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NEGÓCIOS E ECONOMIA

20/12/2016

Onde investir? O regresso em força das matérias-primas

“Não há dúvidas de que a maior parte das matérias-primas já tocou no fundo e é provável que os preços continuem a subir”, sublinham os analistas.

Seis anos depois, as matérias-primas voltam a ser uma boa aposta para os investidores. O índice da Bloomberg que mede o sobe e desce dos materiais em bruto revela uma valorização global de 11,5% desde o início do ano, uma diferença significativa face à queda de 25% registada no final do ano passado.

Já o termómetro da S&P Goldman Sachs revela um aquecimento ainda maior do mercado das commodities: 25% desde janeiro, naquele que será, no final do ano, o melhor desempenho desde 2010.

Para o ano que aí vem, há boas notícias para os investidores, garantem os analistas. “Não há dúvidas de que a maior parte das matérias-primas já tocou no fundo e é provável que os preços continuem a subir”, sublinham os especialistas do Citigroup numa nota de análise.

A subida do preço do petróleo, que parece encaminhada depois de dois anos de estrangulamento, a estabilização da economia chinesa e os estímulos orçamentais prometidos por Donald Trump serão os fatores de desbloqueio, segundo os analistas, que anteveem um equilíbrio entre a procura e a oferta no final do próximo ano.

“Acreditamos que esta subida vai prolongar-se nos próximos anos”, aponta à Bloomberg Christopher Wyke da Schroder Commodity Strategy. “Muitas matérias-primas negoceiam há algum tempo abaixo do custo de produção, o que tem provocado cortes na produção e nos investimentos. Acreditamos que haverá um reequilíbrio gradual do mercado à medida que o aumento da procura global estabilize”, sublinha ao Market Watch bem Rosso da Cohen & Steers. No topo das apostas para 2017 estão os metais industriais, como o cobre, e os produtos agrícolas.

Minério de ferro

Após uma desvalorização de quase 50% em 2015, o minério de ferro protagonizou este ano uma recuperação impressionante no ranking das matérias-primas, ao quase duplicar de valor. No passado dia 7 de dezembro atingiu os 82,30 dólares por tonelada métrica, mais 92,7% face ao período homólogo. O aumento da procura por parte da China impulsionou a subida.

Cobre

Será uma das matérias-primas mais beneficiadas caso o plano de investimento em infraestruturas de Donald Trump vá em frente. Após uma queda acentuada em 2015, o preço do cobre subiu 20% em 12 meses para os 5,732 dólares por tonelada métrica. Além do esperado aumento da procura nos Estados Unidos, a matéria-prima também vai ganhar com a recuperação chinesa. Os analistas da Goldman Sachs antecipam que o valor do cobre atinja os 6,200 dólares por tonelada métrica em seis meses.

Zinco

Com uma valorização de 72% desde o início do ano, o zinco conquista um lugar no top das matérias-primas mais apetecidas pelos investidores. Também aqui é a força da China, maior produtor e consumidor mundial de zinco, que faz a diferença. Depois de um primeiro semestre marcado pelos receios dos investidores em torno da economia chinesa, a segunda metade de 2016 trouxe previsões mais otimistas sobre os gastos em infraestruturas. O ano foi ainda marcado por um défice de produção face à procura. Em 2017 os preços deverão continuar a subir, dizem os analistas, ainda que a um ritmo mais lento que o verificado este ano.

Petróleo e gás natural

É a matéria-prima que mais burburinho gera no mercado, e nos últimos dois anos esteve nas bocas do mundo. Em 2014, o barril de petróleo valia mais de 100 dólares. O aumento da produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos criou um superavit no mercado difícil de ultrapassar, face à intransigência dos principais produtores de ouro negro. No início deste ano a matéria-prima cotava na casa dos 30 dólares por barril. O acordo da OPEP para limitar os níveis de produção terá sido o último passo no caminho para o reequilíbrio do mercado, e para 2017 já se prevê que a procura supere a oferta, com a Índia e os países desenvolvidos no topo dos consumidores. O barril de Brent recuperou 45% desde o início do ano e o crude valorizou 38%, estando ambos a negociar acima dos 50 dólares por barril. Para o ano que vêm é expectável que atinjam os 60 dólares. O gás natural também é visto pelos analistas como um bom investimento para 2017, já que deve prolongar os ganhos alcançados este ano, que atingiram os 52%.

Ouro e prata

Quanto pior é o desempenho da economia mundial, mais apetecível se torna o investimento em ouro. O metal amarelo valorizou de forma significativa em meados do ano, por altura do Brexit. Mas desde as eleições nos Estados Unidos que tem vindo a cair diariamente, até ter atingido um mínimo de dez semanas no início de dezembro. O otimismo sobre a economia norte-americana e a subida dos juros por parte da Fed, que prevê mais três aumentos em 2017, tornam o ouro na grande exceção no quadro das matérias-primas. Apesar de um aumento de 7,9% este ano, o primeiro desde 2012, e depois de um recuo de 11% em 2015, os investidores recomendam cautela, porque os preços podem cair abaixo da fasquia dos mil dólares por onça, face aos atuais 1140 dólares. Já a prata verá dias mais animadores em 2017. O metal valorizou 22% desde janeiro, para os 16 dólares, a maior subida dos últimos seis anos, e as perspetivas são boas porque, como explicam os analistas, a prata é mais usada na indústria do que o ouro.

Produtos agrícolas

Açúcar e trigo são as apostas dos analistas. O cacau deve ficar fora da carteira de investimentos. O valor do açúcar subiu 18% este ano, para cerca de 23 cêntimos de dólar por libra peso. Depois de cinco anos de produção excessiva, a redução das plantações originou um aumento do preço. Já a matéria-prima do chocolate, depois de quatro anos consecutivos de ganhos, desvalorizou cerca de 28% este ano. O mercado enfrenta o maior excedente dos últimos seis anos. 

Fonte: http://www.portugalglobal.pt/PT/PortugalNews/Paginas/NewDetail.aspx?newId=%7bF35F28C9-5CF1-49BD-A833-45235D9E200D%7d



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