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MUNDO

30/06/2017

Templo da literatura lusófona em Paris, editora Chandaigne celebra 25 anos

A editora Chandeigne, especializada na divulgação dos grandes escritores da África lusófona, Brasil e Portugal, está completando 25 anos. Dirigida por Anna Lima e Michel Chandaigne, a bela aventura sempre foi marcada pela liberdade.

No Quartier Latin, na pequena rue Tournefort, fica a editora Chandeigne, totalmente dedicada aos livros em língua portuguesa. Ali pertinho, nas vizinhanças do Panthéon, em frente a uma pitoresca pracinha com bancos e árvores, fica a famosa Livraria Portuguesa e Brasileira. Nesses poucos metros, então, se concentra o templo único da literatura lusófona em Paris.  

Fundada em 1986 pelo editor, livreiro, tradutor e conferencista francês Michel Chandaigne, especialista em países lusófonos e nos grandes descobrimentos históricos, a livraria foi um prólogo para a criação da editora Chandaigne em 1992, quando Michel se associou a Anna Lima, que passou a dirigí-la.

Neste 25° aniversário da editora, que publica em francês os autores lusófonos, Michel lembra como tudo começou. "A ideia veio naturalmente, numa altura em que havia poucos livros sobre a cultura lusófona. Encontrei a Anna Lima e depois..."  A portuguesa Anna Lima continua a frase, lembrando que a ideia da criação da editora partiu da constatação de que havia um fundo de textos de literatura e de história portuguesa que são grandes clássicos, que eram conhecidos em Portugal mas que não eram conhecidos na França e que fazem parte da história europeia como, por exemplo, a carta de Pero Vaz Caminha, Álvaro Velho, do navegador italiano Luiz de Cadamosto. A ideia foi, então, criar uma coleção que integrasse esse fundo. Cultura, civilização e livros vindos de Portugal, Brasil, África lusófona, não havia uma produção enorme...", ela observa.

Os primeiros livros brasileiros
Foi a História do Brasil, de Frédéric Moreau, o primeiro livro brasileiro que a editora Chandeigne publicou. "Fizemos também um livro com os primeiros textos sobre o descobrimento do Brasil. Na literatura, a primeira tradução foi uma coletânea de poesias que tinha Carlos Drummond de Andrade e Renata Pallottini, esgotada há muito tempo", relembra Anna.

O sucesso da empreitada se explica pela demanda pela literatura lusófona em Paris, que é muito grande. " Há muito interesse, é claro, pelo Mia Couto, somos um pouco responsáveis pois editamos mais de dez livros dele, que é o autor lusófono mais em destaque na França. Do lado brasileiro, continua sendo Jorge Amado e Machado de Assis e, nos modernos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, que continua tendo um público muito fiel e renovado, Milton Hatoum e Luiz Ruffato. Do lado português, José Saramago, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, é claro", diz Michel.

Escritores e Chandaigne, uma relação amorosa
O autor brasileiro Luiz Ruffato, editado na França pela Chandeige, fala sobre a importância da editora: "A questão mais interessante é ter "esse luxo", essa editora e livraria em Paris que se dedicam basicamente  à divulgação da nossa literatura. Mais ainda se você pensar que Portugal ainda tem um trabalho institucional de divulgação, mas no Brasil não temos, o Estado brasileiro não dá a menor importância para a divulgação da cultura, portanto, ao mesmo tempo que é um trabalho heróico divulgar uma língua e uma cultura que não é majoritária e não tem importância econômica no mundo, a qualidade dos títulos e dos livros da editora é impressionante", elogia Ruffato.

O mesmo olhar "amoroso" vem do escritor português Rui Zinc: "O próprio nome 'Chandeigne" significa para os poetas portugueses, o que eu não sou, a sua voz na França. A editora foi, durante muito tempo, a voz que nos deu voz na França. E como dizemos em Portugal, "amor com amor se paga", por isto, muitos escritores portugueses, gostam, adoram a Chandeigne", exalta o autor.

E depois de 25 anos de aventuras literárias, os dois parceiros se sentem felizes por terem levado esse percurso com calma e sinergia, crescendo, mas não de forma desmedida. "Continuamos a trabalhar como gostamos, fazendo o livro que queremos, sem compromissos", observa Anna. "Nunca tivemos dívidas, algumas dúvidas, sim [risos], mas não ter dívidas é uma maneira de ficar livre e poder continuar em alto mar", diz Michel, com uma expressão de tranquilidade.

Fonte: RFI



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