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MUNDO

11/12/2018

Angola quer identificar “objetos culturais” do país em museus de Portugal

Angola vai criar uma equipa técnica que irá proceder ao levantamento e identificação de “objetos culturais” presentes em museus portugueses, número “impossível de quantificar” devido às relações históricas entre os dois países, disse fonte oficial angolana.

Zivo Domingos, diretor nacional dos Museus de Angola, sob tutela do Ministério da Cultura angolano, salientou tratar-se de uma “estratégia” de longo prazo, indicando que o levantamento não será feito só em Portugal, como também na maioria dos países europeus e nas Américas.

“No Ministério da Cultura [angolano] estamos a trabalhar numa estratégia. Estamos a criar uma equipa que terá como principal missão fazer o levantamento e identificação desses objetos, não só em Portugal, mas também no resto da Europa e nas Américas”, sublinhou.

“A partir daí, teremos um inventário muito mais sistematizado e, depois, iremos acionar mecanismos, quer a nível diplomático, quer a nível da cooperação técnica e científica, para ver a possibilidade de recuperar os objetos para Angola”, acrescentou.

Zivo Domingos afirmou desconhecer quantos “objetos culturais” estão em Portugal: “É difícil dizer tendo em conta o passado histórico entre Angola e Portugal”, disse, admitindo tratar-se de um “número grande”.

“Mas não o posso dizer de forma taxativa”, ressalvou.

Segundo Zivo Domingos, o Ministério da Cultura angolano vai contactar em breve o congénere português e pensa enviar logo que possível a missão a Portugal para proceder ao levantamento.

“Penso que é o caminho mais certo. Nós, sendo o serviço executivo do Ministério da Cultura, damos tratamento a essa matéria e vamos sugerir à ministra e ao executivo angolano os passos técnicos e científicos que devem começar a ser dados no sentido de começar a fazer esse levantamento. Tudo parte daí, e só depois podemos colocar outras questões”, sublinhou.

Questionado sobre quanto tempo crê que demorará o processo de levantamento e inventariação, o diretor nacional dos Museus de Angola considerou também ser difícil calendarizar.

“Não podemos definir aqui hoje um horizonte temporal. Temos é de começar agora e, depois, veremos quanto tempo poderá demorar”, respondeu, lembrando que Angola conta com uma rede de 15 museus – sete na capital, Luanda, e os restantes oito distribuídos pelas províncias angolanas de Cabinda, Zaire, Huambo, Huíla e Benguela.

Zivo Domingos indicou que grande parte do acervo cultural e histórico angolano disperso por todo o mundo está em Portugal, nomeadamente no Museu Nacional de Etnologia.

Fonte: África 21 Digital



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