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NEGÓCIOS E ECONOMIA

09/08/2016

Empresa de Singapura quer investir 100 milhões em Sines

Investimento está dependente do sim do governo. Empresa já tinha investido 40 milhões no ano passado.

A PSA, empresa de Singapura que detém a concessão do Porto de Si­nes, investiu, no ano passado, um total 40 milhões de euros. A cami­nho poderão estar outros cem mi­lhões, mas, para isso, é preciso ne­gociar com o governo.
 
O investimento feito no ano passado serviu para expandir as in-fraestruturas, aumentando a capa­cidade do terminal de contentores, o Terminal XXI, de 1,7 para 2,5 mi­lhões de TEU (unidade equivalen­te a um contentor de 20 pés).
 
Concluída a última fase das obras, que permitiu a acostagem de navios de pequeno porte e li­bertou a frente do cais de maior di­mensão, de 940 metros (que rece­be os grandes porta-contentores), não há, para já, planos de novos investimentos. Mas, no futuro, o objetivo da PSA - que é, aliás, vis­to como "desejável" por parte dos responsáveis do Porto de Sines -passa por alargar o cais que recebe os porta-contentores para os 1150 metros. Estas obras corresponde­riam a um investimento de cerca de cem milhões de euros.
 
Contudo, a PSA impõe como contrapartida o prolongamento da concessão por mais anos (a atual termina em 2029), para recuperar o investimento, pelo que terá de ter a aprovação do governo. O in­vestimento de 40 milhões, no ano passado, avançou porque a PSA não exigiu mais anos de concessão.
 
A concretizar-se, o novo investi­mento viria em boa hora. É que, com o alargamento do canal do Pa­namá, João Franco, presidente da Administração do Porto de Sines (APS), antecipa que o porto vai receber mais 200 navios por ano. O alargamento, que faz que agora possam passar no canal navios com quase o triplo do tamanho do que antes de terem sido feitas as obras, vai trazer "maior competiti­vidade" ao comércio, cortando no "custo unitário de transporte", sa­lienta João Franco. O canal do Pa­namá tem agora capacidade para fazer transitar a quase totalidade (97% a 98%) dos porta-contento­res existentes no mundo.
 
As mudanças deverão começar a sentir-se já neste ano, mas será a partir de 2017 que haverá maior impacto, até porque "os armado­res vão ter de ajustar as^suas rotas e os movimentos de mercadorias".
 
24 milhões de toneladas
 
No final do primeiro semestre des­te ano, o Porto de Sines tinha mo­vimentado 24 milhões de tonela­das, um aumento de 10,5% em re­lação ao primeiro semestre do ano passado. O porto, que representa mais de 53% do total de movi­mentação de cargas nos portos na­cionais, foi o único do país a regis­tar um crescimento neste período, que ficou marcado pelas greves dos estivadores do Porto de Lisboa. Eventos que, de resto, não tiveram qualquer impacto em Sines. "Não sentimos qualquer efeito adicio­nal de movimentação de mercado­rias por efeito da greve de Lisboa e não noto que haja um impacto a nível nacional", diz João Franco.
 
Para este ano, o presidente a APS antecipa novo crescimento da mo­vimentação de mercadorias. As projeções conservadoras apontam para um aumento no mínimo de 4%, para um total de 45,5 milhões de toneladas em mercadorias mo­vimentadas.

"Não se perspetivam dias de chuva, não há razões nenhumas para pensar que não continuare­mos a crescer, pelo contrário. E isto é globalmente, não me refiro só aos contentores. Também nos outros segmentos temos tido um crescimento interessante. O que interessa é que há uma tendência de crescimento continuada", aponta João Franco.
 
No ano passado, o Porto de Sines movimentou quase 44 milhões de toneladas, um aumento de 17% face a 2014. O volume de negócios ascendeu a 44,6 milhões de euros, mais 9,2% do que no ano anterior, e os lucros totalizaram 17 milhões de euros, disparando 27,5% face aos valores de 2014. Para este ano, a APS prevê lucros de 17,9 milhões.

Fonte: Portugal Global



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