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MUNDO

30/01/2018

Nova presidente do IC empenhada em promover a cultura de Macau no exterior

No espaço de apenas um ano, o Instituto Cultural está prestes a conhecer a sua quarta dirigente. Mok Ian Ian será a nova presidente e sucede a Cecília Tse, que ontem apresentou a sua demissão por motivos de doença. Alexis Tam evocou a competência profissional e a experiência na Administração Pública da futura dirigente para justificar a aposta em Mok, que recebeu já a concordância de Chui Sai On. Ao PONTO FINAL, a dramaturga e encenadora assumiu que o intercâmbio cultural e a promoção de Macau no exterior vão ser as suas prioridades no novo cargo.

Catarina Vila Nova

 

Foi em Nanjing que Mok Ian Ian soube, ontem à noite, que tinha sido indicada por Alexis Tam como a próxima presidente do Instituto Cultural (IC), poucas horas depois de Cecília Tse ter apresentado a sua demissão por razões de saúde. O PONTO FINAL sabe que Chui Sai On concordou com a escolha do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura e, assim, a dramaturga e encenadora será a quarta presidente do instituto no espaço de um ano. A este jornal, Mok assumiu que não ficou muito surpreendida ao receber a notícia, por acreditar que tem as competências necessárias, suportada pelo conhecimento que diz ter da cena cultural, não só de Macau mas também da China continental. O estreitamento das relações culturais e a promoção no continente europeu da arte produzida na RAEM são, de resto, um dos principais pilares que vão suportar as futuras políticas de Mok Ian Ian.

“Vai existir um maior intercâmbio cultural porque os Governos de Macau e da China estão a aplicar esforços no campo cultural. Nós vamos esforçar-nos para que cada vez mais pessoas conheçam a cultura de Macau e saibam que Macau também tem história e cultura. Não apenas na China continental, porque eles são apenas parte do trabalho futuro, mas também na Europa e em Portugal”, declarou a futura presidente do IC, que é também membro da Associação de Escritores Chineses.

Segura das suas credenciais, a dramaturga salientou que, durante 10 anos, trabalhou em Pequim para o Governo da RAEM como promotora cultural, tendo facilitado o contacto de artistas locais com galerias da capital chinesa. “Eu sempre me esforcei por promover o intercâmbio cultural entre Macau e algumas cidades chinesas”, frisou. Ciente das diversas áreas que estarão sob a sua alçada, Mok, que é autora de textos para teatro como “Regresso ao Sonho – As Óperas Tradicionais de Macau”, aponta como prioridades as artes plásticas e performativas, o cinema, os museus e o património da cidade.

Ainda que não saiba quando vai assumir funções, por estar ainda a aguardar pela confirmação oficial do Chefe do Executivo, Mok Ian Ian não duvida que terá o apoio da comunidade de artistas locais. “Eu tenho muitos amigos que vêm do campo cultural e acredito que eles me vão apoiar na promoção e desenvolvimento da cultura de Macau”, garantiu a futura dirigente, de 47 anos, que regressa hoje a Macau, vinda de Nanjing. Quando chegar ao território, a dramaturga pretende reunir com a sua futura equipa para se inteirar das expectativas e ideias dos restantes funcionários do IC.

 

“EU CONHEÇO A CULTURA, NÃO APENAS A CULTURA DE MACAU MAS TAMBÉM DA CHINA”

 

Por enquanto, Mok Ian Ian afirma que “o mais importante agora é manter o bom funcionamento do instituto”. E acredita que terá capacidade para trazer a tão esperada estabilidade ao organismo? “Eu acredito que tenho capacidade profissional para trabalhar no IC”, responde, sem hesitação. “Eu conheço a cultura, não apenas a cultura de Macau mas também da China e, por isso, eu conheço a situação de Macau e da China”, rematou.

Em comunicado, Alexis Tam explicou que considera que “Mok Ian Ian possui a competência profissional e as aptidões necessárias para assumir o cargo de presidente do IC devido à sua experiência na Administração Pública e conhecimento sobre o desenvolvimento artístico e cultural local”. Mok exerce funções como técnica especialista no Gabinete de Comunicação Social desde Abril de 2017 e, anteriormente, era membro do Conselho de Administração do Fundo das Indústrias Culturais, tendo também chefiado a Divisão de Projectos Especiais do IC. A futura dirigente, que ingressou na função pública em 1994, é mestre e doutorada  em Ciência de Teatro Chinês pela Universidade de Nanjing e licenciada em Jornalismo Internacional pela Universidade de Jinan. A escritora é natural de Penglai, província de Shangdong.

Mok Ian Ian, cujo nome em mandarim é Mu Xinxin, foi convidada das últimas duas edições do Festival Literário de Macau – Rota das Letras. Como autora, assinou obras dramatúrgicas como “Os Artigos Históricos sobre as Obras Teatrais Tradicionais de Macau” e foi responsável pela edição do livro “O Sabor de Antiguidade das Letras – O Paladar dos Escritores de Macau”. Mok foi ainda a editora executiva principal da série “Colecção Literária de Macau”, uma co-edição da Fundação Macau e da Editora de Escritores da China.

A dramaturga irá ser a quarta dirigente do Instituto Cultural no espaço de um ano, sucedendo a Cecília Tse, que se encontra de baixa médica desde Dezembro último. Por sua vez, Tse tinha sido a sucessora de Leung Hio Ming, que apresentou a demissão na sequência das contratações ilegais de funcionários através do regime de aquisição de serviços, tendo exercido funções durante menos de um ano. Guilherme Ung Vai Meng foi o último presidente do IC a trazer estabilidade ao organismo, ao permanecer no cargo durante sete anos.

 

 

“Nós não vemos uma direcção clara [das políticas culturais] para o futuro”

 

Com a quarta presidente do Instituto Cultural (IC) no espaço de um ano, a encenadora Jenny Mok diz não saber o que esperar. “Nós, a comunidade local de artistas, questionamo-nos porque não sabemos qual é a direcção da política. Todos os anos, quando o Chefe do Executivo apresenta as Linhas de Acção Governativa, a parte cultural é sempre vaga e nós não vemos uma direcção clara [das políticas culturais] para o futuro”, criticou a directora da Associação de Arte e Cultura Comuna de Pedra. Jenny Mok não acredita que os problemas que diz existirem no IC sejam resolvidos apenas num ano e simplesmente com uma mudança de direcção. “É preciso um esforço consecutivo e também uma visão clara”, afirmou. E espera que, com a entrada de Mok Ian Ian, o IC preste uma outra atenção às artes performativas? “Eu penso que é importante que alguém esteja por dentro do teatro mas o IC não consiste apenas no teatro. Eu espero que ela [Mok Ian Ian] se esforce para promover um desenvolvimento saudável da cena cultural, não apenas do teatro”, declarou.

 

“O presidente não tem que ser um artista, ele tem que ser é um gestor”

 

Jorge Morbey, presidente do Instituto Cultural (IC) entre 1985 e 1989 defendeu, em declarações ao PONTO FINAL, que “o IC, concretamente o que necessita, é de bons gestores e que não sejam incultos”. “Mas não necessitam de ser especialistas de uma área concreta da cultura, isso é apenas uma vontade de ornamentar o lugar de presidente com um músico ou com um dramaturgo ou um artista plástico. O presidente não tem que ser um artista, ele tem que ser é um gestor”, reiterou o antigo conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Pequim. Morbey afirmou não ter “expectativas nenhumas” quanto à nova presidente do IC, por o instituto não ter tido “propriamente um desempenho brilhante” nos últimos tempos. “Eu não esperava nada porque as equipas que têm chefiado o IC também não se têm recomendado muito”. E considera que Cecília Tse tenha sido uma má escolha por parte de Alexis Tam? “Eu não digo que tenha sido uma má escolha, ao que parece, o que é evidente é que a escolha não foi acertada porque se a pessoa já estava doente era melhor terem-na deixado sossegada”, considerou.

Fonte: https://pontofinalmacau.wordpress.com/2018/01/30/nova-presidente-do-ic-empenhada-em-promover-a-cultura-de-macau-no-exterior/



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