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02/02/2017

Qual é o melhor vinho para 'representar' Portugal?

E é fora deles que a "representação" nacional se pode encontrar. Nos vinhos de quinta (de produções mais pequenas) do Dão, claro, mas também do Douro. Talvez sejam, finalmente, estes vinhos os que melhor podem "representar" Portugal. Mas, de qualquer modo, tente ser o leitor a tirar as suas conclusões...

A pergunta (partindo da premissa de que um país de várias regiões vinícolas consegue ter um só "representante" vinícola) pode ter duas respostas: um vinho adaptado aos gostos dominantes do comércio, da moda e da imprensa da especialidade à escala internacional ou um vinho que possa respeitar as particularidades de uma dada região.

A primeira hipótese é a mais fácil e adequa-se aos grandes produtores que podem fazer chegar os seus produtos aos seus vários alvos e aos postos de venda. A segunda, sendo a mais difícil, não pode deixar de parecer a mais adequada a quem conhece (e respeita) a produção vinícola e sabe que existem muitos pequenos produtores com vinhos de grande qualidade e colheitas modestas cujo vinho tem de ser criteriosamente distribuído.

Vejamos um caso concreto que pode enquadrar-se no prirmeiro caso. Recentemente, a revista americana "Wine Spectator" divulgou a sua lista dos 100 melhores vinhos de 2016. O primeiro lugar cabe a um Cabernet Sauvignon, Lewis (2013), do famoso Vale de Napa (Califórnia, EUA). No 46.º lugar aparece um vinho português, Cabriz (2014), do Dão.

Cabriz é a marca mais conhecida da empresa Global Wines (Dão Sul), que comercializa também outros vinhos, do Dão e de outras regiões. A marca teve a designação de "Quinta de Cabriz" (como às vezes ainda lhe chamam), quando as uvas para os seus vinhos vinham das mesmas propriedades. Quando começaram a ser produto de lotes de várias origens, passaram só a "Cabriz". Esta particularidade é significativa porque estes vinhos deixaram, assim, de reproduzir as características de um território específico (um "terroir") para serem uma síntese de vários.

Sendo vinhos bondosos, os vinhos Cabriz adquirem uma outra característica: são vinhos "blended", que podem ser aperfeiçoados em função de um ou outro objectivo mas que se tornaram "apátridas". Aliás, é interessante verificar que na lista dos 100 da "Wine Spectator" figuram numerosos Cabernet Sauvignon, a casta tinta mais "fácil".

Portanto, a referência elogiosa da "Wine Spectator" não está a levar em linha de conta as particularidades em concreto e em contexto do vinho mas a sua adequação a padrões de gosto já formatados.

E é fora deles que a "representação" nacional se pode encontrar. Nos vinhos de quinta (de produções mais pequenas) do Dão, claro, mas também do Douro. Talvez sejam, finalmente, estes vinhos os que melhor podem "representar" Portugal. Mas, de qualquer modo, tente ser o leitor a tirar as suas conclusões...

* Pedro Garcia Rosado é um escritor e tradutor português. Pode acompanhá-lo aqui: pedrogarciarosado.blogspot.pt

Saiba mais:

Cabriz não é o único vinho da Global Wines, que a marcas de vinhos das regiões portuguesas do Douro, da Bairrada, do Alentejo e dos vinhos verdes adicionou o vinho Rio Sol, produzido no Vale do São Francisco, região nordeste do Brasil. Na sua sede, em Carregal do Sal (no distrito de Viseu), a Global Wines mantém um restaurante (Quinta de Cabriz) com uma cozinha de elevada qualidade e serviço muito bom, cuja carta de vinhos inclui as suas próprias produções com preços muito simpáticos, facilitando o contacto directo com as suas várias marcas. Mais pormenores em http://globalwines.pt/.

Fonte: http://portugaldigital.com.br/opiniao/ver/20108772-qual-e-o-melhor-vinho-para-qrepresentarq-portugal



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