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NEGÓCIOS E ECONOMIA

09/10/2018

Não é só para aposentar: Portugal vira destino quente de startups [Portugal]

O tímido país mostra que não tem nada de envelhecido. Apoio do governo foi fundamental para que Portugal se tornasse sede de negócios inovadores

Castelos, pratos clássicos, uma cultura familiar e uma aparente vida pacata podem fazer os brasileiros ignorarem um movimento que se destaca por baixo dos panos de Portugal: o investimento em negócios escaláveis e inovadores, também chamados de startups.

O que começou em 2007, com a criação do hoje unicórnio de roupas de luxo Farfetch pelo empreendedor José Neves, deixou de ser uma exceção. Um estudo do Startup Europe Partnership mostra que o ecossistema de startups português cresceu o dobro da média europeia entre 2010 e 2016, mesmo período em que começou a ganhar repercussão internacional. O país ganhou outros unicórnios fundados por portugueses, como a plataforma de transformação digital OutSystems e a empresa de prevenção de fraude por machine learning Feedzai.

O posicionamento de Portugal como uma marca de inovação está evoluindo, destacando benefícios como infraestrutura disponível e de alta qualidade, acessibilidade geográfica a diversos mercados, custos competitivos e qualidade de vida. Mas o país ainda precisa convencer investidores externos do potencial da região para inovações se quiser fazer valer o Portugal 2020, projeto do governo português para criar um boom econômico entre 2014 e 2020.

Maria Miguel, diretora do think tank público-privado Startup Portugal, veio ao Brasil para ajudar nessa missão. Uma comitiva em Florianópolis apresentou a 50 empresas e startups catarinenses a oportunidade de se aproximar do ecossistema europeu para receberem investimentos e abrirem filiais em Portugal, enquanto startups portuguesas podem estudar expansões para o atrativo mercado consumidor brasileiro. Em entrevista a EXAME por telefone, Maria Miguel falou mais sobre como Portugal se torna, cada vez mais, um destino quente de startups – inclusive para brasileiros com sede de desbravamento.

 

A oferta que gera demanda

A Comissão Europeia considerou que Portugal era um país “moderadamente inovador” em 2016, o que representou uma evolução positiva para a região. A troca de Londres por Lisboa para sediar a conferência de tecnologia e startups Web Summit no mesmo ano foi o primeiro passo para fazer os olhos dos empreendedores e investidores internacionais realmente se voltarem à terra do poeta Luís de Camões. “O evento trouxe pessoas de tecnologia e startups a procura de financiamentos. Eles vieram e nunca mais foram embora”, explica Maria Miguel.

Uma grande sacada do governo português atual, que assumiu em novembro de 2015, foi ter percebido esse movimento e criado uma série de apoios ao empreendedorismo. No caso de Portugal, a oferta de incentivos gerou a criação de mais empreendedores – um cenário muito diferente do Brasil, onde o empreendedorismo surge apesar da falta de apoio estatal.

Um exemplo de iniciativa é o próprio Startup Portugal, entidade autônoma para apoiar políticas públicas e privadas do ecossistema de startup, da ideação à escala dos negócios. Tais políticas incluem a reunião de diversas formas de financiamento; o Startup Vista, visto para empreendedores criado em 2017; e a listagem de mais de 135 entidades do ecossistema e mais de três mil startups. É uma densidade surpreendente para um país com pouco mais de 10 milhões de residentes, com 3.333 habitantes por startup. No Brasil, que possui por volta de 10 mil startups e 207 milhões de residentes, a densidade é de 20.700 habitantes por startup. Veja todas as iniciativas do Startup Portugal aqui.

Fonte: Exame



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