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MUNDO

02/01/2017

Brasil e Portugal se unem para festejar centenário de Cleonice Berardinelli

‘No ano passado, interpretei uma cantiga de Dom Dinis, fundador da Universidade de Coimbra, num sarau realizado na instituição. Era em português arcaico, estudei muito e acho até que o resultado ficou bem bonito. Aí, liguei para Dona Cleo, pra contar e me exibir, e ela: ‘Por que você fez isso? Em 1953, passei a obra dele para o português moderno!’. Ou seja, não deu certo a minha tentativa de aparecer”, lembrou Adriana Calcanhotto, arrancando risos da plateia de “Um sarau para Dona Cleo”, que aconteceu anteontem, no Palácio São Clemente.

O evento celebrou os cem anos da professora de literatura Cleonice Berardinelli, uma especialista em Camões e Fernando Pessoa, que já formou gerações e mais gerações de intelectuais — vários de seus discípulos, aliás, viraram imortais da Academia Brasileira de Letras. Na mesma noite foi lançado o livro “Genuína Fazendeira — Os frutíferos 100 anos de Cleonice Berardinelli”.

O “genuína fazendeira” foi um apelido que Carlos Drummond de Andrade lhe deu ao enviar um poema-dedicatória, na primeira página de sua obra completa, enviada a ela em 1965. Na noite de terça-feira, Calcanhotto estava representando a Universidade de Coimbra, de Portugal, e musicou “Senhora dos olhos lindos”, de Mário de Sá-Carneiro, especialmente para o evento, ou como ela disse “para a minha menina Cleo”. Além da cantora, outros nove graduados leram trechos de textos de autores com os quais Dona Cleo trabalhou em suas aulas. Na abertura e no fim do sarau, o coral Coralito se apresentou, interpretando canções, como “Sabiá”, “Penas do Tiê”, “Primavera” e “Minha palhoça”. Dona Cleo (ou Divina Cleo, nas palavras de Zuenir Ventura) assistiu a homenagem inteira de sua cadeira de rodas, na primeira fila. Estava bem emocionada.

“Simplesmente adorei”, disse. “Foi muito bem planejado, por pessoas que gosto profundamente. Quase todos foram meus alunos em algum momento da vida. É uma cria bem requintada”. A noite em homenagem à mestra contou também com a presença do cônsul-geral de Portugal no Rio, Jaime Leitão, que estava acompanhado da mulher, a embaixatriz Maria Eduarda.

“A importância da Dona Cleo, para mim, vai além da literatura portuguesa. Ela é fundamental nas relações entre Brasil e Portugal. O Brasil já é muito conhecido por lá, graças às novelas da Globo. Mas Portugal precisa ser desbravado pelos brasileiros, e a ajuda dela, por meio da literatura, já é um ótimo caminho”.

Fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/post/brasil-e-portugal-se-unem-para-festejar-centenario-de-cleonice-berardinelli.html



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