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NEGÓCIOS E ECONOMIA

09/08/2016

Até nos azeites somos campeões

No mais importante concurso mundial de azeites, Portugal triunfou sobre os espanhóis e deu uma tareia aos italianos. Finanças à parte, somos os maiores.

Até as novidades em matéria de azeites já atrapalham a vida de um jornalista. Estava eu entretido a dissertar sobre a urgência de se criar uma Denominação de Origem Portuguesa para os azeites do Douro quando cai na caixa do correio informação sobre os resultados do concurso Mario Solinas, onde se destacavam uma ou outra marca nacional. Fiquei sossegado porque, tendo em conta a tendência recente da competição (a mais importante a nível mundial), o rol de medalhas haveria de ser distribuído pelos olivicultores de Espanha. E lá continuei a escrever sobre os azeites do Douro que cheiram a coisas inebriantes e misteriosas: rosmaninho, hortelã, manjericão, cedro, canela, cacau e por aí fora.

Mas, para aliviar a consciência, fui ao site do Mário Solinas esmiuçar as coisas. Contas para aqui, contas para acolá e uau!!! Em 15 medalhas possíveis, Portugal arrecadou seis; Espanha cinco, Itália duas (bem feita!) e Chile outras tantas (cenário que um dia pode ser preocupante para a presença portuguesa no Brasil).

Ora, indo ao que interessa, os azeites portugueses premiados foram: Carm (medalha de ouro na categoria de frutado ligeiro), Cooperativa de Moura e Barrancos (medalha de ouro na categoria frutado maduro) e 7 Lendas de Portugal (medalha de prata em frutado ligeiro). Como finalistas, tivemos ainda a Casa Santo Amaro (frutado ligeiro) e, em frutado maduro, outro Carm (o Grande Escolha) e um azeite também da família de Celso Madeira, o Quinta do Bispado.

Sucedia que tinha à mão três dos azeites premiados: O 7 Lendas de Portugal, o Carm Premium e o Casa Santo Amaro Premium.

Dos dois últimos conheço-lhes bem as histórias. Do primeiro, nada. Ainda assim, parece-me acertado a sua inserção na categoria frutado, embora, no meu juízo, detecte notas de maçã madura, banana madura e alguns frutos secos. Na boca, é doce, bastante doce, com algum amargo e pouco picante. 

Quanto ao Carm Premium, pois que se dirá do azeite português mais premiado ao longo dos últimos anos e que serviu de farol a muitos produtores nacionais? Que se apresenta com notas de verde folha de oliveira, casca de amêndoa verde e alguma noz verde. Na boca tem um ataque doce, que nos encaminha de novo para os frutos secos verdes. Revela mais picante do que amargo. Todo ele é harmonioso. 

Sobre o Casa de Santo Amaro Premium, basta dizer que é feito por um dos maiores especialistas na matéria (Francisco Pavão), pelo que aqui sentimos notas de um frutado verde ligeiro a caminhar para o verde folha de oliveira, frutos secos verdes, com perfume de folhas de eucalipto ou menta que lhe dão graça. Na boca, a seguir ao doce vem o amargo, os frutos secos e o picante, que se revela devagar e fica. Tudo bem integrado. 

Portanto, três excelentes azeites que devemos conhecer, provar, consumir ou oferecer aos amigos, dizendo-lhes que foram eleitos entre centenas de outros azeites de todo o mundo. 

À atenção do sr. Presidente 

Já agora, sr. Presidente Marcelo, os olivicultores dispensam medalhas, não se preocupe com isso, mas agradeciam que V. Exa. colocasse os azeites portugueses na agenda por via das visitas que faz no país e no estrangeiro. Isso é que era. E, já agora, disseram-nos há dias que V. Exa. foi brindado num restaurante da capital com uma garrafa de um dos três azeites aqui mencionados. Peça lá ao cozinheiro do palácio que asse uma peça de carne (borrego ou cabrito), para que a mesma seja perfumada com um fio desse tal azeite depois de retirada do forno. Não é antes, é só no fim do assado. Vai sentir que, em matéria de azeites, e quando as provas são avaliadas às cegas, também somos tão bons como os outros. A imagem da nação é que nem sempre ajuda, mas isso é outra conversa.

Fonte: Portugal Global



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