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MUNDO

18/11/2018

Brasileiro com ELA cria aplicativo para pessoas com distúrbios na fala

Com formação em tecnologia da informação, portador de doença degenerativa traçou uma luta contra o tempo para desenvolver uma forma alternativa de se comunicar.

José Afonso Braga, de 47 anos, foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em 2013. A doença ataca o sistema nervoso central e provoca paralisia motora progressiva e irreversível. Já no primeiro ano após a confirmação do diagnóstico, Zé, como prefere ser chamado, perdeu todos os movimentos do corpo e também a voz.

Chegou a experimentar aplicações voltadas para pessoas com distúrbios na fala, mas a maioria das opções no mercado era limitada ao idioma inglês, possuía dicionários fixos e uma interface confusa. Com formação em tecnologia da informação, o mineiro, pai de três filhos, traçou uma espécie de luta contra o tempo para desenvolver uma forma alternativa de se comunicar. Foi quando surgiu o WeCanSpeak.

A entrevista à Agência Brasil foi feita na sala de estar da casa de Zé, num condomínio no Lago Sul, sob o olhar atento da esposa, Valéria Braga. Poucos minutos antes da conversa começar, enquanto o repórter fotográfico se preparava, ele brincou: “Coloca um filtro tipo Tom Cruise (ator norte-americano) nessa câmera. Para eu ficar bonitão”.

A conversa com a repórter ocorreu, única e exclusivamente, pelos movimentos dos olhos do entrevistado, que se fixam nas teclas da tela de um computador até formar palavras, posteriormente transformadas em áudio. Apesar de todas as limitações, ele conta que está bem, sobretudo no que se refere aos cuidados qualificados que recebe e de todo o apoio da família e de amigos.

O lançamento oficial do 'WeCanSpeak' aconteceu no último dia 3. Em menos de dez dias, foram mais de 300 downloads. A ferramenta pode ser utilizada em computadores e tablets e é disponibilizada de forma gratuita. Uma versão paga é oferecida a “utilizadores mais exigentes”, como o próprio classifica.

Entre as premissas básicas fixadas para o desenvolvimento da aplicação estavam: ser universal; ser configurável (o utilizador pode criar o seu próprio dicionário com palavras e frases completas adequadas ao seu dia-a-dia); ser simples, prático e intuitivo (o utilizador não precisa de passar por vários comandos para dizer uma simples frase); e ser acessível (pessoas com todo tipo de poder aquisitivo podem ter acesso à ferramenta).

A app permite até mesmo que ele receba os amigos em casa às quintas-feiras para uma partida de poker. A jogatina, segundo a esposa, segue madrugada adentro. “A comunicação é a base da socialização e perder essa capacidade de socializar é, talvez, a maior dor causada pela doença”, disse.

Questionado sobre a sua relação com a doença, ele diz que aceita os desafios impostos pela vida com naturalidade. Ao final de uma conversa tranquila, com o som dos equipamentos que garantem a respiração mecânica de Zé ao fundo, uma frase encerra a entrevista, quase que como uma lição de vida: “Desde o primeiro momento, tenho o compromisso de não deixar que a doença me tire a alegria de viver. E estamos a conseguir isso”. 

Fonte: Notícias ao Minuto



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