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MUNDO

29/05/2018

Países de língua portuguesa terão Atlas do Patrimônio Cultural

A produção de um Atlas do Patrimônio Cultural dos países de língua portuguesa é um dos principais resultados da primeira reunião da Comissão de Patrimônio da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em Salvador, Bahia, nos dias 17 e 18 de maio.

A proposta é mapear o conjunto dos bens materiais e imateriais dos países-membros, em plataforma disponível online. O conteúdo será transformado em exposição itinerante, para ser divulgado nos territórios da CPLP.

A reunião no Brasil reuniu representantes de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Portugal, o secretariado da CPLP e autoridades brasileiras na área de Patrimônio Cultural. O evento ocorreu no Pestana Convento do Carmo, hotel histórico de 1586, que é referência de uso turístico de bens do Patrimônio Cultural no Brasil.

Cooperação multilateral

A criação da Comissão de Patrimônio foi compromisso firmado desde a X Reunião dos Ministros da Cultura, realizada ano passado, e assumido pelo Brasil, que ocupa a presidência pro tempore da CPLP. ” Não há nada que represente a dimensão humana como o Patrimônio Cultural. É nossa herança, nosso legado. É um campo que se fortalece muito dentro da Comissão de Cultura”, celebra Kátia Bogéa, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O desafio é inserir o Patrimônio Cultural na agenda política dos países, como vetor de desenvolvimento sustentável e de inclusão social”, completa.

Os representantes da Comunidade desenvolveram um regulamento interno para normatizar o funcionamento da Comissão de Patrimônio. A proposta é que a comissão volte a se reunir a cada ano, para avaliar os resultados da agenda estratégica que foi definida para o próximo biênio.

Por partilharem a mesma língua e processos históricos, o intercâmbio de conhecimento em Patrimônio Cultural na rede de países da CPLP tem um elemento facilitador a mais. A Comunidade se propôs a criar um canal de divulgação de publicações especializadas, produzidas pelos países membros, como a extensa biblioteca de milhares de títulos produzidos pelo Iphan.

Entre os acordos celebrados na reunião, firmou-se o compromisso de oferecer à comunidade internacional cursos em gestão de patrimônio, com temáticas prioritárias aos países da CPLP. O primeiro curso, em 2019, será uma capacitação profissional em listas indicativas de Patrimônio Nacional, com o propósito de desenvolver a expertise em inventariar bens culturais nacionais. Em 2020, será aberto um novo curso, de Salvaguarda de Patrimônio Cultural Imaterial, cuja política brasileira é referência.

A formação de recursos humanos é eixo estratégico da CPLP, que traz resultados no impacto do trabalho no campo da preservação. O Centro Lucio Costa (CLC), Escola de Patrimônio do Iphan, situado na cidade do Rio de Janeiro, reconhecido pela Unesco como Centro de Categoria II, e integra uma rede de parceiros em todo o mundo. Na América Latina, além do CLC, há também o CRESPIAL, em Cuzco, no Peru e o Centro Regional do Patrimônio Mundial, em Zacatecas, no México.

Uma das diretrizes da Comissão de Patrimônio Cultural da CPLP é mobilizar os países africanos lusófonos, para adesão ao Centro de Categoria 2. Até hoje oito países de língua oficial portuguesa e espanhola já aderiram ao Centro (Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai – na América do Sul –, Cabo Verde e Moçambique – na África), entre os 17 países de sua região de abrangência, composta por oito países de língua oficial portuguesa – Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, e São Tomé e Príncipe (África); Brasil (América do Sul) e Timor Leste (Ásia) – e nove de língua espanhola – Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela (América do Sul).

Última flor do Lácio

O Brasil criou uma marca para a Comissão de Patrimônio Cultural da CPLP, na forma de uma flor de nove pétalas, com as cores das bandeiras de cada país, representando a união das nações. A marca simboliza o soneto Língua Portuguesa, do poeta parnasiano brasileiro Olavo Bilac, que em seu verso “Última flor do Lácio, inculta e bela”, se refere ao idioma Português, como a última língua derivada do latim falado no Lácio, região italiana.

Peculiaridades dessa língua, que imprime diferentes acentos ao patrimônio preservado. Tanto o patrimônio protegido em Portugal, como o Patrimônio Cultural Brasileiro, tratam do mesmo assunto: a herança cultural.

Fonte: Mundo Lusíada



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