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NEGÓCIOS E ECONOMIA

14/06/2017

Portugal já é o segundo maior fornecedor de vinho ao Brasil

Os 66 produtores que participaram na primeira edição do Vinhos de Portugal, em São Paulo, encontraram gente muito interessada, e interessante. E, mais importante ainda, fizeram muito negócios.

No primeiro trimestre de 2017 o valor das exportações de vinhos portugueses para o mercado brasileiro cresceu 84,5% face ao primeiro trimestre de 2016. Um comportamento “espectacular” conseguido sobretudo pelos vinhos tranquilos, que aumentaram 93,5%, e não tanto pelo segmento do Porto – mas também estes cresceram 25,3%.

Com esta performance no trimestre, Portugal conseguiu alcançar o segundo lugar dos países de quem o Brasil mais importa vinho, estando agora com uma quota de mercado de 15,4%. Na frente deste campeonato continuam os vinhos do Chile que, muito à custa do desempenho de Portugal, caíram de uma quota de mercado de 54% para as actuais 47%.

A “estreia” paulista dos vinhos portugueses
“Não há milagres nem coincidências”, começa por afirmar Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, a associação interprofissional que gere a marca Wines of Portugal.

“Há um conjunto de factores, alguma persistência e trabalho, a começar pelo facto de o trabalho de promoção e de divulgação ter sido uma constante”, explica Monteiro. “Esforços da ViniPortugal, das Comissões das Regiões demarcadas, como o Alentejo, o Dão ou Setúbal, e também o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. Mas também outros efeitos”, como o bom momento do turismo e a imagem reforçada por estar a sair de uma crise. “Portugal está na moda”, comenta Jorge Monteiro.

Agora deseja-se que seja um movimento sustentado. O mercado brasileiro significa apenas 4,9% das exportações de vinhos portugueses e um volume de negócios de cerca de 30 milhões de euros. A grande vantagem é que há ainda uma grande margem de crescimento.

O facto de Portugal ter conseguido “derrotar” países históricos na importação brasileira, como são a Argentina, a Itália e a França é já “uma excelente notícia”, comenta Jorge Lucki, crítico de vinhos no jornal Valor Econômico, de São Paulo.

São Paulo abraça Camões na abertura do "Vinhos de Portugal"
Lucki conhece bem os vinhos portugueses e tem participado como júri internacional em muitos concursos. Fez questão de sublinhar que não fala por simpatia, mas sim por saber que Portugal “tem uma proposta diversificada e diferente”. A questão é que face aos países do Mercosul – como é o caso do Chile, que não paga taxas aduaneiras – é um campeonato diferente. “Eu gostaria muito que o Chile fosse perdendo quota, porque é muito mais interessante olhar para Tourigas nacionais, por exemplo, do que continuar a falar de Cabernet Sauvignons”. 

Dirceu Vianna Junior, Master of Wine radicado em Londres, mas que é natural do estado do Paraná, no Brasil, admite que sem essa diferenciação de taxas Portugal conseguiria rapidamente chegar ao primeiro lugar dos países a quem o Brasil compra mais vinho.

“A ligação sentimental e histórica entre o Portugal e o Brasil é muito grande. E trazer produtores com a qualidade dos que aqui estão, para estarem durante três dias em frente aos consumidores finais, a explicar como fazem esses vinhos, a história que está por detrás deles, eu não conheço país que faça um trabalho de promoção tão bom”, argumenta.

Dirceu Vianna Junior refere-se ao evento Vinhos de Portugal, que se realizou pelo quarto ano consecutivo no Rio de Janeiro, e em 2017, pela primeira vez em São Paulo. Uma co-organização do PÚBLICO e dos jornais brasileiros Globo e Valor Econômico, em parceria com a ViniPortugal.

O evento terminou no domingo e os 66 produtores portugueses que participaram no Mercado de Vinhos tiveram oportunidade de, em nove sessões de provas, mostrarem mais de 400 rótulos a um público que se mostrou “interessado” e “interessante”.

Fonte: Publico.PT



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