de quase quatro vezes face ao registado em 2014, segundo dados da recém criada associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE).
 
É um número surpreendente, superou mesmo o total de todos os carros elétricos comprados em Portugal nos quatro anos anteriores, afirmou ao Dinheiro Vivo, o presidente da UVE, Henrique Sánchez. Neste período, entre 2011 e 2014, venderam-se apenas 950 veículos elétricos.
 
“Estes dados mostram claramente o enorme aumento das vendas, embora tendo em conta que partimos de números muito pequenos”, explicou Henrique Sánchez, notando que atualmente existem mais de três mil veículos elétricos de todo o tipo (carros, motas e bicicletas) a circular no país.
 
De facto, os números podem não ser ainda muito expressivos, mas o crescimento da procura sim e isso nota-se ainda mais na análise mês e mês. Por exemplo, em dezembro de 2013 venderam-se apenas 13 carros elétricos, mas no mesmo mês de 2014 esse número triplicou para 39 unidades e, em dezembro de 2015, disparou para 250.
 
A justificar esta “explosão de vendas” estão vários fatores – o mais óbvio é o preço da gasolina e do gasóleo que, no início do ano passado, aumentou por via da fiscalidade verde do anterior Governo.
 
A principal razão está relacionada, contudo, com os apoios do Estado. “2015 é precisamente o ano em que os incentivos regressaram”, adianta Henrique Sánchez, lembrando que tinham terminado em 2012 por imposição da troika. No ano passado, o Governo dava 4500 euros a quem comprasse um carro deste tipo e ainda a isenção de pagamento do selo e do Imposto Sobre Veículos (ISV). Além disso, as empresas podiam deduzir a compra no IVA e IRC, o que explica que as vendas tenham sido maiores nas empresas que nos particulares.
 
O problema é que este ano, apesar de se manterem os apoios fiscais, os incentivos monetários foram reduzidos e ainda vão voltar a descer em 2017. José Mendes, secretário de Estado do Ambiente, já avisou que este ano o incentivo à compra de veículos elétricos – neste caso apenas carros, uma vez que não há apoios para a compra de motas ou bicicletas – baixa dos 4500 euros para metade, ou seja, 2250 euros. E em 2017 vai ser de 1125 euros e sempre com a obrigação de ter de se dar para abate um carro a gasolina ou gasóleo com mais de dez anos.
 
Esta decisão pode fazer com que se comprem menos veículos elétricos. Mas, para já, a tendência de crescimento mantém-se. “O aumento de vendas de janeiro de 2015 para janeiro de 2016 foi de 407%”, passando de 28 veículos vendidos no início de 2015 para 114 este ano, disse Henrique Sánchez.
 
Carregamento mais rápido
 
A contribuir para o aumento das vendas pode estar a expectativa de alargamento da rede de pontos de carregamento a mais zonas do país e ainda a instalação de pontos de carregamento rápido.
 
O Governo diz que o projeto está em marcha e que já tem o dinheiro garantido, mas ainda não há nada no terreno. O objetivo, diz o secretário de Estado do Ambiente, é instalar já este ano mais 174 novos pontos de carregamento, dos quais 50 serão rápidos. Ou seja, em vez de demorarem cerca de oito horas a carregar demoram apenas 20 a 30 minutos.
 
Além disso, o Executivo vai ainda reparar e substituir os cerca de 200 postos atuais que estão danificados ou a precisar de ser renovados, garantiu José Mendes ao Dinheiro Vivo, a semana passada na apresentação da UVE.
 
Tudo junto, serão investidos 2,9 milhões de euros para que, no final de 2016 haja 1250 pontos de carregamento distribuídos por todo o país.
 
Com este reforço já deverá ser possível ir de Lisboa ao Alentejo ou ao Algarve de carro elétrico, porque agora não dá, nota Henrique Sánchez.
 
“De Alcácer do Sal para baixo não há postos de carregamento. Depois volta a haver em Faro, mas o Alentejo todo não tem nada, logo não se consegue ir de Lisboa ao Algarve”, comentou. E de Lisboa para o Porto, ainda que seja possível “não é praticável”, acrescentou, sendo preciso recorrer a tomadas de cafés, restaurantes ou mesmo quartéis de bombeiros.
 
“A atual rede é, de facto, o maior entrave à mobilidade elétrica, mas julgo que agora há empenho político. Não houve durante quatro anos”, remata Henrique Sánchez.

Fonte: Portugal Global



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