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NEGÓCIOS E ECONOMIA

28/08/2017

Nunca se venderam tantos carros em Portugal

As vendas de novos superam as expectativas, mas é nos usados que acontece a revolução. À recuperação da economia e à expansão do crédito junta-se outro motor potente: o turismo

A confirmarem-se os ritmos de crescimento do mercado de carros novos e de usados vão vender-se em Portugal mais de um milhão de carros este ano, um novo recorde. A forte recuperação da confiança na economia, a expansão do crédito automóvel e o salto no turismo são os motores que puxam pelas vendas totais.

Nos carros novos, a associação que representa o sector, a ACAP, previa um crescimento de 2% para as vendas de ligeiros novos de passageiros este ano e de 3% para os comerciais – afinal, depois da crise recorde que assolou o mercado entre 2011 e 2012 (ano em que se venderam menos carros novos do que em 1985), a recuperação levou a taxas de crescimento que chegaram a 68% em 2015.

Mas nos primeiros sete meses deste ano as vendas de ligeiros e comerciais cresceram 7,8% e 11,8% respectivamente. A manter-se este ritmo, o volume total de ligeiros novos vendidos pode vir a ser o maior desde 2002, cerca de 223 mil carros, passando por pouco o pico de 2010, véspera da entrada da troika em Portugal. Nos comerciais este vai ser o melhor ano desde 2010.

Mas o mercado de carros usados, muito maior, está ainda mais efervescente. Os registos de propriedade de carros usados, compilados pela ACAP, mostram a diferença: de 560 mil usados vendidos em 2010, às portas da crise, o mercado passou para 801 mil carros no ano passado. Estes valores estão inflacionados pelos alugueres de longa duração (ALD) – quando o contrato termina há um novo registo de propriedade embora não haja exactamente uma venda – mas ilustram o crescimento fortíssimo do mercado (que neste período passou do dobro para o triplo do de carros novos).

Assumindo os sinais de crescimento nos usados este ano (o site Standvirtual, líder de mercado, prevê um aumento de 15% nas visitas este ano) e o que se passa nos carros novos parece seguro, mesmo descontando o efeito dos ALD (que deverá andar nas dezenas de milhar de carros), que este ano serão vendidos efectivamente mais de um milhão de carros.

A recuperação da confiança na economia (em níveis máximos desde 1986) e a expansão do crédito automóvel (que vale já 41% do crédito ao consumo e vai em mais de 60% para o financiamento de usados) são as explicações mais óbvias para o que se passa no mercado. Mas há outras: das mudanças tecnológicas que aumentam a confiança de quem compra um usado ao grande salto dado no turismo.

Fonte: Sabado.PT



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