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NEGÓCIOS E ECONOMIA

23/11/2016

Portugal à conquista de novos mercados

O IDE é um dos principais instrumentos das empresas de um país para acederem, de forma rápida e facilitada, a novo conhecimento e novas tecnologias, e para penetrarem em novos mercados.

De acordo com o Programa do Governo, a estratégia de desenvolvimento económico em curso assenta na recuperação do rendimento disponível das famílias (delapidado no “período troika”), na qualificação e no emprego, no combate às desigualdades, na inovação, na diversificação das exportações e na internacionalização das empresas. Apesar do Orçamento do Estado ter sido aprovado apenas em Abril, os efeitos da implementação das suas medidas fazem-se já sentir, em concreto na dinamização do mercado de trabalho (aumento da população ativa, criação de 100 mil postos de trabalho líquidos e diminuição da taxa de desemprego), nas exportações (que deverão atingir novo recorde em 2016) e no crescimento do PIB (o mais elevado da União Europeia no 3º trimestre de 2016).

No sentido de prosseguir esta estratégia de desenvolvimento, foi anunciado recentemente um novo mecanismo de apoio à internacionalização das empresas portuguesas: Programa Internacionalizar. Este programa incluirá um fundo de investimento constituído por centenas de milhões de euros, provenientes de investidores internacionais ou mesmo de fundos soberanos. Este fundo ajudará as empresas portuguesas a entrarem em novos mercados ou a consolidarem a sua posição em mercados onde estejam já presentes, ou seja, a alavancar o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) de Portugal noutros países. Mas também terá outro efeito, o de possibilitar o acesso das empresas portuguesas a novas inovações ou a tecnologia de ponta.

Sendo Portugal tradicionalmente um país recetor de IDE, esta estratégia de Portugal em investir no exterior assume uma relevância importante. De facto, e de acordo com a literatura académica, em especial a abordagem da Inovação Aberta, o IDE é um dos principais instrumentos das empresas de um país para acederem, de forma rápida e facilitada, a novo conhecimento e novas tecnologias (ou seja, a novos recursos), e para penetrarem em novos mercados (além de acederem a mercados com menores custos de produção).

Países como os EUA, Alemanha ou Japão adotaram esta estratégia há várias décadas, com investimentos significativos à escala global. Nas décadas mais recentes, a China é dos países que mais investe fora das suas fronteiras, em especial em áreas geográficas tecnologicamente avançadas, como os EUA ou a Europa. O ano de 2016 será mesmo de recorde para o investimento chinês nos EUA (cerca de 30 biliões de dólares, o dobro do registado em 2015), em setores como o automóvel, farmacêuticas, serviços financeiros, turismo ou indústria transformadora.

Em Portugal, o IDE recebido (incluindo o de empresas controladas por governos de outros países…) inclui cada vez mais aquisições de empresas nacionais tecnologicamente avançadas, inovadoras e que atuam em setores estratégicos, caso da energia (como a China Three Gorges na EDP ou a State Grid na REN) ou das comunicações (como a Altice na Portugal Telecom).

Contudo, Portugal é ainda um país moderadamente inovador, longe da fronteira tecnológica na maior parte das áreas de atividade. É neste sentido que a criação pelo Governo português de um fundo para apoiar as empresas nacionais no seu processo de internacionalização pode ser relevante para alargar a sua capacitação tecnológica e potencial de inovação, bem como para o seu posicionamento futuro em mercados estratégicos.

Fonte: Portugal Global



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