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MUNDO

04/04/2018

MIL e Westway Lab. Estes festivais querem vender Portugal, canção a canção

Cada vez mais a música portuguesa trabalha para chegar aos ouvidos internacionais. O MIL, esta semana, e o Westway Lab, na próxima, vão tentar reforçar a internacionalização. Quisemos saber como.

Viverá a música portuguesa não um PREC, mas um PIEC — processo de internacionalização em curso? Os sinais são muitos e parecem apontar para isso. Afinal, 2017 foi histórico: o festival holandês Eurosonic, uma das maiores montras musicais europeias, dedicou a edição desse ano a Portugal mas houve outros sinais a passarem mais despercebidos. “Pela primeira vez na música, a Direção-Geral das Artes (DGArtes) e a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), ou seja a cultura e a economia, juntaram-se numa missão pela música. “Foi inédito”, lembra ao Observador Nuno Saraiva, criador da plataforma Why Portugal, que se dedica à exportação dos agentes e empresas envolvidos na indústria musical portuguesa.

Que a economia — isto é, a AICEP — se faça representar esta quarta-feira no festival MIL — Lisbon Internacional Music Network, num debate sobre como estreitar as relações musicais entre Portugal e Brasil, não será pormenor a ignorar. Como não o será também o número de festivais recentemente criados que querem apresentar a música portuguesa ao mundo: ao pioneiro vimarense Westway Lab, cuja quinta edição decorre na próxima semana (de quarta-feira, 11 a sábado, 14), juntou-se em 2017 o MIL, que tem a sua segunda edição a começar esta quarta-feira, 4, terminando sexta-feira, 6.

Há mais: no ano anterior, 2016, o EXIB, um festival dedicado a ligar a indústria musical dos países sul-americanos e ibéricos, aconteceu pela primeira vez em Portugal (mais precisamente em Évora). Daqui a seis meses, o Porto recebe uma espécie de Web Summit da música (de seu nome Tomorrow Comes Today). Já escrevia Eduardo Guerra Carneiro e cantava Sérgio Godinho: “Isto anda tudo ligado.”

É natural que surjam mais eventos com esta tipologia. Numa conversa com o Rui Torrinha, quando fundámos o Westway Lab, acho que a palavra cogumelos chegou a ser usada para falar de outros países europeus onde já existiam vários eventos desta natureza. Em Portugal não existia nenhum e estrategicamente fazia sentido que passasse a existir. Agora é natural que surjam outros e ainda bem que assim é. Tudo ajuda a colocar Portugal no mapa”, diz Nuno Saraiva ao Observador.

Portugal, diz Gonçalo Riscado, diretor geral da Cultural Trend Lisbon — que gere o clube Musicbox e que produz o MIL em parceria com Fernando-Ladeira Marques, português que vive em Paris e dirige o prestigiado festival-convenção MaMa (por onde passaram, com impacto para as suas carreiras, os Dead Combo, The Legendary Tigerman ou Noiserv), “é hoje um país com uma produção musical popular muito interessante — e isto dizemos nós e os vários players internacionais que por aqui passam. Há qualidade e quantidade”. Nuno Saraiva corrobora: “Não ficamos atrás de ninguém em termos da nossa criatividade musical e da música que cá é feita”.

Toda a gente está a ver em Portugal e em Lisboa, onde o MIL se realiza, um local de mistura e de cruzamento de ritmos e de influências que dão origens a projetos diferentes e originais. Esse lado exótico é algo que potenciamos, que queremos exportar e promover. Porque ele existe, é real. A Why Portugal marcou o ano passado com a presença portuguesa no Eurosonic e acho que está a fazer um trabalho muito interessante com um esforço enorme de ser a ferramenta de export office [gabinete de exportação] que não existia”, refere Gonçalo Riscado.

Porque é que esse gabinete não existia? Recuemos alguns anos, a 2011. Em fevereiro, três meses antes de anunciar “um bom acordo” com a troika, José Sócrates apresentava no Centro Cultural de Belém (CCB) medidas de reforço ao Ministério da Cultura de Gabriela Canavilhas. Já era tempo, dizia Sócrates, de a cultura “ser levada a sério e encarada como um setor económico e não como um setor da pedinchice nacional”. Entre as medidas que o ex-primeiro ministro anunciara nesse dia estava a criação em definitivo do Portugal Music Export, o primeiro programa que assumia a intenção de trabalhar a exportação da música portuguesa como um todo. Para o triénio 2011-2013, as verbas seriam de um milhão de euros, anunciava-se. Mais tarde, já com o Ministério extinto e Passos Coelho a primeiro ministro, o programa seria considerado “ilegal”.

“De certa forma ainda bem que não avançou”, afirma Nuno Saraiva, em entrevista telefónica a propósito da realização do Why Portugal Event, que promete marcar a história da associação. “Esse projeto estava muito antiquado na sua metodologia e no financiamento, que era muito maior que o nosso. Era um projeto muito baseado no modelo do Bureau Export francês, um projeto pesado, antigo e caro. Se calhar ainda bem que não avançou”.

A música portuguesa não é só fado

A Why Portugal nasceu como um grupo de trabalho da Associação de Músicos Artistas e Editoras Independentes (AMAEI) mas extravasou esta entidade, tornando-se autónoma em 2016. Porquê a demora? “Podíamos ter começado mais cedo se houvesse alicerces”, diz Nuno Saraiva, exemplificando: “Se houvesse por exemplo um festival na rede ETEP (European Talent Exchange Programme, uma rede de festivais europeus virados para a apresentação de artistas europeus entre mercados), que só houve com o nascimento do Westway Lab… Sem essa e outras peças o puzzle não avançava. O timing foi o que foi e também não há que ter pressa nem tentar dar um passo maior do que a perna”.

“O desafio principal foi afirmar a Why Portugal como sendo para todos”, diz Nuno Saraiva, explicando que a associação “também é para as majors[grandes editoras], é para todo o setor. Seja música gravada ou música ao vivo. É o chapéu do cluster [concentração de empresas de um setor] da música em Portugal. E como tal serve para internacionalizar não só os artistas mas todas as empresas do setor que queiram participar nas nossas missões e iniciativas”.

Acho que é muito importante pensar que existe um mercado muito grande que é o mundo inteiro. Se as pessoas querem fazer da música a sua vida a internacionalização é crucial. Somos um mercado pequenino, com pouco dinheiro e viver exclusivamente deste mercado será sempre para poucos — e são ainda menos os que podem fazer uma vida de carreira sustentada no mercado nacional. Portanto, não há nada a fazer, é importante ter esta abertura”, refere Gonçalo Riscado.

https://observador.pt/2018/04/02/como-e-que-capitao-fausto-e-boogarins-fazem-uma-cancao-juntos/

Se um esforço de internacionalização integrada do setor, que foi sempre tendo alguns casos de sucesso internacional pontuais (com vários artistas de fado e música tradicional portuguesa, alguns projetos de metal e de rock e outros de inspiração e herança africana) surgiu há poucos anos e está ainda a dar os primeiros (mas vigorosos) passos, parte da responsabilidade é da forma como a música portuguesa se vendia e era vendida. Pelo menos é aquilo que pensa Nuno Saraiva, do contacto que foi tendo com agentes internacionais e com modelos bem sucedidos noutros países:

Houve sintomas que foi preciso ultrapassar. Desde logo, a ideia de elaborar um projeto à volta do fado, que é uma estratégia errada porque não é atrás do comboio do fado que vamos exportar todas as outras técnicas portuguesas. Fazê-lo transmite a ideia de um país antiquado e desligado do universo da música internacional. É como se a música espanhola fosse só o flamenco. Ou como se a música francesa fosse só Jacques Brel e Serge Gainsbourg e não fosse também Daft Punk e tudo o resto.”

Assim, a Why Portugal teve “de combater” lá fora “a ideia de Portugal enquanto país antigo, com música antiga. Foi o primeiro desafio”. Outro foi “a ausência de conhecimentos sobre o nosso ecossistema atual de música, o que está ligado ao primeiro. A maioria dos 4500 profissionais do Eurosonic não conhecia nada além de Buraka Som Sistema. Não quer dizer que não se conhecesse Moonspell na área do metal ou que em Espanha não se conheça bem os The Gift — agora com o disco com o Brian Eno são conhecidos em todo o mundo. Hoje já se conhecem muito mais”.

A internacionalização, um processo “cumulativo”

A edição do Eurosonic dedicada a Portugal foi fulcral para a notoriedade crescente da música portuguesa, aponta Nuno Saraiva: “Depois disso temos vários artistas que estão em pleno processo de internacionalização, como por exemplo a Surma”. O foco do festival em Portugal foi benéfico e parte desses resultados podem ser quantificados, refere ainda o responsável da Why Portugal. “Por cada euro que foi investido nessa missão tivemos um retorno de nove euros. Houve um investimento de 100 mil euros e um retorno de 900 mil  mas isto já é a contabilização do final do passado, não quer dizer que não continue a crescer.”

Casos concretos? Vamos a eles: “Sei que há um agente alemão que continua a trabalhar um artista que esteve no Eurosonic o ano passado e que diz que essa presença continua a potenciar os festivais de verão desse artista. Há uma banda austríaca que vem ao Westway Lab este ano que atuou no Eurosonic não no ano passado, mas há dois anos. A Da Chick esteve no Eurosonic há dois anos e este ano foi ao South by Southwest/SXSW. Há um efeito cumulativo neste processo”, sublinha Nuno Saraiva, logo acrescentando: “É um processo em que é preciso ter alguma persistência e alguma estratégia. Um mercado pequeno como o nosso precisa ainda mais desses mecanismos — e para ter persistência é preciso ter algum apoio, financiamento, etc”.

O despertar dos mercados internacionais para a diversidade e multiplicidade da música portuguesa coincide com a consolidação e afirmação do país como destino turístico. É possível que não seja apenas coincidência. “Existe uma clara sinergia — ou várias sinergias — entre a vitalidade do turismo cultural [em Portugal] e de outros tipos de turismo. Há a gastronomia, os vinhos… Portugal é apetecível por tudo isso”, refere Nuno Saraiva. Gonçalo Riscado pensa o mesmo: “A atratividade de Lisboa e de Portugal, estarem tão populares, ajuda quando queremos atrair alguns profissionais para virem cá. Portugal neste momento é sinónimo de interessante, alternativo, criativo, de algo a explorar.”

Outro dos fenómenos a dar mais visibilidade e credibilidade internacional à música portuguesa foi a vitória de Salvador Sobral na Eurovisão. E foi-o não apenas no circuito mais mainstream mas também no mais alternativo, refere Gonçalo Riscado: “Dentro do nosso circuito [mais alternativo] falou-se disso. A opinião de muita gente que trabalha nesta área em muitos países é que o festival já estava moribundo. É popular mas não é seguido por muitos profissionais, sobretudo desta área mais alternativa. Mas acho que teve impacto pela forma como a vitória aconteceu, por ter sido um projeto de rutura com modelo a que o festival estava ligado. Acho que foi muito importante e valorizou a nossa capacidade criativa, de impor mudanças, de arriscar. Foi uma grande mais valia”.

MIL, um festival que quer descobrir o futuro

Um dos muitos sinais da vitalidade e diversidade atual da música portuguesa é o recém-anunciado nascimento de um festival só com música portuguesa a decorrer na segunda maior sala de Lisboa, o Coliseu dos Recreios (com rock, folk e hip hop). Outro é o facto da segunda edição do MIL — Lisbon Internacional Music Network, que arranca esta quarta-feira, 4 de abril, conseguir juntar vários músicos e bandas nacionais de relevo — Alek ReinMoullinexThe LegendaryTigermanDiron Animal, Júlio Resende, Luís Severo, Whales e Bruno Pernadas, entre outros — sem repetir as presenças do ano anterior (B Fachada, Sensible Soccers, Capitão Fausto, Linda Martini, Xinobi, First Breath After Comma, Benjamim, Selma Uamusse, Surma, Duquesa, Da Chick…).

O festival tem como grande objetivo estreitar a ligação dos vários mercados da música lusófona (com grande destaque para o português e brasileiro) e aproximá-los de outros mercados europeus. Haverá concertos e conferências e estarão presentes muitos delegados internacionais. Ao Observador, os organizadores destacam alguns, como Bob Van Heur, programador artístico do festival Le Guess Who?, Fabricio Nobre, organizador do festival de rock alternativo brasileiro Bananada (que celebra em 2018 vinte anos e que encetou uma parceria com o MIL) e “representantes dos festivais SIM SÃO PAULO, MaMa Festival e Mercat de Musica Viva de Vic, com quem o MIL tem gualmente um protocolo de parceria que visa a circulação de artistas”.

Contamos ainda com a presença de Alain Lahana, promotor francês que fundou a Rats de Villes e que trabalhou com artistas como Patti Smith, Iggy Pop, Depeche Mode ou Carla Bruni; Mike Deane, programador do Liverpool Musicweek, que este ano foi eleito o melhor festival do Reino Unido, que é também representante europeu de artistas como Forest Swords, Gaika ou Liars e que estará em Lisboa, cidade que tem acompanhado de perto graças ao fenómeno da Príncipe Discos; e da sala de espetáculo de Lille, L’Aeronef, que vem ao MIL com o objetivo de programar um um country focus sobre Portugal na temporada de 2018/2019.”

Também com presença confirmada estão delegados de “agências de artistas independentes”, como a ATC (Mac De Marco, John Maus), Earth Agency (James Holden, Black Lips, Deerhunter, Amen Dunes) e a Belmont Bookings (Angel Olsen, The Tallest Man on Earth) e ainda “intervenientes de relevo” mais institucionais, como Sofia Alves (Chefe da Representação da Comissão Europeia em Lisboa) e Matthieu Philibert (IMPALA — Associação das Empresas de Músicos Independentes).

Portugal, explica o produtor do festival, “é um país muito pequeno e o segredo destes festivais é serem uma troca. Queremos que os nossos artistas sejam exportados mas os outros profissionais também querem exportar os seus artistas, não vêm só compradores, vêm também vendedores”. Tem de haver um “equilíbrio”, diz — daí a mistura entre os showcases de músicos portugueses e de outros países lusófonos (a maioria dos quais, brasileiros) com os de músicos de outras nacionalidades, que futuramente tenderá a ser “à volta de 50-50”.

O nosso é um circuito muito pequenino, daí a vontade de concentrar em Lisboa o mercado da língua portuguesa [para aumentar a atratividade para agentes internacionais]. Tentamos também que este festival tenha uma curadoria porque é para a cidade, para o público em geral. O cartaz não é feito por candidatura ou sorteio, somos nós que o fazemos”, aponta Gonçalo Riscado.

A programação, refere o responsável do MIL, “será sempre discutível mas tentamos que o público e os profissionais sintam que existe um programa coerente. Trabalhamos o alternativo popular e gostamos de procurar coisas que não seguem o mainstream, o método de composição mais básico para tocar facilmente na rádio. Também estamos habituados a trabalhar programação, por causa do Musicbox, que integra a rede Live Europe, que tem alguns dos principais clubes europeus. E porque recebemos propostas, fazemos pesquisa, circulamos por showcasefestivals internacionais, temos contacto com programadores… Alguns destes projetos terão com certeza muito sucesso no futuro, outros irão desaparecer. É como em tudo”.

“Queremos que todos os anos no MIL os programadores, agentes e as editoras pensem: provavelmente eu vou descobrir aqui alguma coisa que vai ser marcante no futuro e que é diferente. Mesmo os programadores de festivais, achamos que podem encontrar aqui surpresas, que também são precisas, além dos cabeças de cartaz. Queremos que sintam que é em Lisboa que vão encontrar esses projetos”, resume.

Apoiado por entidades como a AUDIOGEST – Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos, a Câmara Municipal de Lisboa e a GDA — Gestão dos Direitos dos Artistas, o festival depende também da “predisposição” dos artistas. O produtor e gestor cultural explica o que isso quer dizer: “No fundo é um investimento deles. Obviamente, estes são festivais que não se podem pagar em bilheteira, em que os artistas não podem ter os cachês habituais, é impossível. Notamos que mesmo os artistas que já têm um público grande em Portugal querem correr riscos, querem apostar, acreditam que a internacionalização é possível — e é, porque existe qualidade, mas é um trabalho e um esforço muito grande de várias partes. Perceberam que ter um festival que traga pessoas relevantes da indústria — programadores, agentes, editoras — para os ver tocar para o seu público é uma grande mais valia”.

O futuro de um festival destes, diz Gonçalo Riscado, avalia-se pelos objetivos que consegue cumprir, quantificáveis, mas também pela perceção que cria. “Não é em uma ou duas edições mas penso que em quatro edições existirá uma perceção importante. Eu poderei dizer: ajudámos 15 ou 20 artistas, um de forma direta, outro indireta… É complicado definir se foi o MIL o grande ponto de viragem na carreira de alguns dos artistas que por ele passem mas a perceção de que isso acontece ou não existirá nos artistas, nos managers… as pessoas terão noção se vale realmente a pena e é isso que as fará querer estar ou não estar aqui”.

O MIL já devia ter nascido há mais tempo e teria sido útil mais cedo. Recordo que existe um modelo de showcase festival em Portugal já com algumas edições, o WestwayLab, que tem desempenhado muito bem a função de encontro de profissionais. Mas achámos que em termos de espetáculos e de oportunidades para bandas era possível fazer algo diferente, juntando isso à questão da língua portuguesa construímos a nossa identidade. Acham que todos os festivais e conferências complementam-se e vão dar um grande impulso à internacionalização da música portuguesa.”

O balanço da edição do ano passado foi bom — “caso contrário, acho que não estávamos aqui”, ri-se o responsável do MIL. E foi bom pelo interesse do público (esgotou) e pelos frutos que deu, aponta o responsável, referindo que “os Capitão Fausto conheceram a assessora de imprensa responsável pela promoção da banda no Brasil” no MIL, que “Stone Dead, White Haus, Diron Animal e The Poppers passaram a integrar o circuito de festivais europeus, atuando nos palcos do MaMA Festival, Szigest ou Paleo Fest” e que Selma Uamusse, “além de ter tocado em festivais como o MaMA, assinou contrato com a Piranha Records & Publishing após ter conhecido a A&R da editora no MIL”.

O contacto entre os vários agentes — músicos, editores, promotores, managers e por aí fora — é feito in loco, no festival, mas também pode ser feito através da app do MIL, onde é possível entrar em contacto (por e-mail ou chat) com os vários delegados que estarão presentes na edição. “Melhorámos a ferramenta e isso foi muito importante, até pelo o crescimento do número de delegados confirmados, que está a disparar. Estamos muito contentes com isso”, congratula-se Gonçalo Riscado.

[O MIL – International Music Network decorre entre 4 e 6 de abril, em várias salas e clubes do Cais do Sodré, em Lisboa: B.Leza, Europa, LoungeMusicboxRive RougeSabotageTokyo e Viking]

Westway Lab, este ano com 26 gabinetes de exportação europeus

Quando Nuno Saraiva desafiou Rui Torrinha para criar o pioneiro (em Portugal) Westway Lab, disse-lhe: “Portugal precisa de um evento que seja um festival de showcases e uma conferência profissional de música porque não temos nenhum evento com essa tipologia e precisamos para entrar na rede ETEP”. Rui Torrinha desconfiou, disse que precisava de fazer “algo ainda mais original” em vez de importar um modelo exterior. Daí nasceu um festival que, tendo as características já referidas, seria também um “lab”, um “laboratório criativo”, em que músicos nacionais e internacionais juntam-se em residências para compor e criar.

“Eu disse-lhe: OK, estou mesmo a ver ligarmos a um agente inglês e dizermos-lhe: olhe, queremos um artista seu que esteve no Eurosonic e que está em amplo crescimento de carreira a passar dez dias em Guimarães em vez de estar em digressão”, ri-se Nuno Saraiva. “É óbvio que foi um grande desafio, mas o que é facto é que não só marca a diferença pelas residências artísticas, como origina novos projetos que continuam depois do festival. O Rui Torrinha aí teve razão a 300%”.

O facto do festival ser em Guimarães também foi um dos aspectos que lhe deu a identidade, defende o diretor da plataforma Why Portugal: “Não é à toa que festivais como o South by Southwest e o Eurosonic não acontecem nas capitais ou nas cidades principais dos seus países. São eventos descentralizados e isso cria uma dinâmica em que as pessoas não dispersam, há uma concentração e uma ligação que se cria entre os profissionais que é muito forte”.

A quinta edição, que decorre na próxima semana, de 11 a 14 de abril, tem uma particularidade: além dos showcases habituais no festival (mais de uma dezena, dos portugueses Manel Cruz e Dear Telephone e dos internacionais Leyya, Bowrain e Dope Calypso, por exemplo, há um foco na música austríaca (em troca, a próxima edição do Waves Vienna terá grande presença portuguesa) e a consolidação do Why Portugal Event, que “nasceu o ano passado associado ao Westway Lab, ou seja, alojado dentro das conferências do Westway Lab” e que este ano surgirá com peso no cartaz, com concertos próprios no palco Why Portugal Stage (de Isaura e Stereossauro, por exemplo), explica Nuno Saraiva.

A Why Portugal levará ainda a Guimarães 26 export offices (gabinetes de exportação) de toda a Europa e vários festivais europeus (da Suécia, Reino Unido, Espanha, Áustria, Eslovénia, Polónia, Luxemburgo, Alemanha e Itália), através de um projeto de cooperação europeu intitulado Innovation Network of European Showcases (INES). Também no decurso do festival decorrerá a primeira reunião de sempre da rede EMEE — European Music Export Exchange em Portugal, com representantes do Bureau Export(França), Buma Cultuur (Holanda) e Initiative Muzik (Alemanha), entre outros.

“O que aconteceu foi que no encontro do Eurosonic tínhamos de marcar a próxima reunião da EMEE, de que a Why Portugal faz parte, e eu apresentei o Why Portugal Event no Westway Lab como o contexto ideal para darmos esse próximo passo”, conta Nuno Saraiva. Agora, diz, é tempo de “pôr mãos à obra” para que a música portuguesa — e não apenas um pequenos conjunto de músicos nacionais, de forma isolada — encontre o seu lugar ao sol noutras paragens.

Fonte: Observador



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