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NEGÓCIOS E ECONOMIA

16/10/2017

Web Summit. A máquina que transforma os negócios das startups

Das 67 startups que participaram na Road 2 Web Summit maioria mantém-se no mercado.

É uma máquina transformadora de startups. Mergulharam na Web Summit e quatro dias depois saíram com um novo modelo de negócio para o seu projeto. Aconteceu a pelo menos cinco das 67 startups que participaram no Road 2 Web Summit.
 
Mas houve também quem fechasse após anunciar uma ronda de investimento de dois milhões. Na Infinite Foundry tudo mudou. Até o nome. “Éramos uma empresa puramente técnica. Em 2017 pusemos todo o enfoque no modelo de negócio e em aspetos legais. Fizemos também um rebranding para Infinite Foundry”, conta André Godinho Luz, CEO da ex-Glexyz, plataforma de simulação em 3D.
 
Efeito transformador que também se fez sentir na GuestU. Antes da cimeira a aplicação na área de turismo focava-se no consumidor (B2C), depois “mudámos significativamente a estratégia de produto”, diz o CEO Euclides Major. Lançaram “com sucesso”, o GuestU Phone, smartphone disponível nos quartos de hotel para os clientes acederem a serviços do hotel e da cidade que estão a visitar. Na Helppier – software para criar tutoriais interativos – o impacto fez-se sentir “numa mudança de tecnologias e de estratégia”, diz a empresa de Hugo Magalhães. Há uma Storyo antes e depois da Web Summit “principalmente na vertente de produto”, admite Filipe Vasconcellos.
 
“Reunimos importante feedback sobre a aplicação, que originou novas funcionalidades ao problema que queremos resolver: transformar ‘rolos de câmara’ e dados em histórias.” Agora querem expandir e estabelecer parcerias no B2B. Já a Spindots, rede social de troca de descontos, separou ao nível do produto e criou “uma solução de gestão de comunidades. Estamos prestes a assinar um contrato com dois retalhistas relevantes a nível nacional e internacional”, conta o cofundador Rúben Domingues. Objetivo para 2018? Ser startup beta.
 
A história da Kinematix teve um fim abrupto. Tudo parecia correr de vento em popa. Preparavam-se para lançar um wearable na área da corrida, o Tune, e anunciaram uma ronda de investimento de 2 milhões da Portugal Ventures, a sociedade de capital de risco do Estado. O nirvana, para qualquer startup que vai à cimeira.
 
Em três meses tudo mudou. “Nos primeiros dias de fevereiro, a Kinematix iniciou o processo de fecho, por decisão da Portugal Ventures”, lamenta o fundador, Paulo Ferreira dos Santos. “Ainda não sei a razão da surpreendente decisão.” Ainda assim recomenda o evento. “Se não forem com a expectativa de que será esse evento que mudará o rumo do sucesso ou que aí conseguirão investimento.”
 
A trabalhar em realidade aumentada, a LusoVu ganhou na cimeira um contacto que lhe valeu uma visita à sede do Facebook. “Todos os outros contactos foram bastante fracos. Não vamos voltar a participar”, diz o CEO Ivo Vieira. No projeto que estão a desenvolver com o CENIMAT, o instituto de pesquisa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a cimeira não teve influência.
 
“A Web Summit é uma espécie de fast food para startups que faz com que os investidores nem se queiram aproximar dos stands para não serem assediados.” Na área da saúde, as que participaram em 2016 baixam as expectativas. “Para nós não tem uma oferta muito vasta”, relata João Pedro Ribeiro, CEO da startup médica PeekMed. A Treat U não vai voltar.
 
“As pessoas não andam na Web Summit à procura de medicamentos”, diz Vera Moura, CEO da plataforma que recorre à nanotecnologia para prevenir efeitos secundários nos tratamentos oncológicos. E o mesmo conta Vasco Varela da PETsys Electronics. A cimeira “está sobretudo focada no digital e na Internet”, o que não é o caso da Petsy que desenvolve um dispositivo de deteção do cancro.
 
“Preparação, preparação e preparação” é o conselho de Aurora Baptista para espremer o máximo da participação. Ser uma das 67 foi o “click para outro patamar”, diz a CEO de BeeVeryCreative. Este ano a empresa de impressão 3D já tem estratégia: reforço de equipa de 4 para 9 pessoas; marcar entrevistas antes e depois e capitalizar nos momentos de networking fora dos horários do evento.
 
Estratégia que a Hole19 também vai seguir. “O ambiente fora de horas e fora da conferência acaba por ser muito mais conducente a conhecer pessoas interessantes e a formar relações mais significativas”, diz Gil Belford, responsável de operações. Networking e perceber que os ‘dramas’ são os mesmos foi o que João Jesus, CEO da Cuckuu, retirou da sua segunda participação. Estarem incubados em Londres deverá impedir o regresso. “A Web Summit é muitas coisas: investimento, palestras e net-working. Vamos tirar partido de tudo”, espera Luís Pinto, líder da Pet Universal (gestão de clínicas veterinárias).
 
O melhor é gerir expectativas. “Vimos muitas startups saírem desapontadas por não terem conseguido imediatamente fechar uma ronda de investimento. O mundo real não funciona dessa forma, leva tempo”, diz José Feliciano Duarte, responsável de marketing da MitoDiets. “Participar é só o primeiro passo. O trabalho sério vem todo a seguir.”

Fonte: Portugal Global



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