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NEGÓCIOS E ECONOMIA

31/07/2017

Os segredos que tornaram Portugal o país da moda

O número de turistas atingiu um número recorde e as autoridades portuguesas têm um plano de marketing até 2019, que trabalha a promoção do destino. Vão às principais feiras mundiais, em Madrid, Berlim ou São Paulo, e reúnem com operadores turísticos locais, público em geral e empresas. Trabalham com agências de comunicação e têm uma equipa especializada para responder a emails do estrangeiro.

Cristina Bernardo
Há uma expressão promocional usada pelo Turismo de Lisboa para “vender” a capital no estrangeiro: em cinco minutos pode passear na Baixa, em 15 chega ao aeroporto e, em meia hora, pode pedalar no Guincho. Em 2016, a região recebeu 5,6 milhões de hóspedes só em estabelecimentos hoteleiros – Espanha, França, Alemanha, Brasil e Reino Unido foram as nacionalidades que mais contribuiram para este indicador. O maior crescimento deu-se entre os franceses. Já este ano, os turistas oriundos dos EUA e Brasil têm vindo a aumentar. A Rússia registou uma quebra grande nas visitas a Lisboa, devido à conjuntura económica do país e à desvalorização do rublo. No entanto, os números apontam para uma recuperação. Mas como se promove uma cidade no estrangeiro?

“Existe um plano de marketing que está em vigor até 2019, onde se trabalha a promoção turística e a gestão do destino”, explica André Moura, do Observatório do Turismo de Lisboa. Por exemplo, toda a faixa de Santa Apolónia ao Cais do Sodré foi feita a pensar no usufruto dos turistas, mas também dos residentes. As ações de promoção são realizadas em diversas etapas. Os responsáveis do Turismo vão às principais feiras mundiais, em Madrid, Berlim e São Paulo, e reunem com operadores turísticos locais, público em geral e empresas associadas.

Depois, é preciso receber os representantes dos operadores turísticos internacionais e os jornalistas para lhes mostrar a cidade, os melhores spots, hotéis e restaurantes. Também existem agências de comunicação em vários países (Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Brasil), que lançam press releases sobre Lisboa, e organizam visitas de imprensa e concursos de rádio. Além disto, existe ainda uma equipa de promotoras que responde a mais de dois mil pedidos de informação que são enviados por email para o site do Turismo de Lisboa.
“Lisboa é daquelas cidades que sinto que devo conhecer melhor. É um pouco como Berlim: misteriosa, grandiosa e divertida, com rendas baixas e afortunada por ter um aeroporto perto do centro.” Esta é uma das descrições que o jornalista e empresário Tyler Brûlé, que edita a revista Monocle (sobre tendências e estilos de vida), dedicou à capital portuguesa.

A importância dos negócios

O turismo de negócios tem outras especificidades. Representa uma fatia muito importante do número de visitantes anuais e entre cada conquista para o país está uma longa operação. É preciso fazer uma prospeção de mercado para perceber o que vai acontecer no mundo dos congressos, reuniões e falar com os homens de negócios. A seguir, tenta-se “seduzir” a associação ou a empresa interessada em vir para Lisboa.

Nesta fase, utilizam-se os melhores argumentos: a qualidade dos centros de congressos, dos hotéis, dos restaurantes e, claro, do clima. No final, faz-se a apresentação formal da candidatura e as consequentes visitas de inspeção dos organizadores.

A Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (EHTL) apresentou recentemente um relatório que antevê as oportunidades e os perigos para o setor, referente aos próximos 20 anos, e a conclusão é que o “turismo em Portugal tem um futuro risonho”.

O relatório chama-se “Futurismo: O Petróleo Nacional, Turismo em Portugal em 2037”, e este trabalho surge porque “Portugal precisa urgentemente de pensamento a longo prazo”, segundo os autores, que formam o grupo MESA37. Num cenário futuro, a ascensão do Oriente, o aumento e envelhecimento da população, mais preocupações ambientais e energéticas, o crescimento do clima de insegurança e mudanças nas instituições, vão traduzir-se em boas perspetivas para o turismo, concluem os autores.

“Será uma atividade ainda mais importante para a economia portuguesa nos próximos 20 anos, se não cometermos muitos erros e se não tivermos muitos azares”, lê-se. O estudo prevê para os próximos 20 anos, “mais turistas, de mais origens, que ficam mais tempo e despendem mais dinheiro”. Estas conclusões podem ditar que haverá maior riqueza para o país, “mais impostos, mais postos de trabalho, maior aproveitamento dos recursos e das regiões, e ainda maior qualidade de vida para os residentes”.

Para já, Portugal vive um momento de bonança, com uma diversficação sem paralelo de turistas. No final da semana passada, chegou ao aeroporto da Portela o primeiro voo da ligação aérea direta entre Portugal e o Japão. Este foi o primeiro de quatro voos especiais de uma operação ‘charter’ da responsabilidade de um grupo de operadores turísticos japoneses, liderado pelo JTB – Japan Travel Bureau, o maior operador turístico japonês. A ligação aérea direta ao Japão será seguida por uma outra rota direta que vai ligar Portugal e a China. Estas ligações garantem um crescimento acrescentado do número de turistas que visitam Portugal.

O charme do Porto
A Associação de Turismo do Porto e Norte, AR (Porto Convention & Visitors Bureau) é uma associação sem fins lucrativos que tem como principal objetivo a promoção do Porto e do Norte de Portugal no segmento de turismo de negócios e lazer, promovendo a cidade e a região enquanto destino privilegiado para conferências, incentivos e outros eventos.

Conta com membros fundadores como a Universidade do Porto, o Instituto de Vinhos do Douro e Porto, a Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo, a Associação Comercial do Porto, a Associação Empresarial de Portugal e a Associação dos Comerciantes do Porto, por exemplo.

De modo a mobilizar e a motivar os potenciais organizadores de eventos a deslocarem as suas iniciativas para o Porto e Norte de Portugal, providencia serviços e apoios como a preparação de dossiês de candidaturas para congressos internacionais; sugestões de datas e locais para os eventos; organização e assistência em viagens de familiarização ao Porto; apresentação de propostas abrangentes, entre outros. No ano de 2014 realizaram-se no Porto e na região norte de Portugal mais de 41 congressos, eventos e reuniões nacionais e internacionais apoiados pela Associação de Turismo do Porto e Norte, AR (Porto Convention & Visitors Bureau).

A Porto Convention & Visitors Bureau propõe vários tipos de incentivos, conforme a oferta disponível na cidade e na região, que incluem: Caves de Vinho do Porto – visitas e provas de vinho, cruzeiros no Douro e, claro, visitas ao Porto. Há quem diga que para “vender” uma cidade é preciso persistência e charme.

Fonte: Jornal Económico



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