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NEGÓCIOS E ECONOMIA

02/01/2017

Empreendedorismo é a nova aposta das Universidades

Instituições seguem tendência das startups que este Governo quis acelerar, com cursos e ofertas especializadas.

Com a crise e o desenvolvimento das novas tecnologias, escolher criar um negócio próprio em vez de optar por um emprego tradicional é a opção seguida por um número cada vez maior de portugueses, especialmente nas camadas mais jovens. As universidades e institutos politécnicos não veem outra alternativa senão adaptar-se à tendência, que o próprio Governo tem mostrado vontade de acelerar. “Este novo paradigma foi criado fora do mundo académico. Mas as instituições tiveram que se adequar para conseguirmos estar na vanguarda da inovação”, assegurou ao DN/Dinheiro Vivo Daniel Traça, diretor da Nova SBE.

Mais do que que cursos inteiros dedicados ao Empreendedorismo, as universidades apostam sobretudo em prémios e iniciativas. Mas desengane-se quem pensa que esta área é exclusiva da Economia e Gestão. “Na Universidade Nova, há pelo menos oito anos que todas as unidades orgânicas têm uma cadeira de Empreendedorismo”, explica Daniel Traça. Acontece o mesmo na Universidade da Beira Inteiror (UBI). “A disciplina de Empreendedorismo foi introduzida no plano curricular do 1º ciclo em Ciências Biomédicas em 2010, no 6º ano de existência deste curso, contando com a colaboração de docentes do departamento de Gestão e Economia”, explica a responsável do curso, Carla Fonseca que acrescenta que “o objetivo é despertar nos alunos o espírito inovador e empreendedor, desafiá-los a sair da caixa, capacitando-os com as competências necessárias para transferirem o seu conhecimento da universidade para a sociedade”. A experiência tem dado frutos, com alguns antigos alunos de Ciências Biomédicas da UNI a terem projetos distinguidos fora da instituição. Emanuel Dinis e Miguel Casteleiro foram vencedores da 16ª edição do Concurso Nacional de Ideias da ANJE, em 2012, com a PTTecno, uma plataforma para facilitar a transferência de tecnologia dos centros de investigação para as empresas; e Vanessa Santos, Jane Dias, Ana Silveira e Catarina Almeida foram vencedoras do Angelini University Award em 2016 com o projeto Fraldas Analíticas: BabyKnow & KnowU.

Mas não chega. João Freire de Andrade, fundador presidente da associação sem fins lucrativos BET – Bring Entrepreneurs Together, acredita que ainda há muito caminho a ser percorrido. “Já estamos a ficar com a mentalidade certa e este Governo realmente tem conseguido criar buzz na sociedade à volta das startups. Mas os alunos começam a ter aulas de Empreendedorismo e depois? Quem é que os acompanha no desenvolvimento das ideias e dos projetos? Falta mentoria, falta ligar as pessoas, falta acesso ao investimento.” Falhas que o BET tenta colmatar com os seus programas de apoio a startups e empreendedores. Criada em 2011, a associação começou por ter um cunho marcadamente universitário e reconhece a importância do apoio que, na altura e desde então, têm recebido da Universidade Católica. “Foram para nós o que os governos devem ser para as economias. Deixaram-nos trabalhar e ajudaram a acelerar processos.” O BET orgulha-se ter ajudado a lançar projetos de renome como a Chic by Choice e a Uniplaces. “Uma vez enchemos um auditório só com startups. Tivemos uma afluência enorme. No intervalo veio um rapaz perguntar-me se podia apresentar uns slides sobre a empresa dele. Era o Miguel Santo Amaro e queria mostrar a Uniplaces”, recorda João Freire de Andrade.

Junto dos alunos, o Empreendedorismo tem tido uma resposta muito positiva. “São uma geração diferente. Têm muito mais apetência para a mudança e os seus ídolos são pessoas como Mark Zuckerberg, Elon Musk e Bill Gates. Antigamente ninguém idolatrava presidentes de empresas de computadores”, considera Daniel Traça. Mas é preciso mais do que ir para a Universidade aprender Empreendedorismo para ser o próximo Steve Jobs. “É preciso um ADN especial para criar um Facebook. Mas todos melhoram as suas competências se forem expostos a esta forma de fazer”, indica o diretor da Nova SBE.

Quem vê com bons olhos esta tendência são as empresas, que se juntam às instituições no apoio ao empreendedorismo. O Santander Totta é o patrocinador oficial do iUP25k, o concurso de ideias da Universidade do Porto. O “Ideias em Caixa”, da Universidade do Algarve, conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos. O programa AUDAX do ISCTE, em Lisboa, tem várias empresas como parceiras, tal como o Millennium BCP, o Grupo Lena e o Grupo SAG. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro tem um programa de empreendedorismo na região do Sabor patrocinado pela EDP. Também a Universidade Nova tem a Starters Academy com a NOS. Daniel Traça considera que “são as grandes empresas quem mais lucra com os cursos de empreendedorismo. Isto porque por cada ano letivo só dois ou três projetos universitários é que acabam por vingar. No entanto, estamos a criar competências nos alunos que são essenciais em qualquer ramo. Acabamos por transformar toda uma geração de talento”.

Com estas ofertas, Portugal segue assim uma tendência internacional. O site Best Masters, que avalia os programas a nível mundial, considerou o Mestrado em Empreendedorismo do Babason College, em Massachusetts, EUA, o melhor do mundo. No Top 10 estão três instituições norte-americanas, sendo todas as outras europeias. A melhor e a ESADE Business School em Madrid, em terceiro lugar da lista. Mas Portugal também está bem colocado. O mestrado da Nova, “Innovation and Entrepreneurship”, aparece num honroso 12º lugar. “Temos uma oferta interessante e em constante desenvolvimento”, justifica Daniel Traça.

Mais aqui.

Fonte: http://www.portugalglobal.pt/PT/PortugalNews/Paginas/NewDetail.aspx?newId=%7b9E70B781-98C2-45AA-92D6-96326F5F2FFE%7d



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