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MUNDO

18/05/2018

Há seis novos tesouros nacionais portugueses, saiba quais são

O Governo classificou como tendo interesse nacional seis antiguidades que ganham desta forma a mais alta protecção jurídica atribuída a peças móveis. Os decretos foram publicados esta sexta-feira, 18 de Maio, em Diário da República.

O mosaico romano deus Oceano, o Alfinete Neomedieval, o ceptro evocativo de D. Pedro IV, o  leito namban, a pintura "Virgem com o Menino e Dois Anjos" e o centro de mesa e respectiva baixela de prata, da casa Veyrat. São estes os novos tesouros nacionais, a mais elevada protecção jurídica atribuída no nosso país a peças que de destaquem pela sua antiguidade, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade ou exemplaridade e que, prevê a Lei, devam ser objecto de especial protecção e valorização.

O reconhecimento de interesse nacional, atribuído pelo Governo, foi publicado esta sexta-feira em Diário da República e implica, entre outras coisas, que "a respectiva protecção e valorização, no todo ou em parte, representa um valor cultural de significado para a Nação".

Estas peças ficam submetidas a uma especial tutela do Estado e os respectivos proprietários ou detentores passam a poder aceder a regimes de apoio, incentivos ou financiamentos. Ficam também sujeitos a deveres, nomeadamente a comunicar eventuais vendas ou transmissões ou a prévia autorização no caso de dispersão de partes do tesouro em causa.

Mosaico romano deus Oceano

Tesouro da cidade de Ossonoba/Faro, data de finais do século II d.C. ou início do século III d.C. e foi muito provavelmente produzido por oficina itinerante, de mosaístas de origem africana (Tunísia, Marrocos ou Líbia). Tem 940 por 240 centímetros e é formado por quatro painéis. O painel central corresponde a um quadrado dentro do qual se inscreve um medalhão circular contendo a máscara ou cabeça do deus Oceanus, originalmente circundado pelos quatro Ventos, dos quais restam apenas dois bustos, afrontados, na parte superior. Foi descoberto numa escavação arqueológica em 1976, numa rua da cidade e actualmente integra o acervo do Museu Municipal de Faro

Alfinete Neomedieval

Da autoria do joalheiro Fortunato Pio Castellani, data de 1862 e pertenceu à rainha D. Maria Pia. Integra a colecção do Palácio Nacional da Ajuda desde 2016. Tem a forma de um "M" gótico coroado, em ouro filigranado, representando a Anunciação, e decorado com cabochões de esmeraldas, rubis, safiras e pérolas. Foi oferecido à futura rainha D. Maria Pia pela cidade de Nápoles, por ocasião do seu casamento com o rei D. Luís I, em 1862.

Ceptro evocativo de D. Pedro IV de Portugal

Integra o acervo do Palácio Nacional da Ajuda e foi feito em bronze cinzelado gravado e dourado, encimado por um resplendor que ostenta, de um lado, as armas do reino de Portugal e, do outro, as armas do Império Brasileiro, assente sobre um livro que representa a Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826. Este ceptro pertenceu ao túmulo de D. Pedro IV de Portugal (D. Pedro I do Brasil) no Panteão dos Bragança, em São Vicente de Fora, estando associado a uma das duas coroas - a real e a imperial - que sobrepujavam o monumento fúnebre: a do Reino de Portugal.

Leito namban

Conhecido como "cama Namban dos Condes d'Aurora, terá sido trazido de Goa para Portugal pelo 2.º Conde d'Aurora, José de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sottomaior Barreto, juntamente com toda a mobília adquirida na Índia pelo juiz e Conselheiro do Governo do Estado da Índia no decurso das duas últimas décadas do século XIX. Trata-se de um leito com cabeceira alta com dossel entretanto desaparecido.  A decoração é lacada a negro com desenhos de mom (brasões de nobreza) em dourado e incrustações em madrepérola.

Pintura "Virgem com o Menino e Dois Anjos"

Atribuída ao Mestre de Santa Clara, do século xv, esta pintura está incorporada nas colecções do Museu Nacional de Arte Antiga desde 2015. Está dividida em três partes por duas faixas verticais, representando o interior de um compartimento com parede de silharia e chão de ladrilho. Sob um dossel verde, cujas cortinas são levantadas por dois anjos, vê-se, sentada num trono, a Virgem com o Menino. Esta pintura terá sido designada por Nossa Senhora da Graça, uma das mais populares devoções nas igrejas portuguesas no final da Idade Média.

Centro de mesa e respectiva baixela de prata, da casa Veyrat 

Pertencente à Rainha D. Maria Pia (século XIX), faz parte do acervo das colecções do Palácio Nacional da Ajuda e revela, em termos formais e estilísticos, uma linguagem revivalista de cariz romântico numa evocação do estilo Luís XV. O centro de mesa caracteriza-se como a peça maior e mais aparatosa do conjunto, sobre um plateau de orla recortada, delimitado por uma moldura com friso perlado, elevando uma estrutura de ornatos que descreve um arco adornado de folhagens, sustentando um fruteiro circular fixo, em prata entrançada, ladeado por outros de menor diâmetro suspensos, originalmente completados com almas de cristal. A baixela é constituída por um faqueiro, peças de serviço, peças ornamentais e utilitárias, estojos e peças de vidro suplentes.

Fonte: Jornal de Negócios



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