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16/10/2018

Especial - Dois lados [Ourinvest]

Caros amigos, dada a urgência do tema, este mês resolvi antecipar o texto especial que divulgo na última semana de cada mês.

Isso se deve em função da decisão de dividir com vocês alguns pontos que julgo destaques dos planos de governo dos presidenciáveis que chegaram ao segundo turno, para ajudá-los a tomar a melhor decisão que lhes cabe.  Assim, se eu enviasse essa humilde análise somente no fim do mês, talvez fosse um artigo mais do que merecido a ser descartado. Sei que esse tema é delicado e que tem causado briga entre amigos de infância e até em famílias, mas jamais gostaria de desentendimentos com meus amigos leitores. Dessa forma, ressalto que esta nota se esquiva (mesmo!) de qualquer viés, ou seja, nem eu, nem o Banco Ourinvest tendemos para qualquer partido político — nossos votos são secretos e guardados para nossa consciência cívica.

Voltando à vaca fria, temos dois candidatos bem diferentes. Haddad (eleito para o segundo turno com 29% dos votos válidos) pode ser caracterizado como mais intervencionista, enquanto Jair Bolsonaro (com 46% dos votos válidos) tende a ser mais liberal. Contudo, acredito que ambos projetos têm dificuldade de aprovação e execução, cabendo ao legislativo (senadores e deputados federais) um papel bem importante.

Fernando Haddad pretende (i) isentar os mais pobres de impostos e taxar grandes fortunas, (ii) manter o câmbio competitivo e menos volátil mediante regulações e controle de entrada de capital especulativo no país — ou seja, mudar o tripé macroeconômico que sugere taxa de câmbio flutuante. O candidato quer (iii) revogar a reforma trabalhista feita no atual governo, (iv) tributar mais os bancos, (v) suspender a privatização de empresas consideradas estratégicas para o país e (vi) estimular a reindustrialização (para isso, bancos públicos devem assumir papel importante no financiamento).

No tema educação, Haddad ressalta o ensino médio e superior, e pretende criar o Programa Ensino Médio Federal, ampliando a participação da União nesse nível de ensino — algumas das propostas são fazer convênio com estados para assumir escolas situadas em regiões de alta vulnerabilidade e criar um programa de permanência para jovens em situação de pobreza. E quer realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica.

Na saúde, investir na implantação do prontuário eletrônico, que reúne o histórico de atendimento de saúde dos pacientes no SUS e implementar um Plano Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.

Em relação à política externa, quer retomar a política externa de integração latino-americana e a cooperação Sul-Sul (especialmente com a África) nas áreas de saúde, educação, segurança alimentar. E pretende reorientar a política de preço da Petrobrás.

Vale mencionar que em entrevistas, o candidato disse que não vai dar indulto ao ex-presidente Lula, após outras lideranças do PT terem levantado essa possibilidade, e menciona a criminalização da LGBTfobia e programas voltados para diversidade. (mais detalhes nas tabelas do anexo)

Jair Bolsonaro promete (i) unificar impostos, (iii) privatizar estatais, (iii) reduzir os atuais 29 ministérios para 23 (destaco aqui que a área econômica teria dois órgãos principais: Ministério da Economia e o Banco Central), (iv) manter o tripé econômico de câmbio flexível e metas fiscal e de inflação, (v) e introduzir um sistema de contas individuais de capitalização para reformar a Previdência Social, (vi) eliminar o déficit público primário no primeiro ano de governo e convertê-lo em superávit no segundo ano, (vii) além de ampliar a reforma trabalhista, com a criação de uma nova carteira de trabalho.

Na educação, o candidato diz não admitir ideologia de gêneros nas escolas, e fará a inclusão da disciplina moral e cívica e a organização social e política brasileira (temas excluídos pós-período de ditadura militar). Defende cota social. E quer ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual.

Na saúde, para combater a mortalidade infantil, defende a melhoria do saneamento básico e a adoção de medidas preventivas de saúde para reduzir o número de prematuros — entre elas, estabelecer nos programas neonatais a visita ao dentista pelas gestantes. Pretende criar a carreira de Médico de Estado, para atender áreas remotas e carentes do Brasil.

Em relação à política externa, o candidato diz que fará negócios comerciais com o mundo todo, sem viés ideológico. Pretende reduzir alíquotas de importação e barreiras não tarifárias e constituir novos acordos bilaterais internacionais. Acredita que os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais, mas suavizados com mecanismos apropriados.

Adicionalmente, pretende aumentar produtividade estimulando investimentos em novas tecnologias e quer encaminhar para aprovação do Congresso “As Dez Medidas Contra a Corrupção” propostas pelo Ministério Público Federal. E uma grande bandeira levantada é de reduzir a maioridade penal para 16 anos. Redirecionar a política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência e reformular o Estatuto do Desarmamento — pois defende o direito à posse e porte de arma de fogo por todos. (mais detalhes nas tabelas do anexo)

O que falar sobre tudo isso? Mercado financeiro é uma entidade adaptável. Claro — não sejamos hipócritas —, candidatos que flertam com o liberalismo agradam mais o mercado e, portanto, sua vitória sugere moeda brasileira mais valorizada. E vale mencionar que considerando as pesquisas divulgadas até o momento, Bolsonaro parece que ganhará essas eleições com larga vantagem. Porém, não significa que o mercado não cobrará efetivação de suas promessas. E olhando esse plano econômico, podemos dizer que as propostas são ambiciosas e devem custar a serem totalmente aprovadas. Então, uma lua de mel na taxa de câmbio não seria eterna nesse cenário. 

O mesmo serve para o candidato mais à esquerda. Inicialmente o mercado precificaria riscos do protecionismo, e a moeda poderia voltar para patamares bem superiores a US$/R$ 4,0. Contudo, como as medidas sugeridas também têm dificuldade de serem implementadas num novo Congresso, esse Governo poderia rever seus planos.

Por fim, vale a ressalva de que temos sempre que respeitar a democracia, e tentar conviver da melhor forma que seja com o que o povo escolher. É isso que faremos a partir do dia 28. Torceremos para que nosso próximo presidente, seja ele quem for, tenha sucesso em conduzir nosso amado Brasil para patamares de destaque comercial, e nós, como Banco, proporcionaremos aos nossos clientes as melhores condições dentro de qualquer conjuntura. Não desanimem, e sobretudo não briguem.

Fonte: Assessoria

16/10/2018



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