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24/08/2017

Cresce o total de empresas que buscam soluções para problemas sociais [Godke Silva & Rocha Advogados]

Negócios trazem propostas inovadoras e atraem investidores.

RIO - Um par de lentes de grau pode ser a ponte para que crianças possam aprender e adultos, trabalhar. Saber que mais de 45 milhões de brasileiros precisam usar óculos e não sabem disso abriu os olhos do jovem fluminense Ralf Toenjes, de 25 anos, para o problema. Após conhecer a associação alemã OneDollarGlasses (Óculos a um dólar, em tradução livre), ele fundou a ONG Renovatio, em São Paulo. Em três anos, já distribuiu 15 mil óculos em 14 estados do Brasil, apoiado por R$ 1,5 milhão em doações. Com a crise, porém, os recursos encolheram. Para manter a operação, Toenjes criou a VerBem, um negócio social.

— Minha captação caiu de R$ 1,5 milhão para R$ 300 mil. Então, transformei o projeto em negócio social. As vendas de óculos a preços mais acessíveis em duas faixas, de R$ 79 e R$ 119, vão sustentar o objetivo social, que é distribuir óculos de graça a quem não pode pagar — conta Toenjes.

Virá do fundador da OneDollarGlasses, Martin Aufmuth, aporte de € 180 mil para criar o negócio social. A meta é chegar a um milhão de óculos distribuídos e vendidos até 2021.

— O Brasil tem a maior taxa de evasão escolar entre os cem países de maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). E 22,9% da evasão estão ligados a problemas de visão. Além da falta de dinheiro, 85% dos municípios não têm oftalmologista. Então, criamos um ônibus, com médico e estrutura para fazer o exame e entregar os óculos — diz Toenjes, que tem a produção de óculos na sede da empresa, em São Paulo, a cargo do refugiado tcheco Josef Slusny.

US$ 186 MILHÕES EM RECURSOS DISPONÍVEIS

A VerBem é exemplo de negócio social, categoria de empresas pensadas para dar solução a um problema que afeta a população de baixa renda. Devem ter rentabilidade, para serem financeiramente sustentáveis — diferentemente de ONGs ou ações sociais que dependem de doações — utilizando todo o lucro para reinvestir no projeto. Correm ao lado dos negócios de impacto social, que, mantendo o propósito social, distribuem dividendos. No Brasil, as atividades e também os recursos disponíveis para esses segmentos vêm crescendo.

— Entre 2014 e 2016, o volume de recursos disponível para o segmento cresceu de US$ 177 milhões para US$ 186 milhões (considerando o montante que fundos e investidores poderiam aportar neste segmento). Há US$ 70 milhões em investimentos já realizados — destaca Luciano Gurgel, da Yunus Negócios Sociais no Brasil, braço da organização criada em 2011 para multiplicar o conceito de negócio elaborado pelo economista bengalês e Prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus.

Para capacitar, financiar e conectar as novas iniciativas a redes de parceiros e investidores, crescem as organizações dedicadas a fomentar o desenvolvimento de start-ups na área de negócios sociais. Já são mais de 400 aceleradoras e incubadoras, criando pontes entre ações, negócios sociais e de impacto social e grandes corporações. A Yunus Brasil tem parceiros como Danone, Nestlé, Ambev e Oi.

— Responsabilidade social e ambiental não é mais um departamento das empresas. Está se incorporando ao DNA das companhias. A Tesla, fabricante de carros elétricos, superou recentemente em valor de mercado a GM e a Ford, embora produza uma fração do volume das outras duas gigantes — pondera Gurgel.

Eduardo Magalhães, analista do Sebrae/RJ, explica que as companhias têm uma diversidade de opções para investir em negócios sociais:

— Podem contribuir partilhando conhecimento, conectando start-ups a parceiros, com capital, oferecendo escala a uma solução. E também com foco na busca de inovação, financiando projetos que, depois, podem ser incorporados ao seu negócio.

AUMENTO DE 600% EM PROPOSTAS DE NEGÓCIOS

A Artemisia, dedicada a fomentar negócios de impacto social no país, confirma o aumento de iniciativas nesse segmento, sobretudo com a crise econômica, diz a gerente de Relações Institucionais Priscila Martins. Em 2016, a entidade avaliou 1.300 negócios e selecionou 12 para sua aceleradora. Entre 2011 e 2015, o número de negócios que passaram pelo crivo deles saltou 600%. Em cinco anos, foram 91 negócios contemplados — 85% deles ainda ativos — recebendo R$ 65 milhões em investimento.

— As grandes empresas têm enorme poder de atuação em impacto social. Desenhamos um programa para a Caixa Econômica Federal, que busca start-ups com soluções financeiras para reduzir a inadimplência na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida. O foco é melhorar a educação financeira do cliente de baixa renda — diz Priscila.

A Artemisia identificou 460 empresas com o perfil buscado pela Caixa. Ficaram cinco. Cada uma recebeu R$ 200 mil para testar sua solução junto ao universo-alvo de clientes por seis meses.

— As interações com negócios de impacto social começam na esteira de responsabilidade social e sustentabilidade. Mas áreas de produção e estratégia já perceberam que é uma oportunidade de promover inovação. Há executivos em busca de propósito, como os que criaram o Geekie, uma plataforma que ajuda a preparar estudantes para o Enem e que passou a ser apoiada pelo governo — diz ela.

Semana passada, a Oi, por meio do Oi Futuro, lançou o Labora, um laboratório para buscar soluções inovadoras e de impacto para as cidades. Tem como parceiros o Yunus e o Instituto Ekloos. Não inclui aporte financeiro, mas sai do papel com um primeiro ciclo de incubação de organizações e negócios sociais, com cinco projetos selecionados no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte e Recife.

Fonte: O Globo



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