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NEGÓCIOS E ECONOMIA

10/04/2017

Ministro português defende maior intercâmbio comercial com o Brasil

O nível de relacionamento econômico entre Brasil e Portugal ainda é muito baixo e os dois países precisam tirar proveito das negociações de acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia para elevar as suas relações.

A afirmação é do ministro dos negócios estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, que esteve em São Paulo na semana passada.

Para ele, outros processos que estão em andamento, como a simplificação da concessão de cidadania a netos de portugueses e uma proposta de regime de mobilidade livre, também têm potencial para aproximar os negócios.

Mas o discurso recorrente "do amor entre os dois países" é insuficiente para gerar resultados práticos, segundo Santos Silva.

"O Brasil para Portugal é o 10º fornecedor de bens e o 13º cliente. E Portugal para o Brasil é o 42º cliente e o 37º fornecedor. São parceiros comerciais modestos", diz.

Na opinião do ministro português, o Brasil ainda está muito voltado a seu mercado interno. Segundo ele, o país tem uma lógica protecionista e pouco aberta ao comércio internacional.

"Por exemplo, nós exportamos vinhos para cá. Vocês não aceitam os nossos rótulos. Tem que se mudar o rótulo da garrafa. Não acreditam na nossa certificação sanitária. Demora muito tempo para desalfandegar o produto. Cobram taxas muito altas", afirma.

"Para o nível de proximidade política que existe há décadas entre Portugal e Brasil, pelo fato de termos a mesma língua, a relação econômica é fraca. Não digo que devam ser principais parceiros econômicos, mas que o Brasil esteja na relação comercial com Portugal atrás da Bélgica é um pouco mais difícil de compreender."

A divulgação da Operação Carne Fraca da Polícia Federal não abalou as relações, segundo o ministro. A notícia foi recebida pelo governo português "sem nenhuma preocupação nem pânico".

A autoridade de segurança alimentar de Portugal declarou que não havia nenhuma evidência de que a carne bovina brasileira importada por Portugal apresentasse problemas que pudessem colocar em perigo a segurança alimentar.

CIDADANIA
Santos Silva veio ao Brasil para inaugurar o Espaço do Cidadão, um novo balcão de atendimento a cidadãos portugueses que vivem no país.

O serviço auxilia essas pessoas em atividades como a obtenção de registro de propriedade intelectual ou documentos como a habilitação.

Segundo dados do consulado, o interesse de brasileiros e portugueses em se mudarem de um país para o outro está em alta.

Em 2016, o serviço português que concede nacionalidade portuguesa a brasileiros concedeu mil nacionalidades a mais que as oferecidas no ano anterior.

Atualmente, existem 240 mil portugueses inscritos nos serviços consulares vivendo no Brasil.

No final do ano passado, durante reunião da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), em Brasília, o governo português defendeu liberdade de circulação e residência para os cidadãos dos Estados-membros.

"É uma maneira de resolver os bloqueios que existem existem em nossa circulação. Para estudar no ensino superior em Portugal, o jovem brasileiro ainda precisa requerer um visto de estudo. Para trabalhar aqui, o engenheiro português tem que pedir reconhecimento da licenciatura. E isso pode levar anos."

Fonte: Folha de S. Paulo



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