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MUNDO

30/08/2017

Portuguesa relata realidade dura e ameaças aos índios no Brasil

Uma portuguesa que integra uma delegação de observadores dos direitos humanos e de ecologistas, que está a visitar terras indígenas no Brasil, disse hoje que encontrou uma realidade muito dura e cheia de ameaças aos índios brasileiros.

"Observamos uma realidade muito dura, cheia de ameaças e confrontos em todas as direções contra este povo indígena (Guarani Kaiowá)", declarou à Lusa Sara Baga, representante da Rede Portuguesa de Solidariedade com os Guarani Kaiowá.

Sara Baga integra a delegação europeia de oito observadores dos direitos humanos e ecologistas que está a visitar as terras indígenas dos Guarani Kaiowá, no Estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, que teve início no dia 23 de agosto e encerra-se hoje.

"Senti uma grande necessidade, principalmente, de denúncia de toda a grande violência a que esta população está sujeita e que é muito grave", disse, sublinhado a enorme violação dos direitos humanos destes povos.

De acordo com a portuguesa, "há uma grande impunidade criminal em relação aos assassínios entre esta população indígena, que com poucos recursos financeiros, tem dificuldades de lutar pelos seus direitos e por justiça nos tribunais brasileiros".

"Observamos a luta dos indígenas pela preservação da sua cultura, para recuperar o seu território e desenvolver o seu estilo de vida tradicional, que necessita de muito espaço", declarou Sara Baga, que contou com o apoio do grupo ecologista GAIA e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) para esta viagem ao Brasil.

Segundo a portuguesa, nas reservas indígenas brasileiras (criadas pelo Governo) visitadas pela delegação, existem muitos índios confinados em espaços muito pequenos e "a sua cultural tradicional está efetivamente a morrer".

Sara Baga explicou que muitos indígenas estão a sair para trabalhar nas cidades e que há uma situação de grande miséria nestas reservas, além da entrada de várias igrejas evangélicas entre estas populações.

"Nas aldeias que estão nos territórios retomados - apesar de todos os riscos e das ameaças que sofrem nomeadamente dos 'jagunços' (milícias armadas) contratados para dar despacho, já que as suas terras (indígenas) estavam nas mãos de grandes latifundiários --, há uma determinação muito grande em recuperar a cultura tradicional", afirmou.

A iniciativa desta visita surgiu a partir de um convite do cacique Guarani Kaiowá Ládio Veron, quando da visita dele a Portugal e outros países europeus no primeiro semestre de 2017. O líder indígena Ládio Veron esteve em Portugal em junho para denunciar a ocupação das terras dos Guarani-Kaiowá pelo agronegócio e a situação precária dos acampamentos em que muitos índios vivem, muitos à beira de estradas naquele estado brasileiro.

A região do Mato Grosso do Sul tem os maiores índices de violência contra os povos indígenas, já que nos últimos 15 anos já terão sido assassinados 400 índios, entre os quais o pai de Ládio Veron, Marcos Veron, em 2003.

No programa estavam previstas visitas aos acampamentos à margem de estradas, às reservas, às áreas de retomadas e aos lugares onde recentemente foram encontrados corpos de indígenas Guarani Kaiowá que eram tidos como desaparecidos.

Os ativistas encontraram-se ainda com investigadores e representantes de entidades que há anos contribuem para a defesa dos povos indígenas da região.

Os oito representantes das associações europeias em questão organizaram-se entre si para fazer essa visita às terras dos Guarani-Kaiowá.

Os outros membros da comitiva europeia são Rosemeire Jorge (Brasil/Espanha), Gabriel Priego Vico (Espanha), Katharina Mähler (Alemanha), Sabrina Tschiche (Alemanha), Mariangela Casalucci (Marita, Itália), Paulo Lima (Brasil/Itália), Jordi Ferré Losa e Karai Mirim (Brasil/Catalunha).

Fonte: DN.PT



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