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MUNDO

21/02/2018

Cultura popular nordestina é destaque em festival europeu - Brasil

Por entre as veredas do sertão nordestino, a comunicação e a arte têm perímetros muitos. Versos, repentes, cantorias, cordéis, xilogravuras, poesias e outros tantos contornos se afirmam na arte popular, de forma espontânea e com uma simplicidade sagaz. Estes estilos criaram raízes por aqui, tornando o Brasil referência mundial.

Hoje, os poetas cearenses Geraldo Amâncio, Jorge Macedo e Klévisson Viana desembarcam em Portugal para conversar sobre cordel, cantoria e poesia popular. O palco será a Universidade de Aveiro, onde artistas de Portugal, Espanha e Marrocos também estarão a postos, em uma espécie de intercâmbio, durante o I Festival Internacional do Verso Popular, o chamado FestCordel.

Além de Aveiro, as cidades de Murtosa, Estarreja e Albergaria-a-Velha recebem as discussões, entre os dias 21 de fevereiro e 4 de março. O evento, organizado por António de Sousa Abreu, se dedica a discutir e valorizar as tradições da cultura popular.

Arte criada no Renascimento europeu, o cordel viajou o mundo e teria chegado ao Brasil por meio do cantador Silvino Parauá, quando os portugueses colonizaram nossas terras. Depois dele, conta Klévisson Viana, viriam Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista, nomes reverenciados pelas gerações posteriores. Autor de literatura de cordel e de histórias em quadrinhos, Klévisson faz parte de uma geração que tem fortalecido este elemento da cultura popular no contexto nacional, levando o cordel para as grandes editoras, muito além dos folhetos.

“A gente herdou essa semente da Península Ibérica, mas ela tomou corpo, tomou forma própria. Aqui no Nordeste, o cordel e a cantoria são mais fortes do que em qualquer outro lugar do País”. Segundo Klévisson, isto deve-se ao fato de que o nordestino do sertão, por não ter fácil acesso aos meios de comunicação, passou a usar o cordel como meio de comunicação, de difundir informações e até de entretenimento.

“Hoje, a literatura de cordel é estudada de Norte a Sul do País. A coisa chegou a esse patamar. E estamos lutando para que seja reconhecido como Patrimônio Imaterial do País”, contextualiza o autor. Para ele, hoje, existe uma maior valorização da literatura popular de cordel do que havia 20 anos atrás. “Melhorou muito, mas ainda é incipiente, comparado ao valor da nossa literatura de cordel. Mas melhorou muito, sim”, comemora.

“Nós estamos levando a cantoria para o lugar onde ela nasceu”, resume o cantador e repentista Geraldo Amâncio, que conta mais de 50 anos de trajetória. “O repente existe em quase todos os países do mundo. Mas foi no Nordeste do Brasil onde a história mais incorporou, onde esteve mais forte. Exatamente por essa vertente da comunicação, o repente enraizou-se mais aqui”.

Geraldo lembra que sua geração fez acontecer diversas inovações, novos motes e novos desafios. “Depois da criação de novos estilos, muita gente bebeu dessa fonte, como Fagner, Alceu, Amelinha, Geraldo Azevedo”, considera. Mas, para o repentista, ainda existem duas carências nesta área cultural: renovação de público e criação de novos estilos.

O poeta cordelista e xilografista Eduardo Macedo avalia que “resistência” é um termo que atravessa a cultura popular no Brasil. “Com a democratização dos meios de comunicação e o crescimento da internet, existem puristas que acreditam que o cordel tem de se restringir ao folheto, por exemplo. O cordel é a forma literária. Ele pode ser veiculado, num blog, no Facebook, em PDF. A divulgação e o fomento da cultura popular nos meios digitais é muito importante para que essa cultura resista”, aposta.

Fonte: O Povo



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