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NEGÓCIOS E ECONOMIA

20/03/2018

Desde 1999 que o spread de Portugal face aos EUA não era tão baixo

A taxa de juro de Portugal quebrou, pela primeira vez desde Abril 2015, a barreira de 1,7%. O prémio de risco face à Alemanha e França está em mínimos de 2010. Já contra os EUA o spread não era tão baixo desde 1999.

A taxa de juro associada à dívida de Portugal a 10 anos está a descer 3,7 pontos base para 1,705%, tendo já tocado esta manhã nos 1,697%. É assim a primeira vez desde Abril de 2015 que a "yield" da dívida a 10 anos negoceia abaixo da barreira dos 1,7%.

Mais que quebrar esta barreira, os juros de Portugal continuam a marcar mínimos no que toca ao seu spread. A diferença dos juros a 10 anos face às bunds é a mais baixa desde Abril de 2010, assim como face aos juros franceses.

Surpreendente é a diferença face à dívida americana. Há quase 20 anos que o prémio de risco não era tão baixo. Com a taxa de juro a 10 anos a subir 1,1 pontos base para 2,8665%, Portugal está com uma taxa em mais de 100 pontos base mais baixa. Esta é a maior diferença desde Junho de 1999.

A contribuir para este aumento do diferencial de juros estão vários factores. Destaca-se o facto de a Reserva Federal (Fed) dos EUA estar num ciclo de subidas de juros. E ainda que se espere que amanhã seja anunciado mais um aumento de 25 pontos base no preço do dinheiro americano, os investidores continuam a especular sobre um acelerar do ritmo de aumento de juros nos EUA.

Este é um dos factores que impulsionam os juros. Especialmente porque na Zona Euro a perspectiva é de manutenção da política monetária por mais tempo. A taxa de juro aplicada pelo Banco Central Europeu (BCE) está em 0% e o programa de compra de dívida vai manter-se em 30 mil milhões de euros pelo menos até Setembro.

Esta diferença de abordagens pelos dois bancos centrais dita, por si só, comportamentos distintos dos juros das duas regiões. 

A contribuir para esta diferença está também a guerra comercial, que tem ditado alguma apreensão dos investidores e contribuído para uma subida dos juros do país. O elevado endividamento dos EUA e as tensões políticas entre os EUA e outros países, como a Coreia do Norte, bem como as tensões políticas no seio da administração Trump também têm ajudado nesta subida das taxas de juro no mercado internacional. 

Fonte: Jornal de Negócios



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