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MUNDO

12/05/2017

Como usar a nota do Enem para estudar em Portugal

Se você é daqueles que já pensou em estudar em outro país mas não sabe exatamente como começar a transformar isso em realidade, aqui vai uma informação que pode te ajudar: sabia que você pode usar a nota do Enem para estudar em Portugal?

A única restrição que existe é com o curso de Medicina. De acordo com a legislação portuguesa, os estrangeiros só podem entrar para esse curso fazendo o vestibular tradicional aplicado em solo português. Para todos os outros cursos, você pode fazer o Enem, tentar garantir uma boa nota e inscrever-se na seleção da universidade. Fique atento, porque cada universidade possui um processo de seleção próprio e exigências de notas diferentes.

Como tudo começou?
Em 2014, o Ministério da Educação português permitiu que as instituições de Ensino Superior definissem como seria o ingresso de estudantes internacionais. Essa mudança abriu as portas para um convênio entre o Inep, órgão que administra o Enem no Brasil, e as universidades portuguesas.

A pioneira nessa história foi a Universidade de Coimbra, considerada uma das mais antigas do mundo.

Como funciona?
Hoje, são mais de 20 instituições de ensino portuguesas conveniadas ao Inep que utilizam a nota do Enem. Apesar de públicas, os estudantes precisam pagar pelo estudo. As propinas, como são conhecidas as taxas pagas pelos estudantes, variam conforme o curso e a universidade. Bem diferente do significado que temos para essa palavra na Língua Portuguesa, não é?

Basicamente, é necessário fazer o Enem, verificar se as suas notas nas áreas de conhecimento atendem aos requisitos da universidade e ficar atento ao período de inscrição da instituição que pretende estudar. Para aqueles que buscam uma bolsa de estudos, é importante lembrar que isso também pode variar de universidade para universidade, por isso, consulte o site das instituições para mais informações. Algumas universidades oferecem bolsa ou ajuda de custo para aqueles que conseguem as melhores classificações no processo seletivo.

A universidade segundo os brasileiros
Luísa Torquato entrou na Universidade da Beira Interior (UBI) com a nota do Enem para fazer o curso de Ciências da Cultura. Depois de um intercâmbio para Lisboa, não conseguiu se readaptar ao Brasil, por isso decidiu juntar dinheiro e voltar para Portugal para estudar. “Lembro-me bem de que via várias vezes por dia o site da UBI para conferir as vagas para estrangeiros e a disponibilidade de bolsa para os primeiros a se matricularem. Queria mesmo ter emoldurado minha carta de aceite. Aquilo para mim foi sinônimo de ganhar na loteria. Na época, usei a nota que havia obtido no exame de 2010. Justamente por já se fazer sete anos desde a prova, eu não consigo precisar como foi o meu desempenho. Notas em torno de 600 e Redação 800 são as que tenho alguma lembrança. Minha dica para os já decididos em vir para cá é de que não foquem no exame por inteiro e sim nas áreas requeridas pelo curso escolhido, porque é assim que funciona a seleção”, orienta Luísa.

Com toda a experiência adquirida e o desejo de mostrar como é a vida acadêmica em Portugal, tradições e perrengues, ela e mais duas amigas portuguesas (Filipa e Rita) criaram o canal no Youtube 20&Alguns. “Atualmente, recebemos mensagens de muitas pessoas que, assim como eu, têm o sonho de viver em Portugal.”

Sobre a vida universitária, Luísa esclarece: “As universidades públicas portuguesas em relação à estrutura, tanto física quanto de corpo docente, estão igualmente equiparadas ou podem ser consideradas superiores às universidades privadas no Brasil. Os valores em si, para estrangeiros costumam ser um pouco mais altos do que para as pessoas daqui. Contudo, se você colocar na balança tudo o que gastará e o estilo de vida que levará, terá a prova de que o custo é o mesmo de uma boa vida nas grandes cidades brasileiras só que com uma qualidade incomparável”, lembra a estudante.

A vida em Coimbra
Ana Spinelli também resolveu estudar em Portugal. “Estava naquela fase de prestar vestibular e decidir o que fazer da minha vida. Por que não tentar? Depois de algumas pesquisas, vi que Portugal aceitava o Enem e fiz a minha candidatura”, conta.

Ela já está há dois anos estudando em Coimbra, a primeira universidade portuguesa a entrar no acordo com o Brasil. A estudante começou no curso de Direito, mas, em breve, pretende mudar para Relações Internacionais. “A avaliação que os meus pais fizeram na época foi a de que os custos para me manter em São Paulo não valeriam a pena."

A adaptação em terras portuguesas foi tranquila apesar dos desafios logo no início. “Os dois primeiros meses foram mais difíceis. Eu achava que a língua não seria problema, mas tive que me habituar a novas formas de escrever, principalmente, em relação aos acentos e ao uso de determinadas palavras (mais formais ou informais). Os professores foram muito pacientes e atenciosos.”

A concentração de brasileiros na universidade também impressionou. Quando a Ana chegou lá, eles representavam quase 10% do total de alunos da universidade. Ela recomenda a experiência. “ O contato com outras culturas faz com que a gente acumule uma bagagem incrível. Podemos perceber um crescimento pessoal e acadêmico muito grande”, conclui.

Ainda mais sobre o assunto
As experiências de morar fora e ajudar aqueles que acabaram de chegar fizeram com que o Fábio Giacomelli e a Tâmela Grafolin também criassem um blog chamado Brasileiros na Covilhã. Eles aparecem até no site da universidade como uma recomendação de leitura para os brasileiros que estão interessados em estudar em Portugal. “A ideia surgiu ao percebermos uma lacuna de informações oficiais no que dizia respeito à documentação. A partir de uma vivência própria nossa, vimos a oportunidade de criar algo para que as pessoas pudessem encontrar informações em um só lugar a partir de vivências e não de um apanhado de informações que circulam na internet”, afirma Fábio.

Os dois estão em Portugal há quase três anos. Atualmente, fazem um doutorado em Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior, na cidade da Covilhã. 

“Nunca tivemos problemas com a receptividade do povo português. Inclusive, fomos muito bem recebidos por todos. Colegas, professores e a equipe da universidade, que foram nossos primeiros contatos em terras lusas, desde sempre se dispuseram a ajudar em qualquer situação. Isso nos tranquilizou desde o início. A Universidade da Beira Interior realmente nos abraçou desde o primeiro dia."

Tudo aquilo conquistado como bagagem também ficou marcado. “A experiência de estudar fora vai estar intimamente ligada com a vontade que a pessoa tem em desbravar e se integrar a novas culturas e comunidades. É extremamente válida. Quem vem para realmente viver um novo mundo, partilhar experiências e com vontade de buscar conhecimentos, recomendamos de olhos fechados”, destaca Tâmela.

Até o momento, o número de brasileiros estudando na UBI pode chegar a mais de 400 alunos. No caso dos que ingressaram com a nota do Enem, são 143 estudantes.

Instituições portuguesas conveniadas com o Inep até o momento 

1. Universidade de Coimbra (26/05/2014)
2. Universidade de Algarve (18/09/2014)
3. Instituto Politécnico de Leiria (24/04/2015)
4. Instituto Politécnico de Beja (10/07/2015)
5. Instituto Politécnico do Porto (26/08/2015)
6. Instituto Politécnico de Portalegre (08/10/2015)
7. Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (09/11/2015)
8. Instituto Politécnico de Coimbra (24/11/2015)
9. Universidade de Aveiro (25/11/2015)
10. Instituto Politécnico de Guarda (26/11/2015)
11. Universidade de Lisboa (27/11/2015)
12. Universidade do Porto (09/03/2016)
13. Universidade da Madeira (14/03/2016)
14. Instituto Politécnico de Viseu (15/07/2016)
15. Instituto Politécnico de Santarém (15/07/2016)
16. Universidade dos Açores (04/08/2016)
17. Universidade da Beira Interior (20/09/2016)
18. Universidade do Minho (24/10/2016)
19. Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (24/03/2017)
20. Universidade Lusófona (05/04/2017)
21. Instituto Politécnico de Setúbal (05/04/2017)
22. Instituto Politécnico de Bragança (06/04/2017)

Fonte: Inep



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