home > notícias

MUNDO

25/09/2017

Mostra reúne destaques do design brasileiro, em Portugal

Exposição no Jardim Botânico Tropical de Lisboa vai muito além de ícones do mobiliário.

A exposição “Como se pronuncia design em português: Brasil hoje”, inaugurada ontem no Jardim Botânico Tropical de Lisboa, vai muito além de ícones do mobiliário. Idealizada pelo Museu do Design e da Moda (Mude), a mostra reúne 50 projetos que revelam ideias de consumo, patrimônio e cidadania desenvolvidas por e para brasileiros — da revolucionária embalagem de xampu da Natura que pode ser espremida à última gota ao pingente de ouro criado por Guto Requena a partir de ondas cerebrais. A curadoria da exposição, que fica em cartaz até o fim do ano, é assinada pelo português Frederico Duarte, crítico de design que está fazendo doutorado sobre design brasileiro contemporâneo no Victoria & Albert Museum, em Londres.

— Quais são os projetos de design brasileiro mais interessantes produzidos hoje? Irmãos Campana? Não diria que eles são o exemplo mais importante, tanto que não estão nesta exposição — pondera o curador. — Para mim, a embalagem do xampu da linha Sou, da Natura, desenvolvida pelas agências Tátil e Questto Nó, é o objeto de design brasileiro do século XXI. A mulher brasileira é quem no mundo mais gasta per capita em produtos de beleza... A criação é isso: o produto revolucionando a forma de consumo.

Nomes do quilate de Isay Weinfeld também não têm vez. O único projeto de moradia em exibição é a Casa Vila Matilde, do escritório paulistano Terra e Tuma, construída para uma diarista aposentada na Zona Leste de São Paulo. Dossiês apresentam detalhes da obra, que integrou o Pavilhão do Brasil na 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza.

— É um exemplo de design acessível, capaz de desafiar a expectativa internacional sobre a arquitetura brasileira, conhecida sobretudo por obras públicas de arrojo moderno e casas particulares de luxo contemporâneo — diz Frederico.

Expoentes da nova geração de designers, Rodrigo Calixto e Guilherme Wentz estão na exposição com os trabalhos Xiloteca Brasilis e Jarra Pós-Tropical, respectivamente.

— Ao mesmo tempo que é considerada uma peça decorativa, a Xiloteca Brasilis tem o aspecto de salvaguarda das madeiras brasileiras. E a Jarra Pós-Tropical, feita com madeira carbonizada de árvores das ruas de Caxias do Sul, uma cidade brasileira onde neva no inverno, aponta para a questão da diversidade do clima no país — observa o curador. — Design é complexo, e o Brasil é complexo. Quero que o visitante saia da exposição com mais dúvidas do que certezas. Muitas vezes, nós, portugueses, pensamos que conhecemos o Brasil. E, na verdade, não é bem assim.

Fonte: O Globo



NOTÍCIAS RELACIONADAS
19/09/2018
Animação portuguesa candidata a nomeação aos prémios César
19/09/2018
RTP já tem Festival da Canção 2019 em andamento
19/09/2018
Semana das Culturas Estrangeiras em Paris com programação portuguesa
19/09/2018
Ronaldo: "Christianinho diz que vai ser melhor do que eu mas penso que será difícil"
19/09/2018
Mostra em São Paulo traz obras de Rafael nunca expostas no Brasil
19/09/2018
Turismo de Portugal volta a estar presente na mais importante feira de turismo São Paulo