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15/03/2017

TAP a dar o exemplo

Num tempo marcado pela deriva isolacionista e pelo proteccionismo, soubemos que a TAP, no âmbito da modernização que se encontra a desenvolver no interior dos seus aviões, tem optado pelo Made in Portugal.

E faz muito bem, contribuindo para que uma parte significativa dos 70 milhões de investimento, valor anunciado para actualização das aeronaves, fique em Portugal. Muitos são os exemplos de empresas portuguesas que já estão na vanguarda do que de melhor se faz por esse mundo fora, não precisam de um muro que as proteja do mundo exterior, precisam antes de oportunidades de mostrar o seu valor no mercado livre global, sem preconceitos ou preferências nacionais enviesadas.

Os casos citados, passe a publicidade são o da Almadesign e da Couro Azul, com a escolha de materiais e desenvolvimento de acabamentos a cargo da Almadesign, e a pele, presente em alguns pormenores, da cadeira de Executiva fornecida pela Couro Azul.

Conheço bem estes dois exemplos e o excelente trabalho que desenvolvem. O grau de profissionalismo que caracteriza a gestão e a actuação de quem lá trabalha, bem como a busca incessante pela inovação. O nosso tecido empresarial tem casos de excelência mundial. Num tempo marcado pelas constantes críticas ao fraco crescimento da nossa economia, não podemos negar que os resultados que, apesar de tudo, vamos alcançando se devem e muito às nossas empresas, sobretudo as PMEs, que constituem a maioria do nosso tecido empresarial.

A Almadesign, por exemplo, demonstra o que é o trabalho de formiga em matéria de inovação. Foi pioneira em Portugal ao certificar o seu sistema de Gestão da Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI) em design industrial, nas áreas de transporte e produto, de acordo com a norma portuguesa, NP4457. Paralelamente, participa activamente em diversas redes de cooperação, tendo estado na fundação e dinamização de associações sectoriais como a PEMAs - Pequenas e Médias Empresas para a Industria Aeronáutica, e a PRIA - Portuguese Railway Industry Association. Busca contactos, promove o networking. E tem uma forte componente de investigação, estando desperta para a necessidade de participação em projectos de investigação e desenvolvimento tecnológicos que são fulcrais para o lançamento de novos projectos e para a abordagem de novos mercados. De acordo com a informação disponível, cerca de 60% das actividades desenvolvidas nesta empresa, são actividades de IDI. Isto é preparar os alicerces do futuro de forma estruturada. Isto é um bom exemplo de uma boa empresa nacional.

É, também por isso, que este exemplo da TAP merece destaque. A aposta em fornecedores nacionais, caso se encontre resposta capacitada e competitiva, é sempre bem-vinda. As grandes empresas nacionais têm nas PMEs parceiros naturais. E este espírito de ligação entre os grandes e os pequenos deve guiar o ambiente económico em Portugal, como se criarão os clusters de empresas e se desenvolverão sinergias senão por esta via?

É claro que vivendo numa pequena economia aberta podemos sempre encontrar preços irrisórios, mas, antes de fazer zapping, ou talvez antes de se optar por importar o chamado dumping social, por esse mundo fora, é importante que as empresas portuguesas olhem para o vizinho do lado como parceiro e não como inimigo ou alvo a abater, dando asas à tradicional maleita nacional da inveja. Que olhem para o que de muito bom já se faz. O sucesso alheio quando vem de trabalho árduo, com o cumprimento das leis e das boas práticas de mercado só nos pode alegrar e desafiar no sentido de replicar, adaptando ao nosso caso específico, o que de bom vemos fazer. Tantas vezes falamos nos exemplos internacionais de sucesso e ignoramos a excelência e a qualidade daquilo que os nossos compatriotas fazem todos os dias, mesmo debaixo do nosso nariz.

Temos de deixar o espírito paroquial, pequenino e mesquinho para trás, de outra forma nem parecemos o país que, contra tudo e todos, guiados pelo sonho do Infante e pelo pensamento estratégico do Príncipe Perfeito, enfrentando ventos e marés, deu o caminho marítimo para a Índia ao mundo e deu início ao processo de globalização, que a partir de aqui não mais parou. Já diz a sabedoria popular “Nunca o invejoso medrou, nem quem ao pé dele morou”.

São muitos os casos de empresas exportadoras, que conseguem captar os grandes clientes lá fora e, por vezes, não conseguem negociar sequer com empresas nacionais. As redes antes de serem internacionais ou transnacionais são nacionais, será, no mínimo, insensato que, num país de pequena dimensão e com recursos escassos como o nosso, não se partilhem recursos e experiências criando sinergias, nomeadamente em mercados novos ou de fronteira onde a penetração e prospecção de mercado é sempre mais difícil, sobretudo para quem entra primeiro. Assim seria salutar a partilha de recursos e experiências, para ultrapassar as barreiras com uma primeira abordagem mais forte ao mercado, porque feita em conjunto.

Longe de mim querer fomentar o isolacionismo, não é de todo aquilo em que acredito, nem aquilo que procuro praticar. “Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo”. Todavia a campanha made in Portugal é, também, um bom contributo para o objectivo número 1: crescer mais e, antes de sairmos para o mundo, temos de começar por mostrar o que valemos dentro de casa.

Fonte: http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_economia/blogue_econ_diogo_agostinho/2017-03-13-TAP-a-dar-o-exemplo



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