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MUNDO

18/08/2017

Descobrir Portugal, trilho a trilho

“O que mais importa não é a partida nem a chegada. O que interessa é o caminho”, lê-se na contracapa do livro de Miguel Judas. E logo nos recordamos da célebre frase do poeta espanhol António Machado: “O caminho faz-se caminhando”.

No novo livro do jornalista, Os 200 melhores percursos de trekking de Portugal, a proposta é literal: voltar costas às grandes cidades e descobrir o país, trilho a trilho. É que num território tão pequeno esconde-se “uma surpreendente variedade de paisagens”, às quais se somam lendas, pedaços de história e de património, tradições, uma fauna rica e “especialmente pessoas”. Haverá melhor forma de descobrir tudo isto “senão a pé, com tempo para apreciar e usufruir do que não está à vista?”, desafia o autor.

Na obra editada pela Saída de Emergência, Miguel Judas reúne, por isso, duas centenas de percursos, atravessando todos os distritos de Portugal Continental e algumas ilhas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Todos estão devidamente assinalados no terreno e a selecção é diversa. Há trilhos interpretativos e percursos por ecopistas e ecovias. Há caminhos ancestrais, grandes travessias e os inolvidáveis passadiços do Paiva. A compilação integra propostas para todas as pernas: desde pequenos circuitos que podem ser percorridos em família (como o Percurso do Ninho da Cegonha, de Óbidos às ruínas romanas de Eburobrittium, com 1km de comprimento) até às grandes rotas de andarilho para vários dias (como a Rota Vicentina, com os seus 340km de trilhos pela costa, de Santiago do Cacém ao cabo de São Vicente) ou à mítica subida à Senhora da Graça, desta feita a pé e por “trilhos milenares percorridos desde há séculos pelos peregrinos”.

Passo a passo, página a página, o jornalista vai resumindo o que se pode encontrar em cada percurso. No Trilho dos Canos de Água, por exemplo, abeiramo-nos do miradouro de Santa Luzia para vislumbrar uma “das vistas panorâmicas ‘mais bonitas do mundo’, como descreveu a revista National Geographic, há quase 80 anos”. E continuamos até à “Casa do Radar”, “um edifício abandonado onde esteve para ser instalado um posto de controlo aéreo durante a Segunda Guerra Mundial”. Ou talvez queiramos perder-nos antes pelas aldeias vestidas de xisto, já no Centro do país – e aí temos no livro uma boa selecção por onde escolher. Ou preferimos mergulhar os olhos no oceano e rumamos a Sul, para desenhar as falésias douradas no Percurso do 7 Vales Suspensos, em Lagoa, ou até à ilha do Faial, numa grande rota Costa a Costa por “800 mil anos de História”.

O livro é um guia puro e duro, com uma listagem de trilhos, descrição de cada percurso e dados relevantes, como pontos de partida e de chegada, distância percorrida, nível de dificuldade, coordenadas de GPS e indicação simbólica dos principais motivos de interesse (património histórico, arqueológico, natural, aldeia, cidade, montanha, rio, praia, barragem ou área protegida). “Caminhante, são tuas pegadas / O caminho e nada mais; / Caminhante, não há caminho / O caminho faz-se caminhando.” Do que espera?

Os 200 melhores percursos de trekking de Portugal
Miguel Judas
Saída de Emergência
Preço: 16,41€

Fonte: Publico.PT



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