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MUNDO

05/07/2016

A arte urbana saltou da Quinta do Mocho e propagou-se a todo o concelho de Loures

Durante uma semana, cerca de 100 artistas nacionais e estrangeiros produziram obras em prédios, equipamentos e autocarros. “Adoro pintar em sítios em que a cultura não é fácil de encontrar para as pessoas de lá”, diz um desses artistas, o francês STEW

A arte urbana, na qual Loures se vem afirmando nos últimos anos como uma referência nacional e internacional, galgou as fronteiras do bairro da Quinta do Mocho e disseminou-se pelo concelho. Um pouco por todo o território, há agora empenas de prédios, muros de escolas, paredes de viadutos, depósitos de água, postos de transformação da EDP e autocarros que estão nas ruas, à vista de todos, mas bem podiam estar numa qualquer galeria ou museu.

Ao longo da última semana, cerca de 100 artistas portugueses e estrangeiros participaram naquela que foi a primeira edição do Loures Arte Pública. A iniciativa terminou (pelo menos oficialmente) no domingo, com a promessa de regressar em 2017, mas as obras que dela resultaram vão perdurar e contribuir para que Loures constitua, cada vez mais, um local de visita obrigatório para todos os apreciadores de arte urbana.

A Quinta do Mocho, que antes era um bairro no qual só entrava quem tinha que o fazer e que está hoje transformado numa galeria de arte a céu aberto, foi o primeiro ponto do concelho a conquistar um lugar no roteiro dessa visita. Agora as cruzes a marcar no mapa são muitas mais e estão, nalguns casos, separadas por dezenas de quilómetros.

“Há obras que nos têm deixado em estado de êxtase. São fantásticas, extraordinárias. E muito variadas”, observa a vereadora da Coesão Social e Habitação da Câmara de Loures, que em conversa com o PÚBLICO confessa ter dificuldade em destacar este ou aquele trabalho de entre os mais de uma centena que ganharam forma nos últimos dias.

“Cada um é mais bonito do que o outro”, diz Maria Eugénia Coelho, que ainda assim arrisca  referir algumas obras. Entre elas duas visitadas pelo PÚBLICO na passada quinta-feira: um reservatório de água em Santo António dos Cavaleiros, pintado pelo brasileiro Utopia, e uma parede de um viaduto em Frielas, intervencionada pela francesa Vinie.

A vereadora fala ainda numa empena de um prédio no Prior Velho, obra do francês Greg Astro (que por estes dias também deixou a sua marca num autocarro da Rodoviária de Lisboa), e no edifício de uma escola em A-das-Lebres, no qual Marcelo Gomes pintou um pássaro pousado num galho. Sobre essa última, Maria Eugénia Coelho conta com satisfação que uma educadora se congratulou com a obra, dizendo que graças a ela a sua escola tinha ganho asas.

A autarca constata aliás que tem sido generalizada a satisfação dos munícipes para com este Loures Arte Pública. Uma prova disso mesmo são os muitos pedidos que já no decurso da iniciativa têm chegado à câmara, através de telefonemas e mails, provenientes de privados e de representantes de instituições públicas, para que também os seus imóveis sejam intervencionados.

“No próximo ano a selecção de suportes vai dar algum trabalho”, antecipa por isso Maria Eugénia Coelho. Neste que foi o ano de estreia do festival, a escolha foi mais fácil, sendo certo que à população foi também pedido que indicasse locais que gostaria de ver pintados.

A convicção da autarquia é que iniciativas como esta permitem não só “uma transformação do espaço urbano”, mas também “uma apropriação do mesmo pelas pessoas”, contribuindo para que ele se torne local de “partilha, convívio, harmonia”. Além disso, sublinha a vereadora da Coesão Social e Habitação, por detrás de tudo isto está também a ideia de que “a cultura é democrática”. “As artes plásticas têm que estar na rua e não fechadas em museus e em galerias”, defende, salientando o “incentivo à criação” que tal pode constituir.

Cerca de dois anos depois de a arte urbana ter entrado em força no município, através da porta grande que foi a Quinta do Mocho, Maria Eugénia Coelho não tem dúvidas de que o concelho “é cada vez mais uma referência a nível internacional”. “A arte urbana é uma marca de Loures”, conclui com agrado.

Das pombas às figuras japonesas
Entre os artistas que dedicaram os últimos dias a deixar o bairro ainda rico estiveram o uruguaio Pablo Machioli, que deixou para trás uma pomba repleta de cores e um apelo à paz no mundo, e o israelita Untay, que pintou uma figura feminina. Segundo conta um dos elementos da organização, alguns dos populares que por ela passaram alertaram para as semelhanças com a fadista Amália Rodrigues. Convencido, o artista acabou por escrever na empena do prédio a palavra saudade.

Fonte: Publico PT



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