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NEGÓCIOS E ECONOMIA

25/08/2017

Exportações portuguesas crescem em 2017 à boleia das eleições

A par das exportações, o país africano oferece oportunidades na agricultura e rochas ornamentais, entre outros.

Depois de as exportações portuguesas para Angola terem caído 14% entre 2012 e 2016, os primeiros seis meses deste ano trouxeram ventos de mudança à relação económica entre os dois países, historicamente muito próximos a nível comercial. Até 2014, Angola era ainda o quarto maior cliente de Portugal (com 3,1 mil milhões de euros em exportações), passando depois para o sexto lugar da lista e, agora, para oitavo (1,5 mil milhões em 2016).

No entanto, e muito à boleia da abundância típica no período pré--eleitoral, entre janeiro e junho de 2017 Portugal quebrou a tendência e exportou bens no valor de 875,6 milhões de euros, mais 47% do que na primeira metade do ano passado. Um dos maiores saltos registou-se nos produtos agrícolas, com as vendas das empresas portuguesas a chegarem aos quase 150 milhões de euros, 88,5% mais do que em 2016. Luanda quer ver as prateleiras dos supermercados cheias. As exportações de produtos químicos também aumentaram 70%, para os 115,5 milhões, e o calçado bateu todos recordes ao passar de 5,1 para 11,6 milhões, mais 125%.

Na opinião de João Traça, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA), "existem condições para que este aumento das exportações para Angola se mantenha além do primeiro semestre", dependendo, claro está, da evolução da economia angolana. "Se o país tiver um problema de escassez de divisas não será possível", salienta o responsável, sublinhando que "o futuro passa muito mais por um aumento dos investimentos em Angola, em setores não relacionados com a indústria petrolífera, do que por uma subida das exportações". Agricultura, rochas ornamentais, metalurgia, entre outros, são os principais setores de aposta identificados pelo presidente da CCIPA.

O investimento direto de Portugal em Angola atingiu, em março, um valor acumulado de 3,6 mil milhões de euros, menos 5,4% do que no mesmo mês de 2016 e muito longe dos 4,6 mil milhões registados em dezembro de 2014.

"As oportunidades em Angola dificilmente vão passar pela exploração de novos poços petrolíferos. Onde temos possibilidade é em projetos agrícolas ou que visem exportar. É aí que temos know how", diz João Traça. Ainda assim, para a Galp, por exemplo, Angola continua a ser uma das geografias centrais na estratégia da empresa, disse ao DN/ /Dinheiro Vivo fonte oficial, confirmando que o país é "um dos destinos prioritários de investimento". "O histórico da presença da Galp no país e o perfil de longo prazo dos investimentos em curso revelam a confiança neste mercado", refere a mesma fonte. O mesmo acontece com a construtora Casais: "A nossa presença nos mercados de língua portuguesa faz parte da nossa história. Angola é um mercado onde continua a haver necessidade de infraestruturas por isso, independentemente do maior ou menor volume, a nossa presença continua", garante o CEO António Rodrigues.

Ao nível das exportações, no entanto, muitas empresas abandonaram o mercado angolano nos últimos anos: mais precisamente 3883 empresas portuguesas que deixaram de exportar para o país entre 2013 e 2016, devido, em grande parte, à dificuldade em repatriarem os seus capitais.

Outro sintoma deste "abandono" passa pelo número de empresas que participaram na edição de 2017 da FILDA, maior bolsa de negócios do país - apenas 17, contra as 100 que marcaram presença em 2015, quando Portugal foi o país estrangeiro com maior representação. Apesar de tudo, João Traça mantém-se otimista: "As relações entre Portugal e Angola não começaram nos últimos cinco anos e não vão acabar nos próximos cinco anos. É uma relação de muito longo prazo. É por isso que quando há um aumento das importações de Angola, como agora, Portugal consegue aumentar a sua parte também."

Com R.A.



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