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06/03/2017

Empiricus: Psicologia do perdedor da bolsa

Num extremo – nos períodos negros – é preciso capacidade analítica, objetividade e até alguma imaginação para pensar que as coisas podem melhorar.

.: Um dia normal na vida de um analista financeiro
.: Parque de diversões
.: Mestre Miyagi
.: Padrão-pêndulo
.: Risco e retorno

00:12 - Um dia normal na vida de um analista financeiro

 

O Francisco chega ao escritório às 7 da manhã e encontra o head of research sentado na sua cadeira. Pela cara, hoje foi chamado à administração.

– Francisco, tive uma reunião com o Managing Director e como vou ter de visitar alguns clientes esta semana, preciso que atualizes o nosso target para o S&P500 e prepares uma apresentação para depois de amanhã.

– Ok, mas qual é a ideia? Os valuations já estão um pouco esticados…

– E eu não sei disso? O problema é que com as últimas subidas os índices já estão no nosso target para o final de 2017. Agora, não podemos ficar para trás.

– E se dermos uma recomendação de venda?

– ‘Tás maluco? A equipa de vendas matava-me. Faz assim: arranja um racional qualquer para justificar a elevação das projeções e depois inclui umas quantas salvaguardas. Assim, se correr mal, podemos sempre dizer que advertimos os nossos clientes para os riscos.

– Combinado.

 

01:22 - Parque de diversões

 

Então tudo se transforma numa profecia autorrealizável.

Os índices sobem, o que obriga o analista a rever as estimativas em alta. E agora, os investidores voltam a comprar (empurrando ainda os índices mais para cima), porque os especialistas estão confiantes de que o rally tem pernas para andar.

Tudo num ciclo que se retroalimenta.

Caricato?

Bem-vindo ao parque de diversões.

02:01 - Mestre Miyagi

 

A importância de tudo isto é uma oportunidade que é oferecida a todos aqueles que se apercebem do que está a acontecer e vêm as suas implicações.

Num extremo – nos períodos negros – é preciso capacidade analítica, objetividade e até alguma imaginação para pensar que as coisas podem melhorar.

Para os poucos que possuem essas qualidades é possível fazer retornos acima da média com pouco risco.

Mas no outro extremo – onde estamos a entrar agora – quando toda a gente assume que os preços vão subir para sempre… Então o cenário é completamente o inverso: quanto menos analítico e mais pró-risco, maior é o retorno.

Por outro lado, uma vez que os investidores ignoram os sinais de alarme, quando a tendência inverte – o que acontece sempre – as perdas são irreparáveis.

03:09 - Padrão-pêndulo

 

Tudo funciona em uníssono. Nada disto opera como um evento isolado. Ao invés, todos os elementos atuam num padrão recorrente que pode ser entendido e, com isso, ganhar dinheiro.

Estas ocorrências – a passagem de um extremo para o outro – funcionam num padrão pendular. Mas, assim como as oscilações do ciclo, nós nunca saberemos:

– qual é o máximo que o mercado consegue alcançar;
– o que é que o fará parar e depois arremeter para trás;
– quando é que esta inversão irá acontecer;
– quanto é que será depois o tamanho da correção.

Na alta, a atmosfera é de ganância, otimismo, exuberância, confiança, crença, audácia, tolerância ao risco e agressividade…

Mas estes fatores não governam o mercado para sempre.

Eventualmente, são trocados pelo medo, pessimismo, prudência, incerteza, ceticismo, caução e intolerância ao risco…

Os colapsos acontecem pelos excessos cometidos nas fases de expansão e não necessariamente por causa de um evento específico.

04:10 - Risco e retorno

 

“Existem poucas coisas garantidas na vida, esta é uma delas: os comportamentos excessivos no mercado revertem. Aqueles que acreditam que o mercado irá continuar na mesma direção para sempre – ou que vai manter-se num extremo para sempre – eventualmente vão perder somas elevadas de dinheiro. Aqueles que compreendem que existe sempre um ponto de inflexão podem beneficiar enormemente.” Howard Marks.

Não quero com isto dizer que deve shortar mercado…

O economista britânico John Maynard Keynes escreveu que o mercado pode permanecer irracional por mais tempo do que você pode manter-se solvente.

Ou seja, não adianta rigorosamente nada estar certo se o mercado inteiro estiver errado – sobretudo se esse “erro” levar anos para ser corrigido.

Não deve é, com certeza, entrar de cabeça sem ter noção do risco.

Na série Carta Empiricus explicamos como deve construir a sua carteira, sem se expor em demasia a riscos ingovernáveis.

Fonte: https://www.empiricus.pt/mercado-em-5/psicologia-perdedor-da-bolsa/



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