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NEGÓCIOS E ECONOMIA

16/10/2017

Mercado imobiliário do Porto em franca expansão

A falta de escritórios também se faz sentir no Porto e novos projectos estão previstos para 2018. O mercado residencial ganha cada vez mais investidores, a procura de lojas de rua aumenta e o turismo cresce.

Estas são algumas conclusões do estudo realizado pela consultora CBRE, o Marketview “Mercado Imobiliário do Porto”, um documento que pretende partilhar uma visão do atual mercado imobiliário na cidade.
 
De acordo com os dados analisados pela consultora, o Grande Porto tem uma procura dinâmica no mercado de escritórios que é condicionada por uma escassez de espaços de qualidade disponíveis para arrendamento, o que pressiona a subida das rendas prime. Actualmente o mercado de escritórios do Porto, que integra os concelhos de Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Maia, contabiliza cerca de um milhão de metros quadrados de espaços empresariais.
 
Devido à reduzida disponibilidade, a renda prime na principal zona empresarial do Porto (Boavista) aumentou 4% para 14,00 euros/m2/mês, em 2017, face a igual período do ano passado. Nas restantes zonas empresariais do Porto e nos concelhos confinantes a renda prime varia entre 10 e 12,5 euros/m2/mês.
 
A consultora avança que para 2018, está prevista a abertura de novos edifícios de escritórios, após quatro anos sem inaugurações. Um dos projectos em construção é o Urbo Business Center, em Matosinhos, com uma área de 13.500 m2.
 
Ainda na zona de Matosinhos está prevista a expansão do Centro Empresarial da Lionesa para mais 50.000 m2.
 
"O principal motor desta dinâmica é o turismo, cujos indicadores crescem ano após ano. O Porto está efectivamente no radar do turismo, o que se reflecte no reconhecimento da cidade como o Melhor Destino Europeu 2017, um prémio que já tinha sido atribuído em 2012 e 2014", revela Francisco Horta e Costa, Diretor geral da CBRE.
 
O estudo aponta efectivamente que o turismo tem um impacto directo no alojamento turístico, e no crescimento da actividade comercial da cidade, principalmente, no centro histórico, com a abertura de diversas novas lojas. Nesta zona foram desenvolvidos vários projectos de reabilitação urbana, nomeadamente de hotéis e habitação, que disponibilizam novos ou mais qualificados espaços comerciais no piso térreo desses imóveis.
 
Comércio de rua pujante
 
A CBRE destaca ainda a Rua de Santa Catarina, uma das principais artérias de comércio no Porto, como a rua que regista o maior tráfego pedonal em Portugal e uma média de 4.200 pessoas por hora no período de maior afluência. Esta rua e a zona dos Clérigos continuam a ser as localizações mais procuradas pelos retalhistas na cidade do Porto.Nestas zonas premium, a CBREdestaca a abertura este ano da loja de moda Tiffosi bem como a chegada ao Porto de duas marcas nacionais – a Fábrica da Nata e a Manteigaria –, ambas especialistas no fabrico de pastéis de nata. Até ao final do ano, deverá ainda ser inaugurada uma nova loja da Perfumes & Companhia e duas lojas da Starbucks.
 
Entre Janeiro e Setembro, a renda prime na Rua de Santa Catarina manteve um valor de 45 euros/m2/mês, o que representa uma subida de 30% face ao terceiro trimestre de 2016. "A CBRE prevê uma nova subida da renda prime, impulsionada pela reduzida disponibilidade de imóveis e a colocação no mercado de espaços de melhor qualidade", sublinha o Marketview.
 
No futuro, a CBRE estima que a Avenida dos Aliados, uma das principais artérias do Porto, seja considerada a próxima zona prime de comércio da cidade. Cristina Arouca, Diretora de Research Portugal da CBRE acredita que "devido às transacções e remodelações de diversos imóveis, nos últimos dois anos, serão criadas oportunidades para atrair marcas premium e de luxo para a Avenida dos Aliados".
 
Embora o mercado de investimento em imobiliário comercial do Porto apresente um historial de reduzida liquidez e a presença de investidores internacionais seja residual, 2017 fica marcado pela alienação de dois edifícios de escritórios, ambos adquiridos por investidores nacionais.
 
Investidores estrangeiros compram imóveis para reabilitar
 
É de destacar ainda a aquisição de terrenos para desenvolvimento e de imóveis para reabilitação por parte de investidores estrangeiros. A CBRE sublinha que o fundo de investimento saudita MEFIC Capital, em conjunto com a gestora inglesa de activos imobiliários Round Hill Capital, adquiriu um terreno com 78.000m2. Este projecto deverá dar lugar a um imóvel misto incluindo habitação, alojamento para estudantes, hotel, escritórios e espaços comerciais. "Tendo em conta o aumento significativo de procura de localizações no Porto, acreditamos que até ao final do ano, surjam outros investimentos em terrenos de grande dimensão", refere Luís Mesquita, Business Developer da CBRE Porto.
 
Com estas movimentações no mercado e outros projectos que se encontram em negociação, o investimento em imobiliário comercial voltou a estar mais dinâmico. Neste âmbito, a CBRE estima que em breve o mercado assista a um arranque de novos projectos.
 
Logística em expansão
 
No Marketview “Mercado Imobiliário do Porto”, a CBRE identifica seis zonas relevantes para o mercado de logística na região do Grande Porto – Aeroporto, Maia, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Vila do Conde e Alfena. Nos primeiros nove meses do corrente ano, as rendas prime mantiveram-se estáveis em todas as zonas do Grande Porto, situando-se nos 3,50€/m2/mês na Zona Industrial da Maia.
 
De janeiro a setembro do corrente ano foram ocupados 130.000 m2 de espaços de logística na zona do Grande Porto. Esta actividade logística foi impulsionada pela conclusão do Centro de Distribuição Logístico do Grupo Jerónimo Martins, em Alfena, com uma área de 79.000 m², e ainda de mais três projectos de construção à medida para a ID Logistics, a Kartel e a Friopuerto.
 
No relatório, a CBRE acentua que a relocalização da Jerónimo Martins contribuiu para o aumento do espaço livre no Grande Porto, no qual a taxa de disponibilidade era apenas de 2%, o que condicionava a satisfação da procura por espaços no mercado. A conclusão deste projecto deu origem a mais 30.000 m2 de espaços logísticos disponíveis para arrendamento no grande Porto. Apesar disso, continuam a não haver promoções, a não ser de projectos desenvolvidos à medida dos ocupantes, como por exemplo, o imóvel de 12.000 m2 em construção para a TorresTir, em Matosinhos.

Fonte: Portugal Global



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