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28/06/2018

Marcelo com Trump: "Não houve nada que não fosse falado" [Portugal]

Presidente recebido ontem na Casa Branca por Presidente dos EUA. Ronaldo serviu de desbloqueador de conversa

Antes de os dois iniciarem o seu encontro a sós, Donald Trump e Marcelo Rebelo de Sousa trocaram na Casa Branca palavras perante os jornalistas. Até houve tempo para piadas em torno de Cristiano Ronaldo. O Chefe do Estado português disse ao inquilino da Casa Branca que "Portugal tem o melhor jogador do mundo". Trump respondeu ao seu estilo, perguntando a Marcelo se este não receia que o futebolista concorra contra ele à Presidência da República. E o PR português retorquiu que, nestas matérias, Portugal "é um pouco diferente" dos EUA. "Portugal não são os Estados Unidos da América."

Houve conversa de salão, mas não só. Marcelo recordou a Trump ter-se encontrado há dias com Vladimir Putin em Moscovo. Acrescentando: "Ele pediu-me que lhe enviasse cumprimentos." E quando os jornalistas já estavam quase a sair da sala, acrescentaria saber que o Presidente norte-americano está para ter um encontro com o líder da Comissão Europeia, Jean- -Claude Juncker. "Isso são boas notícias. São boas notícias."

De resto, Trump foi Trump. Perante Marcelo e os media fez questão de dizer que desconhecia o pensamento do PR português sobre as ultramusculadas políticas atuais dos EUA face à emigração proveniente do México (que tem implicado separar filhos dos pais).

"Eu acho que é bom para nós", disse o Presidente norte-americano, e sublinhando ainda: "Não sei o que pensa sobre este assunto, mas nós acreditamos em fronteiras fortes para diminuir a criminalidade."

Marcelo parecia discordar abanando ligeiramente a cabeça - uma linguagem corporal que depois admitiu perante jornalistas portugueses poder ter sido "excessiva".

Antes, Trump já tinha afirmado a sua "grande honra" por receber na Casa Branca" o altamente respeitado Presidente de Portugal". "Temos uma relação tremenda com Portugal há muito tempo e devo dizer que nunca foi tão boa como é hoje. Portanto, quero dar-lhe as boas-vindas a si e à sua delegação", disse a Marcelo.

​Este, por sua vez, recordaria ao inquilino da Casa Branca pormenores relevantes da história da relação entre os dois países: apesar da sua aliança com Inglaterra, Portugal foi o primeiro país neutral a reconhecer, numa "decisão corajosa", a independência dos EUA. Disse também que os pais fundadores dos EUA brindaram à independência com vinho Madeira. Ambos sublinharam com números coincidentes o peso e a relevância da comunidade emigrante portuguesa nos EUA: cerca de um milhão e meio de pessoas. E Marcelo fez questão de recordar ao Presidente dos EUA as bases em que a relação entre os dois países assenta, os seus "valores comuns": "Democracia, liberdade, o Estado de direito, os direitos humanos."

Isto tudo foi antes de o encontro a sós entre os dois se iniciar - e a seguir a este encontro haveria uma reunião bilateral alargada, também à porta fechada e ainda na Casa Branca.

Mais tarde, Marcelo falaria com jornalistas portugueses, na chancelaria da embaixada portuguesa em Washington. Para o Presidente português, o encontro foi "caloroso do início ao fim". E "não houve nada de relevante, daquilo que é convergente e daquilo que é divergente, que não fosse falado".

Ou seja: houve das duas partes "disponibilidade não apenas para falar mas para ouvir", e "o mesmo calor que houve na parte afirmativa de convergência, houve na parte de existência de divergências", sendo a política de imigração "uma das áreas de divergência". "Sempre que eu tenho oportunidade de explicar porque é que Portugal acolhe imigrantes, explico. E aproveito para fazer pedagogia, para explicar como é a realidade portuguesa", referiu Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando: "Nenhum encontro é exceção a esta prática que eu adoto sempre."

Fonte: Diário de Notícias



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