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MUNDO

09/05/2016

Instituto Camões cruza os mares para internacionalizar a língua portuguesa

A presidente do instituto português, Ana Paula Laborinho, reconhece a importância do Brasil na valorização da língua.

Mas critica a possível exclusão de escritores lusos do ensino. "Cortar Eça de Queirós, Camões ou Fernando Pessoa dos jovens estudantes é cortar também uma parte da história do Brasil", afirma em entrevista ao Portugal Digital e ao África 21 Digital.

O português está, atualmente, entre as línguas mais faladas do mundo. Ocupa a quarta posição, atrás apenas do chinês, espanhol e do inglês. Em tempos de redes sociais, é a língua portuguesa que aparece com destaque: é a quinta mais usada na internet e a 3ª no Facebook, segundo o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua de Portugal (Camões, I.P). Ainda de acordo com o instituto português, estima-se que 3,8% da população mundial usem a língua portuguesa em seus territórios, especialmente nos negócios. O que faz com que ela já represente 4% da riqueza mundial, ao ocupar 10,8 milhões de quilômetros quadrados em 7,25% de superfície continental da terra.

Tamanha abrangência do português, somada à ideia de que a língua não pode ser vista apenas como a forma mais proeminente de comunicação, levou o Camões I.P.  a quantificá-la pela primeira vez, mostrando seu peso no desenvolvimento de um país.

"Não é possível ter políticas públicas bem-sucedidas em um país sem dimensionarmos o que a língua significa em termos econômicos e só conhecendo esses indicadores, do que a língua representa, é que podemos falar de sua importância internacional", disse a professora Ana Paula Laborinho, presidente do Camões I.P., em entrevista ao Portugal Digital e ao África 21 Digital, durante viagem ao Brasil, por ocasião das comemorações do Dia da Língua Portuguesa e da cultura na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O dia foi celebrado no último dia 5, e envolveu ações do instituto em 58 países, com 200 ações ligadas exclusivamente à língua portuguesa.

A língua portuguesa medida em números virou um folheto, distribuído em todos os países onde o português está presente. "Percebemos que, cada vez mais, países vizinhos a nações de língua portuguesa querem ter o português como língua oficial em seus sistemas de ensino", diz Ana Laborinho. Um exemplo, conta, é a Namíbia, que incluiu o português em seu ensino regular. Mas o que chama atenção, segundo a professora, é ver países como a Bulgária, a Croácia, Hungria, Noruega e Romênia fazer constar o português do currículo do secundário, com professores próprios, formados em universidades apoiadas pelo Camões I.P. A admiração vem do fato de que a iniciativa desses países não teve nenhuma ligação com as comunidades portuguesas.

Outra surpresa veio de Havana, onde o instituto acaba de abrir um leitorado. "Já estamos há dois anos na Colômbia e em breve devemos estar no Panamá", diz a presidente do Camões. Já em terras brasileiras, Ana Laborinho se reuniu com autoridades e parceiros, como o secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Araújo, e com representantes da Fundação Roberto Marinho, para o desenvolvimento de estudos com foco na promoção e divulgação da língua portuguesa internacionalmente. Dos 261 milhões de pessoas nos cinco continentes que estima-se que falem o português, o Brasil colabora com 200 milhões.

Brasil

Não é à toa que o Camões busca apoio do Brasil para a internacionalização da língua. "É sempre difícil falar da importância da língua portuguesa como língua internacional em um país como o Brasil, que talvez ainda não tenha a percepção suficiente da dimensão internacional de sua própria língua", diz Ana Laborinho. "Hoje, o português é a língua falada em 32 organizações internacionais. Também é a língua oficial de trabalho ou de documentação na União Europeia e em agências e organismos das Nações Unidas, além de organismos ibero-americanos", justifica a presidente do Camões I.P.

Dividida em blocos geopolíticos, a atuação do instituto foca no momento o bloco ibero-americano, onde o Brasil está inserido. "Na América Latina o Brasil tem um papel importante na divulgação da língua portuguesa", afirma Ana. Repete ser importante que o Brasil tenha essa consciência em relação à dimensão que o português vem alcançando não apenas na literatura ou na cultura, mas na ciência e, em especial, na economia. Por isso, criticou a proposta do Ministério da Educação do Brasil, apresentada em fevereiro, de eliminar a obrigatoriedade do ensino da literatura portuguesa em sua nova Base Nacional curricular comum, que se encontra em discussão para que seja colocada em prática no próximo mês de junho.

"Cortar Eça de Queirós, Camões ou Fernando Pessoa dos jovens estudantes é cortar também uma parte da história do Brasil", disse. A presidente do Camões  também lamentou o fato de o Brasil não ter hoje uma instituição específica para a internacionalização do português. "Pela sua dimensão, o Brasil talvez ainda não sinta a necessidade de internacionalização de sua língua como outros países sentem", falou a presidente da entidade.

O instituto

O Camões I.P. é uma instituição governamental atrelada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que tem sob sua responsabilidade a política de ensino da língua e da cultura portuguesas no mundo por meio de programas de apoio à criação de departamentos de português ou estruturas afins em universidades fora de Portugal. Por meio dos Centros de Língua Portuguesa, criados em parceria com universidades e organizações internacionais, o instituto oferece apoio logístico ao ensino do português.

Está presente em 84 países com atuação no ensino básico, secundário e universitário. Os dois primeiros em 23 países, onde conta com 815 professores do ensino da língua portuguesa e 70 mil alunos. Trabalha com 357 instituições, na maioria universidades, dando apoio a 644 docentes. No ensino superior e organizações internacionais  tem presença em 357 instituições com o apoio a 644 docentes e beneficiando 90 mil alunos.

No Brasil, tem uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) há 25 anos. São 40 cátedras em estudos portugueses, 69 Centros de Língua Portuguesa com mais de  100 mil utilizadores, 19 Centros Culturais Portugueses e 1.200 ações, em 2015, de promoção da cultura portuguesa pelo mundo.

O plano de ação para a internacionalização do português está fincado no Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), com sede em Cabo Verde, que faz o monitoramento do programa. "A língua revela o que somos e portanto ela é uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento de um país", afirma Ana Laborinho. 

Para o cônsul geral de Portugal em São Paulo, que participou das comemorações do Dia Internacional da Língua Portuguesa, "às vezes  a língua portuguesa nos parece tão óbvia, algo tão próximo de nós nas relações sociais, que acabamos por ignorar um pouco sua importância".

Fonte: Portugal Digital



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