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30/10/2017

A robótica e o mercado de trabalho [EY do Brasil]

A alteração económica e social que se avizinha é de tal modo profunda, que me choca, e muito, que os decisores políticos não falem, não comentem, nem estudem ou pensem no enorme desafio que temos pela frente. Não falei em problema propositadamente.

O caderno de Economia do Expresso tinha, no passadofim-de-semana, uma referência a diferentes números que descrevem uma mudança e uma alteração de paradigma industrial, económico e social que nos deve fazer pensar e cito: “O Fórum Económico Mundial defende que os avanços da robótica podem colocar cinco milhões de profissionais no desemprego até 2020. A consultora Ernst & Young (EY) estima que em sete anos um em cada três empregos possam ser substituídos por tecnologia inteligente. A Universidade de Oxford avança que 47% dos empregos que hoje conhecemos estão condenados a desaparecer num horizonte de 25 anos e um estudo agora divulgado pela consultora CB Insights garante que a automação e a robótica colocarão mais de 10 milhões de empregos em risco nos próximos cinco a dez anos.”

Siderado com a previsão do futuro incerto? Eu, confesso desde já, fiquei. Estamos todos com os nossos postos de trabalho e profissões no limbo. Todos. Dizer que um terço da população irá perder o emprego devido ao avanço da inteligência artificial e da automação é dizer, alto e bom som, adaptem-se. E é tempo de nos adaptarmos, de nos preparar-nos para a mudança. A evolução tecnológica, o avanço da máquina não pode colocar em causa o motor dessas mudanças. Falo do ser humano. Falo das nossas necessidades. O uso das novas tecnologias não pode colocar de parte a valia, perdão, a mais-valia dos seres humanos. Nem a máquina nos faz feliz, nem os humanos, empregados ou não, são descartáveis. Não pode ser e recuso-me a viver numa sociedade de usar e deitar fora, sem respeito pela pessoa humana. O avanço tecnológico é muito importante. Ajuda o Homem, não pode, nem deve ser um problema. Todavia, perante este avanço inelutável não podemos ficar de braços cruzados ou a viver prisioneiros do passado. A legislação, sobretudo a laboral, deve ser ponderada e flexível, susceptível de acomodar as mudanças de um mundo que não para, por muito que alguns o desejassem. Desde as horas de trabalho, com saldo acumulável, mas não insuportável, ao uso do teletrabalho, passando por evidentes mutações do relacionamento pessoal e social, tudo está em causa. A máquina vem ajudar, mas não pode substituir tudo e todos. Claro que a Via Verde, por exemplo, ou os veículos de condução autónoma colocam em causa o trabalho do portageiro ou do motorista. Mas isto são desafios. E os desafios merecem ter respostas sensatas e inovadoras. A cada nova criação vêm associados novos problemas, que, depois de debelados, gerarão novos ganhos para a sociedade.

E como dar a volta a esta situação? É este o debate que gostava de ver feito no nosso País. Nada é pior do que uma mudança repentina e disruptiva, que nos apanha de surpresa. Esta história já a sentiram os trabalhadores e empresários do Vale do Ave, do têxtil e do calçado, aquando da entrada da China e Índia nos mercados europeus, na sequência do acordo Multifibras feito na Organização Mundial do Comércio, então chamada GATT. Os empresários que apostaram na diferenciação pelo design, pela marca própria, pela qualidade, conseguiram sobreviver ao aumento da competição internacional. Com as devidas diferenças, a inteligência artificial e a automação são um desafio semelhante. Irão requerer uma aposta na formação, pois só ela dará as ferramentas necessárias, para estar à altura dos desafios que rapidamente chegam a nós. Não podemos “lutar” contra aquilo que não conhecemos, para vencer um “inimigo” é preciso conhecê-lo.

O debate político, em detrimento de tantas tricas, chicana e questões acessórias, deveria pegar nestes temas. Quem, no actual panorama político português, se debruça sobre os desafios do século XXI e deixa de lado as tricas políticas e partidárias? Isto sim é um tema de um líder para o futuro.

Fonte: Expresso Sapo



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