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NEGÓCIOS E ECONOMIA

29/11/2016

Produção e exportação de azeite crescem. Consumo estabiliza

Em sete anos, Portugal passou de um saldo deficitário da balança comercial do azeite para positivo. Hoje, 6% do total das exportações mundiais são de origem portuguesa. Mas como noutros mercados, o consumo preocupa.

Entre 2007 e 2015, Portugal passou de uma produção de 32,3 mil toneladas de azeite para 109,05 mil toneladas.

No mesmo período, o azeite tornou-se um dos pouco sectores agro- -alimentares onde Portugal passou de uma balança comercial com saldo negativo de 56 milhões de euros em 2007 para 126,6 milhões de euros positivos em 2015. Um desempenho que inclui já um aumento das importações de azeite de 190,8 milhões de euros (em 2008) para 309,3 mil milhões de euros (em 2015).

A última campanha representou assim exportações de 436 milhões de euros, ou 129,6 mil toneladas de azeite, para a produção nacional - hoje, "6% do total das exportações [de azeite] são de Portugal", resumiu esta segunda-feira Ab- dellatif Ghedira. O director executivo do COI - Conselho Oleícola lnternacional foi um dos oradores do seminário sobre o sector em Portugal, promovido pela Casa do Azeite, no Instituto Superior de Agronomia.

A evolução da produção na última campanha recordou Luís Fol- que, presidente da Casa do Azeite e administrador da Sovena "já não se verificava desde os anos 50" no país. E representa "a terce ira maior produção de azeite dos últimos 100 anos", relembra aquele organismo, que só esperava a fasquia dos 110 mil toneladas de azeite "em 2020".

Teve então a associação do azeite de Portugal de rever, em alta, as previsões para a última campanha desta década: "Poderá rondar, em termos médios, as 120 mil toneladas de azeite."

Produção irregular, consumo estável

Mas no mercado doméstico o país tem tido "uma estabilidade do consumo", nos 7,4 kg per capita desde a campanha 2012/2013, segundo a Casa do Azeite. Uma tendência generalizada nos países de origem, que é significativa tendo em conta que "83% do azeite produzido é consumido pelos países produtores". Razão pela qua Lavançou Abdellatii Ghedira, o COI irá analisar o pedido feito por Luís Folque, agora como presidente do comité consultivo do organismo internacional, para estudar porque está a procura a estagnar ou mesmo a recuar em países como Portugal, Itália e Grécia.

Mas Abdellatif Ghedira deixou também um alerta: o "W" da variação da produção nunca teve "uma magnitude" como a que se verifica nos últimos quatro anos. "A produção é muito irregular" - e isto está "muito associado às alterações climáticas", afirmou, que provocam períodos extraordinários de seca e aceleram o aparecimento de pragas e doenças.

Este é um "fenómeno inquietante", defendeu, que cria "um nervosismo em termos de mercado" e provoca a "instabilidade de preços" no plano internacional.

Um "W" perfeito é o que tem acontecido ao desempenho da produção mundial de azeite (aqui comparada com a da UE) nos últimos quatro anos. Abdellatif Ghedira faz recuar este "fenómeno inquietante" até 2010, e alerta para a sua "magnitude", com variações entre 20% e 30% a cada campanha.

Capoulas Santos: "Longe de mim" reduzir apoios

O sector oleícola tem condições para crescer em Portugal, defendeu esta segunda-feira Luís Fol- que. Mas para isso, sublinhou o presidente da Casa do Azeite, "é crucial manter todo o apoio no Portugal 2020", e não alterar as regras de acesso ao Plano de Desenvolvimento Rural em curso e que irá apoiar os investimentos agrícolas até 2020.

Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura, também presente no seminário sobre o "Sector do azeite em Portugal" desta segunda-feira, não deixou de responder. "Longe de mim", assegurou, introduzir qualquer alteração ao programa em curso no que toca aos apoios ao sector oleícola.

O governante aproveitou para dar o último balanço do PDR, garantindo que foram já contratados projectos equivalentes a 800 milhões de euros, correspondentes a 455 milhões de euros de apoios.

Bruxelas devolve reservas

A Comissão Europeia vai "devolver" 435 milhões de euros de ajudas directas aos agricultores e produtores pecuários a partir de 1 de Dezembro de 2016, anunciou a entidade esta segunda-feira 28 de Novembro, em comunicado.

De acordo com a listagem publicada no Jornal Oficial da União Europeia com data de 26 de Novembro, Portugal terá acesso a 6.735.448 euros. Fica ao mesmo nível da Bélgica (6,4 milhões de euros), da Finlândia (6,06 milhões de euros), e da Áustria (7,08 milhões de euros). O valor em causa de 435 milhões de euros é "devolvido" aos agricultores, uma vez que é resultante de uma taxa que Bruxelas cativou sobre o montante de ajudas directas apagar entre Outubro de 2015 e Outubro de 2016 e que não usou.

Desde a última reforma da PAC,de 2013, recordou a CE, está prevista a criação de uma reserva de crise anual sobre os pagamentos directos atribuídos aos agricultores comunitários.

Fonte: Portugal Global



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