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NEGÓCIOS E ECONOMIA

28/05/2019

Turismo torna Portugal um país de notas de euro “estrangeiras” [Portugal]

Há mais notas “imigrantes” em Portugal do que as que de cá saem. Turismo é a grande causa, mas uso de cartões também ajuda

O turismo está a intensificar a posição de Portugal como país de notas de euro “estrangeiras”. Desde 2010, são mais as notas de euro que entram no Banco de Portugal do que aquelas que saem. E, no ano passado, esse número agravou-se ainda mais.

O indicador em causa chama-se de emissão líquida de notas: “é a diferença entre todas as notas saídas e todas as notas entradas num banco central da área do euro, ou no seu conjunto, desde a introdução do euro (em 2002)”. Totalizou, em Portugal, os 17 mil milhões de euros negativos no final de 2018.

Na prática, o que quer isto dizer é que, “no final de 2018, o valor das notas depositadas no Banco de Portugal desde a introdução do euro excedia em 17 mil milhões de euros o valor das notas levantadas (14 mil milhões de euros no final de 2017)”.

“Com registo negativo desde 2010, este indicador tem vindo a diminuir em resultado do maior valor acumulado das notas entradas no Banco de Portugal quando comparado com o valor acumulado das notas saídas. A vocação de Portugal como destino turístico tem levado à migração para o país de muitas notas, sobretudo as de maior valor, colocadas em circulação por outros bancos centrais da área do euro”, explica o Banco de Portugal no relatório de emissão monetária relativo a 2018.

A “imigração” de notas, no seu todo, deve-se, em especial, às notas de maior valor, de 50, 100, 200 e 500 euros. Há um volume de notas em circulação que excede a procura e, por esse motivo, explica o documento, são entregues na autoridade monetária.

“Dentre elas, destaca-se a nota de 50 euros: sendo a mais utilizada na área do euro, é trazida para o país em grande quantidade; apesar de ser a de mais baixo valor das quatro, representa mais de 70% da emissão líquida conjunta”, concretiza o relatório que explica que, ao contrário das notas, Portugal tem uma emissão líquida positiva nas moedas: há mais moedas a sair do que a entrar.

Apesar de preponderante, o turismo não é a única causa apontada pelo Banco de Portugal para este saldo migratório negativo de notas do euro: “A par desta causa, aponta-se como determinante da evolução da emissão líquida o crescente recurso ao pagamento com cartões”.

“Ainda assim, a maior parte dos pagamentos, especialmente os de menor valor, são realizados com numerário”, diz ainda o Banco de Portugal. Aqui, a nota de 20 euros continua em destaque: “a nota de 20 euros é a mais utilizada pelos portugueses, tendo representado, no ano passado, 83% do valor da emissão líquida conjunta das três denominações mais baixas; seguiu-se a nota de 10 euros, com um peso de 14% no conjunto”.

NOVAS NOTAS DE 100 E 200 EUROS

No mesmo dia em que divulgou este relatório, esta segunda-feira, 27 de maio, o Banco de Portugal apresentou ainda as novas notas de 100 e 200 euros que vão entrar em circulação na zona Euro amanhã.

"A 28 de maio de 2019 entram em circulação as novas notas de 100 e 200 euros, as duas últimas denominações da série Europa a serem introduzidas, culminando um processo que se iniciou em 2013, com o lançamento da nota de 5 euros. Estas denominações não têm uma expressão significativa na circulação fiduciária em Portugal, sendo sobretudo utilizadas como reserva de valor e, nesta dimensão, poderão tornar-se um pouco mais relevantes atendendo ao facto de, por decisão do Banco Central Europeu, ter deixado de ser emitida a nota de 500 euros", comenta Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, no relatório.

NOTAS DE CINCO MIL ESCUDOS POR TROCAR

No relatório de emissão monetária, o Banco de Portugal lembra que, em 2018, “continuavam em posse do público 11,5 milhões de notas de escudo passíveis de ser trocadas após essa data, no valor de 96,3 milhões de euros”. “Deste montante, mais de um terço correspondia a notas de cinco mil escudos”, adianta anda a autoridade.

Os detentores destas notas têm até 2022 para trocar estes escudos, já que é nessa nota que prescrevem, ou seja, deixa de ser possível a sua transferência por euros. Se não forem trocadas, o Banco de Portugal registará um ganho daquela dimensão: 96 milhões.

Em 2018, a prescrição com outras séries de notas de escudos aconteceu e, como não foram trocadas, renderam um ganho de 56 milhões de euros ao Banco de Portugal – permitindo aumentar os ganhos no ano em que foram distribuídos dividendos recorde ao Estado.

Fonte: Expresso

 

 

 



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