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NEGÓCIOS E ECONOMIA

03/11/2016

Marcelo Rebelo de Sousa otimista com o futuro da CPLP

Presidente português considera que a nomeação de António Guterres para secretário-geral da ONU dará à comunidade lusófona uma nova projeção internacional.

No Palácio Itamaraty, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, fez uma análise positiva da XI Conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, não só pela assinatura da Declaração de Brasília, mas também pela presença de um português na Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas: "Eu penso que foi um grande sucesso para a CPLP e para o Brasil. É uma viragem histórica, no fim de 20 anos, uma nova estratégia para a comunidade ficar mais próxima do cidadão, da mulher, da juventude. Não [considerar] apenas a língua, a política, mas a economia e a sociedade, a mobilidade das pessoas".

O presidente acrescentou outro fato considerado histórico: "É a projeção da CPLP no mundo com o novo secretário-geral da ONU, pela primeira vez um cidadão da comunidade. Essa viragem histórica é a grande mensagem, o grande espírito desta conferência no Brasil".

Ao ser perguntado como serão as ações da CPLP depois da reunião de cúpula, Rebelo de Sousa disse que pensa na ideia de parcerias econômicas no futuro próximo, o que inclui a colaboração na indústria aeronaútica, as telecomunicações, o intercâmbio no domínio da cultura e a equivalência de títulos acadêmicos para permitir uma circulação quer no espaço europeu, quer no espaço sul-americano.

Medidas técnicas serão estudadas para colocar em prática a mobilidade entre os países da comunidade, reforçou o primeiro-ministro português, António Costa: "Vamos enviar ao secretariado executivo um pedido de medidas técnicas, jurídicas, tendo em vista pôr em prática a liberdade de residência, o reconhecimento de títulos acadêmicos e a portabilidade de direitos sociais. São três garantias fundamentais necessárias para assegurar essa liberdade de circulação".

Com uma frase do escritor moçambicano Mia Couto, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, saudou as autoridades na sessão de encerramento da cimeira. "O mar de ontem foi o que o idioma pode ser hoje." O ministro afirmou que, no mundo marcado por diferenças e conflitos, o trabalho em conjunto dos países lusófonos - cuja população total é de 277 milhões de pessoas - tem grande significado: "É um instrumento de valorização da história, da cultura e da língua em comum", disse. "Somos fortes defensores da paz, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável."

Serra comentou ainda sobre o crescimento da organização, já que, durante a conferência, foi aprovada a entrada de quatro novos observadores associados: Hungria, República Checa, Eslováquia e Uruguai. Sobre o papel do Brasil à frente da CPLP, disse que a agenda de trabalho será orientada por esforços para promover o crescimento econômico e diminuir a pobreza e o analfabetismo.

O presidente do Brasil, Michel Temer, garantiu total apoio à nova secretária-executiva, Maria do Carmo Silveira, que assumiu o posto com disposição: "Serei fiel à visão hoje adotada e asseguro que colocarei, sem reservas, a serviço desta organização todo o meu saber", garantiu. "A CPLP é uma comunidade rica em recursos humanos e estratégicos e está em permanente construção." Maria do Carmo resumiu a trajetória dos 20 anos da instituição: "Desde a fundação, passamos por muitas turbulências. A CPLP sobreviveu à crise da adolescência e agora atingiu a maioridade; estou pronta e decidida e seguirei uma postura de muito trabalho".

Temer ainda proferiu uma declaração de apreço e fez um voto de louvor ao embaixador moçambicano Murade Murargy, que ocupou o posto executivo anteriormente. "Quis o destino que eu terminasse o meu mandato no dia 1º de novembro, Dia de Todos os Santos e dia do homem, como eu o considero também", disse Murargy, que também adotou o discurso da mobilidade e da aproximação entre os cidadãos dos países da CPLP. "Temos de libertar os estudantes e os pesquisadores para desenvolverem seus trabalhos; os empresários, que são os criadores de emprego; os jornalistas, os atletas, os artistas." Em seguida, citou uma frase do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer: "A vida é um sopro", e acrescentou: "Devemos aproveitar este momento para projetar a CPLP, que tem tudo para crescer. É preciso vestir a camisola da CPLP".

No discurso de encerramento, o presidente brasileiro falou sobre a missão de estar à frente da instituição: "Estamos honradíssimos, é uma extrema honraria presidir a CPLP nos próximos dois anos, vamos colocar em prática tudo o que foi discutido aqui, não vamos ficar apenas nas palavras". Depois de anunciar que Cabo Verde vai sediar a próxima conferência da organização, em 2018, Temer agradeceu a participação dos presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa; de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca; da Guiné Equatorial, Teodoro Mbasogo; do Timor-Leste, Taur Matan Ruak; e de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa; dos primeiros-ministros de Portugal, Antonio Costa; e de Guiné-Bissau, Baciro Djá; do vice-presidente de Angola; Manuel Domingos Vicente; do ministro de Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Baloi; da secretária-executiva Maria do Carmo Silveira; do embaixador moçambicano e dos ministros brasileiros das Relações Exteriores, José Serra, e da Cultura, Marcelo Calero.

Fonte: Portugal Digital



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