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NEGÓCIOS E ECONOMIA

09/05/2016

AICEP. Portugal com 2 mil milhões em projetos de investimento estrangeiro

Presidente da AICEP defende que Portugal continua a atrair investidores externos e a perceção de risco não piorou com o novo Governo.

Portugal continua a atrair investidores externos e a perceção de risco não piorou com o novo Governo, tendo já mais de 2.000 milhões de euros de projetos de investimento estrangeiro no ‘pipeline’ para três anos, após ter mais do que duplicado para 1.700 milhões de euros em 2015, segundo o presidente da AICEP.
 
O líder da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal está “otimista” acerca das exportações, que voltaram a bater um recorde em 2015, pois Portugal está a contornar a queda a pique dos relevantes mercados de Angola e do Brasil, com o sucesso da diversificação para outros destinos, como os EUA.
 
Alguns analistas têm dito que o facto do Governo socialista, empossado em novembro, ser apoiado pelos euro-cépticos Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda levaria ao aumento do risco político e a uma retração do investimento estrangeiro. Contudo, o presidente da AICEP, que angaria investimento externo produtivo e nunca investimento financeiro, discorda e frisou: “não tenho notado nada isso”. “Portugal continua claramente no ‘radar’ dos investidores.
 
A recuperação que o país fez nos últimos anos é amplamente reconhecida e Portugal é visto hoje como um país confiável, credível”, disse Miguel Frasquilho em entrevista à Reuters. Adiantou que, apesar dos números finais de 2015 não estarem totalmente fechados, “o volume de investimento produtivo angariado através da AICEP ascende a cerca de 1.700 ME”, contra os 814 ME de 2014. “2015 foi um ano francamente positivo. Estes 1.700 ME permitiram criar mais de 5.000 postos de trabalho e manter cerca de 30.000 postos de trabalho”, referiu o presidente da AICEP.
 
“Estamos já com um ‘pipeline’ bastante forte, superior a 2.000 ME, para os próximos três anos”, acrescentou. Lembrou que “são intenções de investimento, que podem ou não vir a materializar-se”, vincando: “mas, o que posso dizer é que o interesse dos investidores se mantém e isso é visível nos ‘roadshows’ que tenho realizado, que são excelentes notícias”.
 
“Os sectores onde temos sentido mais interesse dos investidores, sem nenhuma ordem especial, são: aeronáutica, sector automóvel, moda, tecnologias, pasta de papel e papel, centros de serviços partilhados que são multi-sectoriais, metalomecânica, indústrias capital intensivo. É muito variado”. Frisou a importância do “Portugal 2020 que, ao contrário dos anteriores Quadros Comunitários de Apoio, é muito virado para a inovação, empreendedorismo, internacionalização, Research & Development (R&D) e a criação de emprego”.
 
Através destes cinco fundos europeus estruturais e de investimento o país vai receber 25.000 ME até àquele ano. “Temos tido uma adesão (ao Portugal 2020) fantástica por parte das empresas e assim também se explica como apareceu este investimento todo que foi angariado pela AICEP”. Vantagens Adiantou que Portugal, para além de ser seguro e ter um clima agradável, é um país ‘state of the art’ em infra-estruturas tecnológicas e tem outras vantagens competitivas como nas infra-estruturas físicas – “vias rodoviárias, nos portos, nos aeroportos e mesmo nas vias ferroviárias, que apesar de não estar tão bem posicionadas, não deslustram”.
 
Realçou que o país tem boas universidades de engenharias e gestão, que garantem uma mão-de-obra qualificada nestas áreas, e que cerca de 80% da população mais jovem fala duas línguas, sendo que uma delas é o inglês – importante para os negócios. E o país deu passos cruciais no “ecosistema de ‘start-ups'” mais virado para as tecnologias e está “a começar a ser encarado como um ‘Hub’ tecnológico, que era uma coisa que há cinco anos atrás era impensável”. “Mas, está a acontecer e tenho a expectativa de que, dentro de alguns anos, Portugal possa ser uma referência europeia quanto à presença das grandes tecnológicas mundiais”.
 
Assim, não foi à toa que Lisboa ganhou a organização da mega conferência Web Summit nos próximos três anos, com a possibilidade de mais dois, derrotando Amesterdão, Berlim, Paris, Barcelona e Dublin, a cidade que a realiza há cinco anos. Lembrou que “o ano passado em Dublin estiveram mais de 1.000 investidores, mais de 2.100 ‘start ups’, mais de 1.200 jornalistas cobrindo 109 países, mais de 42.000 participantes, quando há cinco anos eram 400 participantes”.
 
“Nós estimamos em Lisboa este ano mais de 55.000 participantes e que aqueles números de Dublin possam crescer na mesma proporção”. Risco do país Lembrou que, só durante uma ou duas semanas em fevereiro, aquando das negociações sobre o Orçamento de Estado (OE) para 2016, é que a trajetória das taxas da dívida soberana refletiu uma “perceção mais arriscada por parte dos investidores”.
 
“A partir do momento em que foi alcançado o acordo com Bruxelas, as taxas tornaram a cair. Temos de ver como é a execução orçamental, mas o facto de o OE2016 prever um défice de 2,2% do PIB, que será o mais baixo da história da nossa Democracia, é um excelente sinal para os investidores”. “Aliás, o Governo socialista está comprometido com os Tratados europeus, com o Tratado Orçamental, com esta trajetória de descida do défice e com as orientações de Bruxelas”, afirmou o presidente da AICEP.
 
A Comissão Europeia prevê que o défice público português se fixe em 2,7% do Produto Interno Bruto em 2016, face aos 3,2% de 2015 excluindo o impacto do resgate do Banif, mas o Governo manteve a sua meta, embora esteja disponível para tomar mais medidas se e quando forem precisas. Exportações recorde Miguel Frasquilho lembrou que “em 2015, em termos de valor, foi o melhor ano de sempre das exportações de bens e serviços de Portugal, ou seja mais de 72.000 milhões de euros, um crescimento de 5,2% em termos reais”, e está confiante que se manterão a crescer.
 
Apesar das exportações para os cruciais mercados angolano e brasileiro terem caído, respetivamente, 12% e 27% em 2015, o mercado dos EUA cresceu 13%. “Estou otimista”, disse, acerca das exportações para 2016, que o Governo estima cresçam 4,3%. “Estamos a conseguir diversificar as exportações.
 
O exemplo dos EUA em 2015 é extraordinário. O nosso nível de exportações para os EUA mais do que duplicou no espaço de cinco anos”, afirmou o presidente da AICEP. “É mérito total dos nossos empresários que, perante o ajustamento da contração do mercado interno que era uma inevitabilidade, se viraram para fora”, disse. Adiantou que “a internacionalização é um conceito que já está interiorizado pelos empresários porque o mercado interno português é muito limitado”. Afirmou que, “mesmo que a nível do mercado interno as perspetivas sejam agora mais positivas – e são – do que eram há dois ou três anos, isso não é suficiente para a criação de bem-estar”, realçando: “isso tem de ser através do mundo”.
 
“Provavelmente a crise terá ajudado (…) à internacionalização da economia, com as exportações a passarem de 28% do PIB em 2008 para mais de 40%, porque o nosso tecido empresarial foi forçado a virar-se para fora face ao ajustamento, à contração, do mercado interno”. “Penso que é possível atingir os 50% por volta do final da década, em 2020”.

Fonte: Portugal Global



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