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NEGÓCIOS E ECONOMIA

04/07/2018

Salários devem aumentar para ajudar a recuperação económica, defende a OCDE [Portugal]

O recuo do desemprego durante a recuperação económica deve ser acompanhado por aumentos salariais, até para ajudar na própria recuperação económica, defende a OCDE no seu Employment Outlook

Com o desemprego a baixar e a economia a recuperar, os salários deviam estar a aumentar mais, diz a OCDE. A fraca expansão dos salários, que é especialmente vincada em países como Portugal, é explicada pela criação de empregos em setores de baixa produtividade, e pela estagnação do poder negociar dos trabalhadores.

No "Employment Outlook 2018", a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), diz que o recuo do desemprego durante a recuperação deve ser acompanhado por aumentos salariais para permitir que essa recuperação ganhe toda a sua força",

Contudo, não é isso que está a acontecer. "A recuperação no crescimento dos salários está atrás da queda no desemprego", alerta a OCDE, constatando que enquanto o desemprego está em queda há vários anos na maioria dos países da OCDE, "o crescimento salarial permanece marcadamente abaixo do que era antes da recessão para níveis de desemprego comparáveis".

Os números são claros: em média, o crescimento dos salários por hora nos países da OCDE no último trimestre de 2017 ainda era 0,4 pontos percentuais mais baixo do que no final de 2008, enquanto o desemprego estava em níveis similares, destaca o relatório

E Portugal é um dos países onde esta tendência é mais vincada. Comparando o período de 2000 a 2007 e de 2007 a 2016, o crescimento médio anual dos salários medianos para os trabalhadores a tempo inteiro caiu 1,5 pontos percentuais no conjunto da OCDE, mas a queda ultrapassou os três pontos percentuais na Irlanda, Grécia e Portugal, bem como em muitos países da Europa de Leste, frisa o relatório.

Baixa inflação e produtividade cobram preço
A explicação para esta pressão em baixa sobre o crescimento dos salários está em fatores como o ambiente de baixa inflação que se vive na maioria dos países da OCDE e, também, no abrandamento da produtividade, aponta a OCDE. "Num contexto de estagnação do poder negocial dos trabalhadores e forte substituição do trabalho por capital, isto inevitavelmente coloca um limite à possibilidade de aumentar salários", lê-se no documento.

A OCDE aponta uma explicação adicional: o aumento do emprego em postos de trabalho com baixos salários. "No rescaldo da recente e longa crise, muitas pessoas que procuravam emprego foram forçadas a aceitar postos de trabalho que consideram piores em termos das condições de trabalho por comparação com as suas expectativas e o emprego que tinham antes da crise", frisa a OCDE. "Estes trabalhadores ainda estão intensivamente à procura de melhores empregos, aumentando o número de candidaturas por vaga e, logo, exercendo pressão em baixa sobre os salários".

Acresce que "as comparativamente piores condições de trabalho entre aqueles que conseguiram um posto de trabalho após terem estado no desemprego, combinadas com ainda elevado desemprego nalguns países, empurraram para cima o número de trabalhadores com salários mais baixos, logo baixando o crescimento salarial médio".

Assim, políticas viradas para as competências dos trabalhadores "têm um papel-chave a desempenhar, para assegurar que ninguém fica para trás num contexto de necessidade de competências em rápida evolução", aponta a OCDE, defendendo que é necessário "maior esforço político".

Fonte: Expresso



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