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MUNDO

09/08/2018

Língua portuguesa uniu 460 jovens de todo mundo em Macau

Um curso intensivo de língua portuguesa reuniu, há três semanas, mais de 450 jovens de todo o mundo na Universidade de Macau (UM). Os jovens terminaram a missão com o «coração apertado» e a certeza que esta língua «une pessoas». 

Mark Sung-Hyun, da Coreia do Sul, aventurou-se na língua portuguesa há pouco mais de cinco meses, mas nem por isso se viu tentado a olhar para o papel no seu discurso, feito inteiramente em português, na cerimónia de encerramento do curso de verão da UM.

O jovem de 19 anos descreveu o «desafio» de aterrar, pela primeira vez, na «vibrante cidade dos casinos», onde, para seu espanto, «lê-se português em todo o lado, mas já quase ninguém fala a língua».

Começou por estudar espanhol, motivado pela 'La Liga' (liga espanhola de futebol), mas o sonho de um dia entrevistar o seu ídolo - Cristiano Ronaldo - fê-lo optar antes pela língua portuguesa na Universidade, onde, conta-nos, apenas ensinam o português que se fala no Brasil.

«Sabia que neste curso, em Macau, ensinavam português europeu e não hesitei. Acho mais atrativo, mais clássico, enfim, mais bonito», diz, acrescentando que quer ser jornalista desportivo e um dia entrevistar os seus ídolos na sua própria língua.

Chegar do aeroporto à Universidade não foi fácil, sentiu-se perdido várias vezes e «não sabia em que língua comunicar». É, no entanto, a memória dessa resiliência que levou consigo de volta para casa.

Ao contrário do jovem sul-coreano, a norte-americana Jessica Xavier já conhece os cantos a Macau, onde já esteve.

«A minha família é de Macau e em São Francisco, onde nasci e cresci, estou muito envolvida com a comunidade macaense», disse à agência Lusa. Os pais falam português, mas nunca lhe ensinaram.

A vontade de aprender a língua, no entanto, sempre esteve lá. Assim que ouviu falar do Curso de Verão, decidiu arriscar. Não partiu do zero, admite, devido às aulas obrigatórias de espanhol na escola. Ainda assim, confessa ter aprendido mais nas últimas três semanas do «que em todas as visitas anteriores a Macau».

«É muito intensivo. São quatro horas [de aulas] todos os dias, de segunda a sexta-feira, aprendemos muito, aprendi mesmo muito», reiterou.

É esta intensidade, referenciada por todos os alunos nos discursos de encerramento, que motiva a coordenadora Ana Nunes a prosseguir e a reinventar esta iniciativa.

«São três semanas intensivas, estamos todos os dias juntos. Tal como vários alunos disseram, apesar de irem agora embora, o coração fica cá, vão guardar saudades. Quando chegamos ao fim, apercebemo-nos porque fazemos isto todos os anos», disse no rescaldo da 32.ª edição, a quarta consecutiva que organiza.

Dos 460 alunos que participaram este ano, muitos nunca tinham tido qualquer contacto com a língua portuguesa, afirmou.

«Este ano recebemos um grupo de 30 alunos de uma universidade onde nem sequer ensinam português, mas onde estão a pensar abrir o curso», disse, referindo que integrá-los em Macau é, na sua opinião, uma «forma interessante» de perceber se há recetividade.

Às aulas propriamente ditas, da parte da manhã, seguiram-se várias atividades extracurriculares durante a tarde. Sessões de cinema, aulas de música e dança, ou até mesmo desporto - tudo foi exibido ou lecionado em língua portuguesa.

«Estas atividades, que fogem ao contexto das aulas, constituem outra forma de aprendizagem», aponta Ana Nunes, durante as quais os alunos «nem se apercebem do quanto estão a aprender».

A novidade da 32.ª edição foi a introdução à escrita criativa, em linha com o objetivo de trazer «algo diferente» todos os anos.

«Nunca tínhamos oferecido porque exige que os alunos já dominem minimamente o português, mas resultou muito bem. A professora encarregada mostrou-nos os textos e eles conseguiram ser muito criativos», disse.

O curso de verão de Língua Portuguesa, organizado pelo departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau, contou com 460 alunos provenientes da China continental, dos Estados Unidos, França, Inglaterra, Coreia do Sul, Vietname, Japão, Austrália, Singapura, Índia, Hong Kong e Macau.

Fonte: Revista de Portugal e das Comunidades



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