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21/03/2017

Empiricus: O grande buraco do setor financeiro

Todos os dias temos novidades frescas no Velho Continente.

Por ora, os desenvolvimentos políticos assustam os mais incautos, mas o grande problema da região ainda está fora do radar da maioria dos portugueses.

Um relatório da Reuters avisa que o setor financeiro europeu poderá sofrer perdas catastróficas se o BCE diminuir os seus programas de estímulos, algo que já começou a fazer (mesmo que de forma gradual).

O total de crédito malparado (non-performing loans) na União Europeia estima-se acima de €1 trilião de euros (na forma americana).

Ou seja, qualquer coisa como 5,4% do total de crédito concedido pelas instituições financeiras europeias...

Se olharmos caso-a-caso, a situação é ainda mais dramática:

Irlanda: 15,8%
Itália 16,6%
PORTUGAL 19,2%
Grécia 46,6%

Manifestamente, este panorama irá provocar mais derrocadas no sistema financeiro português. Já viu se o seu banco está em risco?

01:23 – Sim, leu bem...

Na Grécia, cerca de metade dos empréstimos consentidos pelas instituições de crédito são tóxicos.

Em Portugal, o cenário é igualmente calamitoso – com cerca de 1/5 do crédito podre estacionado nos balanços dos bancos.

Em terras italianas, o panorama é dantesco, com cerca de 350 mil milhões de euros – um terço do total europeu – ainda à espera de uma solução.

Vale a pena lembrar que o Governo italiano e o setor financeiro gastaram um ano e meio para encontrar uma solução para o problema. O melhor que conseguiram foi a criação de dois bad banks: Atlante I e Atlante II.

Porém, são tão pequenos para tapar o buraco que fazem lembrar aquela cena do Indiana Jones em que um dos bad guys leva uma espada para um tiroteio.

02:12 – Top notch

Basicamente, estes pequenos fundos são destruidores de valor à medida que os ativos tóxicos que retiram dos balanços dos bancos - invariavelmente a preços acima do mercado - continuam a deteriorar-se.

Logo, os seus donos estão somente a sangrar dinheiro.

O que naturalmente vai desencorajar o setor privado de enfiar mais dinheiro nestes veículos para salvar o setor financeiro.

Pois bem, se os institucionais já estão a ver o filme...

A fava calha sempre aos mesmos: os contribuintes europeus.

Em fevereiro, o nosso conterrâneo Vítor Constâncio, vice do BCE, apelou para a criação de uma nova classe de bad banks em todos os países em dificuldades. Em sintonia, o presidente do European Bank Authority propôs a criação de um bad bank europeu que limparia toda a sujidade ao nível da união monetária...

03:12 – Como funciona?

Assim, os bancos venderiam os seus créditos malparados ao bad bank a um preço que refletiria o “real valor económico” dos ativos (seja lá o que isso signifique).

Que, por um lado, deve ser abaixo do valor contabilístico – provocando mais uma maré de imparidades...

Por outro, seria acima do valor de mercado (por que será?).

Depois de empacotados, esta agência europeia tentaria vender esses ativos tóxicos a investidores especializados em lixo.

Se houvesse uma perda, então os estados-membros seriam responsáveis pela diferença entre o preço de entrada e o preço de saída. O que, em bom português, significa que o erário público pagaria a fatura.

Se for dada luz verde a este esquema, então pavimentaria o caminho para o maior bail-out (salvação) da história da banca europeia.

Depois de limpos, esses pequenos bancos seriam entregues numa bandeja de prata para serem engolidos pelos maiores...

O que em última análise, criaria um sistema financeiro ainda mais concentrado e consolidado, propenso a exageros, perversão e abusos.

Para se esquivar de um problema, cria-se outro ainda maior.

04:01 – Sem peso na consciência

Nem só de más notícias vive o Homem e, lá fora, os mercados seguem despreocupadamente em direção ao infinito.

Como comentámos aqui no M5M, o cenário de uma vitória ao centro em França pode levar os mercados europeus a um rally de alívio...

Isto depois de Macron ter batido Le Pen no último debate.

Como resultado o euro/dólar tocou brevemente nos 1,08...

Menos risco político aliado aos comentários dovish da Fed – que mantiveram o seu outlook de apenas duas subidas do juro básico este ano, em vez das três estimadas pelo mercado – são o cocktail que a moeda única precisa para subir...

Fonte: Empiricus



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