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MUNDO

21/08/2017

Dinossauros tomam de assalto as ruas de uma vila portuguesa

Há 150 milhões de anos, o Jurássico Superior, a região onde é hoje a Lourinhã, era dominada por dinossauros. Para tornar mais conhecida a história destas enormes criaturas na Terra, o Museu da Lourinhã colocou 18 modelos de dinossauros em tamanho real nas ruas da localidade até meados de setembro, no âmbito da iniciativa Dinossauros Saem à Rua.

Nessa época o homem não existia, os seus antepassados, que eram apenas pequenos mamíferos, tentavam escapar aos dinossauros da região.

"Havia mamíferos na altura [época], mas eram mamíferos muito pequenos, mais ou menos do tamanho de um rato. Os dinossauros da Lourinhã têm 150 milhões de anos, os dinossauros em geral extinguiram-se há 60 milhões de anos, e o homo sapiens em geral só tem 300 mil anos", relembra à Sputnik Brasil o antropólogo Alexandre Audigane, da equipe de investigação do Museu da Lourinhã e do GEAL (Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã).

Esta cidade da zona oeste de Portugal está no mapa mundial das descobertas paleontológicas. Nas suas arribas costeiras têm sido encontrados inúmeros vestígios de dinossauros do Jurássico Superior, alguns de espécies únicas no mundo.

"Há sete espécies únicas que só foram encontradas na zona da Lourinhã: temos, entre outros, o Lourinhanosaurus antunesi, o Torvosaurus gurneyi ou o Miragaia longicollum", explicita Audigane à Sputnik.

O Lusotitan Atalaiensis foi o maior dinossauro encontrado até agora e os seus vestígios foram recuperados na Atalaia, aldeia próxima da Lourinhã. Acredita-se que este saurópode mediria 23 metros de comprimento e 12 metros de altura.

Por sua vez, o Dinheirosaurus Lourinhanensis — que conquistou o seu nome por ter sido descoberto na praia de Porto Dinheiro — entra para a lista dos mais compridos achados em território português: 25 metros de comprimento e uma cauda enorme e flexível, como se pode ler no artigo, com o título "Lourinhã Jurássica", do site viaverde.pt.

Nas descobertas na Lourinhã destacam-se ainda pegadas do Miragaia Longicollum, revelado na povoação de Miragaia, e vestígios do Lourinhanosaurus Antunesi, um dos dinossauros carnívoros mais importantes que viveram em Portugal.

Mas as descobertas na região não se limitam a vestígios e ossadas, foram encontrados ovos fossilizados de Torvossauro (antecessor do conhecido Tiranossauro Rex) contendo os mais antigos embriões de dinossauro de todo o mundo e o segundo maior ninho conhecido, com mais de 100 ovos.

As rochas sedimentares caraterísticas desta zona criaram as condições ideais para a fossilização e o fato das arribas não apresentarem construções ou agricultura facilitou a descoberta.

Até hoje, os paleontólogos da GEAL (Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã) já recolheram várias pegadas, ossos, ovos e até embriões que têm permitido a reconstituição e estudo destas espécies animais com mais de 150 milhões de anos.

"Lourinhã é considerada a capital do dinossauro pela quantidade de fósseis que foram encontrados na região. No Museu há a maior coleção de fosseis de Portugal e uma das mais importantes na Península Ibérica, a nível do Jurássico Superior", diz-nos o antropólogo Audigane.

Em Portugal conhecem-se cerca de 20 espécies diferentes de dinossauros que vão desde o período Triássico (190 milhões de anos) ao Cretáceo (67 milhões de anos).

O Museu, a Câmara Municipal e a União de Freguesias da Lourinhã e Atalaia pretendem, com a iniciativa Dinossauros Saem à Rua, "consolidar a afirmação da Lourinhã como a Capital dos Dinossauros e valorizar o patrimônio paleontológico do concelho, onde têm sido descobertos ossos fossilizados de dinossauro, pertencentes a várias espécies e o maior ninho dos dinossauros com os mais antigos embriões até então encontrados", pode ler-se no site do evento.

"A iniciativa era uma ideia antiga. Como para o ano vai abrir o Parque de Dinossauros da Lourinhã, decidimos fazer a iniciativa este ano", explica à Sputnik Alexandre Audigane, um dos elementos do GEAL.

Junto à sede da autarquia está de vigia o rei dos dinossauros, o carnívoro "tiranossauro rex", tem 13 metros de comprimento e quatro de altura, para mostrar quem manda.

Mas não estão só expostos enormes criaturas, é possível tirar uma fotografia ao lado do menor exemplar da exposição, um alossauro juvenil: tem 2,90 metros de comprimento, mas apenas 130 centímetro e altura, o equivalente à estatura de uma criança de oito anos.
Estes são apenas dois dos dinossauros do Jurássico Superior, período a que pertence a maior parte dos achados paleontológicos daquele concelho, do distrito de Lisboa, que irão estar nas ruas da Lourinhã até meio de setembro.

"O maior dinossauro terá um comprimento superior a 23 metros", disse Franz-Josef Dickman, representante da empresa PDL, criada para construir e gerir o Parque dos Dinossauros da Lourinhã, ao site o Observador.

Os 12 novos dinossauros juntam-se aos seis que foram colocados na cidade em março. Mas a iniciativa não fica só por aqui. Uma equipe de "cake designers" construiu o maior ninho e dinossauros em chocolate, com 2,5 metros de diâmetro, concorrente ao livro de recordes do mundo Guinness.

O município tem como objetivos "promover a Lourinhã como 'capital dos dinossauros' e mostrar-nos o novo projeto museológico do Parque dos Dinossauros".

A construção arrancou em janeiro, mas os visitantes têm de esperar ainda mais um ano para ver como será este parque, onde vão estar espalhados cerca de 120 dinossauros, incluindo estes 18 que estão nas ruas da cidade.

A partir de 2018, os modelos de dinossauro vão ficar em exposição permanente no futuro Parque dos Dinossauros, que deverá abrir nessa altura. O investimento de 3,5 milhões de euros contempla a construção de um edifício com área de exposição de achados paleontológicos, loja e laboratório de preparação de fósseis e um parque ao ar livre, para exposição de mais de uma centena de modelos de dinossauro em tamanho real.

O parque deverá receber por ano 200 mil visitantes, número muito superior ao do atual museu (25 a 30 mil pessoas), onde a exiguidade do espaço impede a exposição de todo o espólio já encontrado.

Para a construção foi feita uma parceria e cooperação entre a PDL, que é o promotor do projeto, a Câmara Municipal da Lourinhã, que é a detentora dos terrenos, o Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL) e, por fim, o Museu da Lourinhã, que conta já com um vasto espólio de fósseis, bem como conhecimento científico.

Em uma fase inicial, pretende-se que o Parque ocupe um espaço de 10 hectares dos 36 que foram concedidos. O Parque vai situar-se nos terrenos onde antes existia a antiga lixeira do município.

Fonte: Sputinik News



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