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NEGÓCIOS E ECONOMIA

08/02/2018

Economia abranda em 2018 após crescimento "mais rápido da década"

A Comissão Europeia está mais otimista para o crescimento económico, mas estima que o PIB europeu abrande este ano depois de ter atingido em 2017 "o ritmo mais rápido da década" - e o mesmo deverá acontecer em Portugal.

Nas previsões económicas intermédias de inverno, divulgadas hoje, a Comissão Europeia melhorou as projeções para o crescimento económico na Europa, estimando que depois de se fixar nos 2,4% em 2017, "o ritmo mais rápido da década", abrande ligeiramente este ano, ao subir 2,3%.

A Comissão tem o mesmo entendimento sobre a economia portuguesa: revê ligeiramente em alta, em 0,1 pontos percentuais, as projeções sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas avisa que este ano a economia deverá subir menos do que em 2017.

Bruxelas antevê que o PIB português tenha crescido 2,7% no ano passado, até ligeiramente acima do previsto pelo Governo, e que venha a subir 2,2% no conjunto deste ano.

A confirmarem-se as perspetivas da Comissão, a economia portuguesa não só perde ritmo, como volta a divergir da média europeia, ao crescer abaixo do conjunto da moeda única.

Segundo a Comissão Europeia, esta melhoria das perspetivas no conjunto resulta, por um lado, "de uma melhor dinâmica conjuntural na Europa, onde a situação dos mercados de trabalho melhora e a confiança económica é particularmente elevada, e, por outro lado, de uma recuperação mais vincada do que o previsto da atividade económica mundial e das trocas comerciais internacionais".

Para o crescimento económico de 2017, cuja primeira estimativa será divulgada na próxima semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), Bruxelas aponta que terão contribuído as exportações e as importações, que tiveram uma "'performance' forte, refletindo o sentimento económico sentido por toda a Europa e a capacidade de atualização da maior produtora de carros em Portugal", a Autoeuropa.

Para 2018, a Comissão afirma que "o investimento deve continuar a apoiar o crescimento, ao beneficiar de melhores condições de financiamento e de maiores lucros empresariais", mas avisa que o comércio externo deve abrandar, embora "ainda deva crescer mais rápido do que a procura interna, que deve cair depois de um contributo muito forte em 2017".

O abrandamento do crescimento da economia portuguesa este ano é justificado com o "desenvolvimento salarial moderado e uma pequena subida da taxa de poupança".

O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva, congratulou-se com as estimativas da Comissão Europeia relativas ao crescimento deste ano da economia portuguesa, que considerou ser um contributo para reduzir as assimetrias e as desigualdades.

Vieira da Silva defendeu que as estimativas da Comissão Europeia sobre o crescimento do PIB português, hoje divulgadas, são "todas positivas" quanto às empresas, ao sistema da Segurança Social e aos indicadores de emprego e de investimento.

Os dados, segundo o ministro, apontam para que o país possa atingir, não apenas um crescimento superior ao que estava estimado, mas um incremento que "possa ser sustentado no tempo e, dessa forma, contribuir para reduzir as assimetrias e as desigualdades" no país.

O Bloco de Esquerda (BE) saudou as boas previsões económicas da Comissão Europeia para Portugal e disse esperar que os resultados conduzam a mais emprego, mais distribuição de rendimento e melhores condições de vida.

O deputado do BE Pedro Filipe Soares lembrou aos jornalistas que "essas são as políticas" adotadas "neste novo ciclo político desde 2015", com o Governo de minoria, com o apoio parlamentar do PCP, BE e PEV, "muitas das vezes contra a vontade da Comissão Europeia, mas sempre vencendo os maus prognósticos" de Bruxelas.

O PCP relacionou as estimativas da Comissão Europeia para Portugal com as medidas de recuperação de direitos e rendimentos seguida pelo Governo, mas admitiu que não fica descansado com as previsões.

As "previsões do crescimento económico" hoje divulgadas "não estão desligadas da reposição de direitos e rendimentos" dos últimos anos, ao contrário do que a União Europeia defendia e defende, afirmou aos jornalistas o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, na Assembleia da República, em Lisboa.

"Ainda assim estes dados económicos não nos descansam quanto aos problemas estruturais do país", acrescentou, criticando a "falta de respostas" da parte do executivo para os "setores produtivos, para o investimento público e quanto ao controlo de setores estratégicos" do país.

O porta-voz do CDS-PP, João Almeida, considerou preocupante a confirmação de que o crescimento da economia portuguesa está a "perder gás" e defendeu incentivos ao investimento privado para contrariar a tendência.

"Estes indicadores são preocupantes porque sabemos que depois de passada a crise é fundamental ter um crescimento sustentado. O que vemos é que esse crescimento não só não é sustentado como está a perder gás", afirmou o deputado João Almeida, em declarações aos jornalistas, no parlamento.

Fonte: Diário de Notícias



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