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NEGÓCIOS E ECONOMIA

08/01/2019

'Uma faixa, uma rota' ligam Lisboa a Pequim [Portugal e China]

Xi Jinping esteve, no passado mês de dezembro, dois dias em Lisboa, numa visita marcada por uma carga simbólica que reflete o excelente relacionamento político e económico entre os dois países. Portugal está na 'linha da frente' do projeto 'Uma Faixa, Uma Rota', que tem por objetivo estabelecer novas rotas comerciais com o Ocidente.

«Portugal tem uma posição geográfica e em consolidação da rota da seda marítima e terrestre. A nossa cooperação no âmbito de uma faixa e uma rota são vantagens naturais e vamos fortalecer de forma plena a nossa relação para abrir novos espaços e áreas para a nossa cooperação e benefícios recíprocos». As palavras do Presidente chinês Xi Jinping, na declaração conjunta com Marcelo Rebelo de Sousa logo no início da sua visita oficial a Portugal, espelharam bem o intenso trabalho desenvolvido pela diplomacia portuguesa nestes últimos meses e sobretudo o reforço institucional no reconhecimento daquilo que já é uma realidade vigente nos dias que correm: o excelente relacionamento político e económico entre os dois países, o reconhecimento pelas autoridades chinesas de Portugal como um parceiro estratégico de entrada, não só na União Europeia, mas sobretudo no espaço da Lusofonia e a importância estratégica de Macau neste contexto, ou seja, o papel que desempenha atualmente como ponte entre a China e os países de língua portuguesa para promover a cooperação do comércio e do investimento.

Aliás, o próprio Presidente português já tinha também deixado bem clara esta “sintonia” ao ter anunciado a assinatura do memorando de entendimento bilateral sobre a iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas “Uma Faixa, Uma Rota”, projeto no qual Portugal está na linha da frente desde 2006, altura a partir da qual começou a ser crescente e relevante o investimento Chinês em Portugal, bem como crescimento constante na balança comercial dos dois países.

Na declaração conjunta com Xi Jinping, Marcelo Rebelo de Sousa salientou especificamente a importância deste acordo, considerando que simbolizava bem «a parceria que Portugal e a China pretendem continuar a construir, com um diálogo político regular e contínuo entre os dois países».

O investimento chinês

A estratégia da China tem sido bem visível na entrada de capitais chineses na estrutura acionista de algumas das mais importantes empresas portuguesas - como a EDP, a REN, a TAP, a seguradora Fidelidade, a Luz Saúde, para além do setor da Banca com o Millennium BCP, BANIF e Haitong Bank – onde a Fosun, China Three Gorges, HNA e State Grid são alguns dos principais e mais mediáticos veículos de investimento usados pelos investidores chineses para entrar em Portugal.

Olhando para esta realidade percebe-se que existe uma orientação de investimento em setores estratégicos, como é o caso da do setor da energia, e em estratégias de acesso a mercados terceiros, Europa, África e América Latina, mas também revelando uma clara aposta em indústrias de maior procura nos mercados nacional e europeu.

Em termos reais, se considerarmos período dos últimos 5 a 6 anos, os investimentos diretos chineses no país, ao qual se juntam os cerca de 2.2 milhões de euros investidos ao abrigo do programa Vistos Gold (dados a março de 2018), podem já ultrapassar os 9 mil milhões de euros (alguns analistas apontem já para os 12 mil milhões) e isto sem contabilizar os investimentos em pequenas e médias empresas. De acordo com dados recentemente conhecidos da consultora financeira Baker & Mackenzi, Portugal é o décimo país onde a China mais investiu nos últimos 17 anos. Considerando este valor de investimento, o nosso país torna-se assim o segundo país europeu em que o investimento chinês tem maior peso relativo na economia, valor que atinge quase 5% do PIB.

Fonte: Revista de Portugal e das Comunidades



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