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04/04/2018

Após PagSeguro, UOL busca investidores para outros negócios [Mattos Filho]

Depois de uma bem-sucedida abertura de capital de sua unidade de pagamentos on-line, o PagSeguro, o UOL se movimenta para negociar outras de suas empresas - seja por meio da venda direta a potenciais compradores ou da entrada desses negócios em bolsa.

É uma estratégia curiosa. Em 2005, a companhia de internet ingressou na Bolsa de Valores de São Paulo - a então Bovespa e atual B3. Entre o fim de 2011 e início de 2012, recomprou as ações e cancelou seu registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora, retorna ao mercado de capitais com ofertas iniciais de suas principais divisões.

O Valor apurou que a companhia tem planos de abrir o capital de seu braço de educação a distância, o UOL Edtech. Formada a partir de uma série de aquisições, a unidade já seria a maior empresa de educação digital do Brasil, o que desperta o interesse dos investidores.

O projeto, porém, não seria de curto prazo. A questão é o tamanho da companhia, que oferece cursos para capacitação profissional, varejo, treinamento para concursos e certificação bancária. Segundo uma pessoa a par do assunto, o faturamento do UOL Edtech estaria por volta de R$ 300 milhões por ano, distante, ainda, do porte que o mercado costuma exigir para uma oferta de ações.

Outro alvo potencial é o UOL Diveo, que fornece serviços de tecnologia da informação e tem valor de mercado calculado em R$ 550 milhões. No início do ano passado, segundo apurou o Valor, o UOL chegou a contratar o banco J.P. Morgan e o escritório de advocacia Mattos Filho para preparar a abertura de capital dessa divisão. Para aumentar seu valor, a ideia, na época, era unir a unidade ao UOL Host, de hospedagem de sites.

O processo, no entanto, foi interrompido depois de a Tivit, que concorre com o UOL Diveo em alguns segmentos, ter abortado seu próprio plano de ir à bolsa no fim de setembro, diz outra fonte. A Tivit, que oferece serviços de centros de dados, esperava obter R$ 1,45 bilhão com a venda das ações a preços entre R$ 43 e R$ 51, mas o valor foi considerado alto demais. Mesmo depois de reduzi-lo para R$ 35, o papel não atraiu a demanda esperada - o que levou à desistência pela Tivit e desestimulou o UOL.

Com a oferta inicial de ações fora de questão, começaram as negociações para fatiar o UOL Diveo em duas partes, vendendo-as separadamente. Uma empresa ficaria com os centros de dados - a infraestrutura da qual depende a computação em nuvem - e a outra com serviços como a própria nuvem, segurança e gerenciamento da informação. As negociações com um potencial comprador foram encerradas pelo UOL em fevereiro e, desde então, a companhia estaria se reunindo com outros interessados.

Os centros de dados e a computação em nuvem são duas das mais fortes tendências tecnológicas atuais, mas a dependência do UOL Diveo de seu controlador seria um entrave à venda, segundo um executivo com conhecimento das negociações. "Partes relacionadas [ao UOL Diveo] representam mais de 40% do Ebitda", diz essa fonte, numa referência aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização. "Tirando o UOL como cliente, a geração de caixa [do UOL Diveo] em 2017 foi negativa."

Ontem, o jornal "O Globo" publicou nota reforçando a hipótese de que o UOL Diveo está sendo dividido em duas partes. De acordo com a notícia, dois executivos do UOL Diveo - Gil Torquato, presidente, e Marcelo Epperlein, principal executivo financeiro - estavam nos Estados Unidos para negociar a unidade de "colocation". Esse é o jargão para serviços de hospedagem de dados. Uma das interessadas seria a americana Digital Realty. Por meio de sua assessoria, o UOL Diveo afirmou ao Valor , no fim da tarde de ontem, que "até o momento", a informação não procedia.

No mercado, a percepção é que o UOL assume, cada vez mais, o perfil de uma empresa financeira. O sinal mais recente disso é a contratação de Rômulo Dias, que foi diretor do Bradesco e presidente da credenciadora de cartões Cielo para a presidência do grupo. Dias assumiu o cargo no dia 2, com autoridade sobre todas as operações, inclusive o PagSeguro. Dias foi presidente da Cielo no período em que a empresa, controlada pelo Bradesco e o Banco do Brasil, mais cresceu.

Outro indicativo das ambições do UOL no setor financeiro foi a compra da fintech Biva, em dezembro. Fintechs são empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros para concorrer ou complementar os serviços dos bancos. A Biva é dedicada a empréstimos on-line para empresas.

A chegada de Dias marca a primeira vez que o UOL passa a ter um executivo contratado à frente dos negócios, que sempre ficaram sob o comando do fundador Luiz Frias, a quem Dias vai se reportar. Frias é presidente do Grupo Folha, dono do UOL e responsável pela edição do jornal "Folha de S.Paulo".

Frias se afastou do dia a dia depois da abertura de capital do PagSeguro, em janeiro, que movimentou US$ 2,6 bilhões, dos quais US$ 1,6 bilhão foi para os acionistas. Segundo dados do início do ano, depois da família Frias, o principal acionista do UOL é João Alves de Queiroz Filho, o "Júnior", que controla a Hypera Pharma, novo nome da Hypermarcas, com 14,9%. Os mexicanos da Negotio Magni possuem 10,8%, e o BTG Pactual Principal Investments, 6,5%.

Na transação, o UOL optou por listar a PagSeguro na Bolsa de Nova York, em vez da B3, para atrair investidores internacionais ávidos por colocar dinheiro nas fintechs. A avaliação é que a empresa teve grande sucesso por ser uma startup com altas taxas de crescimento, mas já rentável. O PagSeguro encerrou o ano de 2017 com lucro de R$ 479 milhões.

Pessoas que acompanharam o processo de listagem descrevem Frias como um empresário com enorme senso de oportunidade. Muitos creditam a ele, em grande medida, o sucesso da oferta.

O UOL foi criado em 1996, como um portal de notícias e provedor de acesso à internet. Na mesma época, várias companhias exploravam a internet sob o mesmo modelo. Os nomes incluem Excite, Lycos, ZAZ (que depois seria comprado pela Telefónica e convertido no Terra), StarMedia e AOL. A ideia era obter mensalidades dos assinantes e receita publicitária.

A maior parte dessas empresas desapareceu com a concorrência dos serviços gratuitos, entre outras mudanças de mercado. Sob a direção de Frias, o UOL soube se adaptar e passou a acrescentar fontes de receita para não depender dos fluxos originais que minguaram com o tempo. Em 2006, a empresa criou o PagSeguro; em 2008, o UOL Host; em 2010, o UOL Diveo e assim por diante. No balanço de 2016, o mais recente disponível, a receita consolidada do UOL foi de R$ 1,9 bilhão, com crescimento de 12% em relação a 2015. O grupo apresentou lucro líquido de R$ 162 milhões. (Colaborou Ivone Santana).



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