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NEGÓCIOS E ECONOMIA

16/01/2017

Portugal vai fornecer navios de todo o Mundo

Para a criação deste cluster, existe o interesse de investidores da Holanda, França e dos Estados Unidos. Plano estratégico avança no primeiro semestre.

Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, tem uma estratégia para colocar Portugal na linha da frente do abastecimento da frota mundial de navios com GNL – Gás Natural Liquefeito. Esse projecto é, aliás, um dos veios condutores da “Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária”, apresentada pela governante numa cerimónia ocorrida a 19 de dezembro, na APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve, que contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa.

A ministra do Mar defende que Portugal tem todas as condições para se transformar no grande cluster mundial de abastecimento de GNL a navios, por se encontrar numa posição geoestratrégica invejável, no cruzamento de mares, oceanos e continentes.

“O mercado do GNL marítimo, ou seja, aplicado ao abastecimento de navios movidos por esta fonte energética, é um fenómeno emergente, a nível mundial. Ainda não existem cenários quantificados rigorosos sobre que dimensão poderá tomar.

Apesar disso, a informação disponível permite descortinar algumas tendências que apontam para uma atividade que poderá ser muito benéfica para a economia nacional em termos de valor material e ambiental”, explica Ana Paula Vitorino, em declarações exclusivas ao Jornal Económico.

Sem, precisar valores ou projeções quantificáveis, Ana Paula Vitorino revela que “nos últimos quatro meses tivemos conversações com diversas empresas dos Estados Unidos da América, França e Holanda”.

“Ainda estamos numa fase exploratória, mas a motivação dos investidores é forte”, assegura a ministra do Mar.

Segundo os dados fornecidos por Ana Paula Vitorino, do lado da oferta, as análises de diversas entidades internacionais, como a Agência Internacional de Energia, perspetivam que o GNL passe a dominar quase 50% do mercado mundial do comércio de gás natural a partir do início da próxima década.

“Do lado dos utilizadores, da procura, os sinais que temos neste momento é que o segmento dos navios de cruzeiros é o mais dinâmico na adopção desta nova tecnologia e que estas novas embarcações deverão começar a operar no mercado em 2020”, afirma.

Isto não impede que, para já, as aplicações do GNL nos navios de transporte de mercadorias se esteja a processar a um ritmo mais lento.

Mas o que interessa para Ana Paula Vitorino é “que Portugal tem de configurar a sua rede de abastecimento marítimo GNL em linha com estes sinais de mercado, de forma a retirar o máximo valor do seu potencial geoestratégico: ser uma área de serviço de GNL para o Atlântico e um hub competitivo re-exportador de GNL”.

E como se vai conseguir esse objectivo? “Iremos avançar no primeiro semestre de 2017 com um estudo para definir o plano estratégico das infraestruturas marítimo-portuárias de GNL, no qual estarão quantificados os benefícios para o crescimento da economia nacional e da criação de empregos”.

Ana Paula Vitorino destaca que o primeiro carregamento de GNL proveniente dos EUA par

a a Europa teve como destino o porto de Sines, a meados do ano passado. “Este é um sinal concreto do potencial de negócio da centralidade euro-atlântica de Portugal. Além disso, temos um potencial de mercado interno muito interessante se o GNL for utilizado nas ligações marítimas oceânicas entre Portugal Continental e as regiões autónomas dos Açores e da Madeira”, defende a ministra do Mar.

Ana Paula Vitorino considera que como “a utilização do GNL como energia-base da mobilidade marítima ainda é uma tecnologia experimental, Portugal tem condições muito atrativas para se posicionar como uma zona de testes e de inovação para as empresas desenvolverem um sistema de negócio eficiente e competitivo”.

Além de pretender transformar Portugal numa ‘área de serviço’ para abastecer com GNL os navios de todo o Mundo, Ana Paula Vitorino tem outros objetivos de referência na área do mar. Um deles é transformar o País num cluster de energias renováveis offshore.

Outro é colocar Portugal como um centro dedicado de produção de navios especializados para o bunkering (abastecimento) de GNL aos navios, tanto para atividades de suporte às operações de manutenção de energias renováveis e de petróleo offshore, como para investigação oceânica, por exemplo.

Existe um outro potencial cluster, no chamado segmento do green shipping, em que se pretende apostar na investigação para o aumento da eficiência energética dos navios e portos nacionais e para reforçar a capacidade onshore e offshore de abastecimento de GNL.

Ainda no domínio da I&D – Investigação & Desenvolvimento, a meta é criar um cluster deste tipo de serviços e de linha comercial de engenharia de estruturas offshore, assim como para a construção de navios autónomos e de robótica submarina.

Outro trunfo de Ana Paula Vitorino é a intenção de criar um cluster de portos digitais, tentando potenciar a capacidade instalada de digitalização e integração das funções de transportes e de logística. Neste domínio, está igualmente prevista a incubação de start-ups especializadas na digitalização dos serviços portuários e na criação de ferramentas de otimização da gestão portuária, por exemplo em relação a grandes quantidades de informação (big data), aplicadas à gestão preditiva dos fluxos de movimentação portuária.

O desenvolvimento de soluções industriais que aumentem a sustentabilidade ambiental do shipping, de que a empresa francesa Ecoslops, em Sines, especializada na recuperação de detritos petrolíferos dos navios, é um exemplo, é outra via de desenvolvimento desta fileira de negócios ligada ao mar. Ana Paula Vitorino pretende ainda desenvolver um outro cluster, referente à reparação naval de embarcações de náutica de recreio, para fomentar capacidades inovadoras neste tipo de negócio.

Todo este projecto inclui as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Está previsto que o transporte marítimo entre estes arquipélagos e o Continente passe a ser integralmente assegurado por navios abastecidos por GNL.

Pretende-se ainda que este plano de ação assegure um contributo para a descarbonização da eletricidade da Madeira e dos Açores. O uso do GNL como fonte energética de base para a mobilidade marítima entre o Continente e as Ilhas permitirá criar uma viabilidade económica para a substituição do fuel pelo gás natural na produção de eletricidade nos mercados da Madeira e dos Açores.

Todo o projeto concebido pelo Ministério do Mar prevê igualmente o abastecimento de GNL de navio para navio (ship to ship) para cruzeiros oceânicos, assim como para os navios similares que operam no rio Douro, como é o caso dos geridos pela empresa Douro Azul. Nesse sentido, está previsto criar uma ‘área de serviço’ no Alto Douro, para complementar a que está idealizada para o porto de Leixões. Para o porto de Lisboa, está projetada uma outra área de serviço de abastecimento navio a navio em offshore, enquanto para o porto de Sines está programada a construção do hub central, ou seja, da central de recepção e expedição de GNL, onshore e offshore.

Fonte: http://www.portugalglobal.pt/PT/PortugalNews/Paginas/NewDetail.aspx?newId=%7b6AF614F3-E43F-4B32-BC0C-34AEE1E138FB%7d



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